Documentos do programa Pró-Paz que estão em poder da Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) que apura abuso sexual contra crianças e adolescentes revelam um dado estarrecedor. No ano passado, foram registrados em Belém 62 casos de violência sexual contra crianças com idade entre zero e dois anos. Em 30 casos, os atos foram tão violentos que os meninos e meninas tiveram que passar por cirurgia para recomposição dos órgãos genitais.
“Visitei uma criança de um ano e oito meses na Santa Casa que estava na terceira cirurgia. Esse é um dano irreversível. Não apenas físico, mas psicológico. Não há como apagar essa violência”, diz o deputado Arnaldo Jordy (PPS), relator da CPI.
No mesmo período, foram registrados 144 casos entre crianças com idade de dois a cinco anos. O que chama a atenção é que esses números se referem apenas a Belém, onde existe uma rede maior de proteção às crianças. Como na maioria dos municípios não há atendimento especializado, estima-se que os números da violência são muito maiores.
De acordo com o Pró-Paz, ao todo, foram registrados em Belém 950 crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes em 2008, números que farão parte do relatório final da CPI. Jordy informou que deve adiar a divulgação do documento para janeiro, em função “do volume e complexidade dos casos que estão sob análise.”
Os números levantados até agora pela CPI mostram que, em cinco anos, foram registrados 20 mil casos de abuso contra crianças no Pará. Estima-se que para cada caso registrado existam outras cinco ocorrências, o que elevaria essa estatística para 100 mil casos.
No relatório final, Jordy promete apontar as falhas no sistema público de atendimento às crianças abusadas e sugerir medidas como a criação de núcleos do Pró-Paz e de delegacias especializadas, pelo menos nos municípios polos do Estado. O deputado já propôs a criação de uma subcomissão dentro da Comissão de Direitos Humanos da AL exclusivamente para tratar desses casos. (Diário do Pará)
