
Muitos paraenses nunca leram obras de autores da terra e muito menos se preocupam em estudar a nossa região. Mas há quem se interesse por tudo isso e ainda seja capaz de levá-la muito além das nossas fronteiras, como é o caso da paraense Daniela Pantoja da Cruz. Nascida e criada no bairro da Terra Firme, Daniela deixou a capital paraense para fazer o seu mestrado na França.
Atualmente, está cursando o doutorado e é professora da Universidade de Paris. Sua paixão pela Amazônia a levou a organizar o colóquio internacional “Amazônias brasileiras: imaginário e criação contemporânea” (Amazonies Brésiliennes: imaginaires et création contemporaine), que iniciou ontem, em Paris. “Temos como objetivo evocar imaginários e criações contemporâneas da Amazônia Brasileira. Mas aproveitaremos a ocasião para comemorar o centenário de Dalcídio Jurandir, que é um autor lido na universidade pelos alunos franceses”, explica a professora. Daniela conta que já chegou na universidade propondo modificações no programa.
“Propus a criação de um curso sobre Cultura Amazônica Brasileira, no qual introduzi também literatura paraense, incluindo a leitura de um dos livros do Dalcídio, ‘Belém do Grão Pará’. Isso foi possível por conta da parceria com a Fundação Casa de Ruy Barbosa do Rio de janeiro”, diz. Foi com o sucesso do curso que surgiu a ideia de montar o evento, que inicialmente seria uma jornada de estudos, mas acabou tornando-se um colóquio internacional. “Conseguimos tudo isso graças ao apoio da brasilianista Idelette Muzart, que é chefe do Departamento de Português onde trabalho”, comenta Daniela. O colóquio “Amazônias brasileiras: imaginário e criação contemporânea” irá homenagear o marajoara Dalcídio Jurandir e a “bragantina-parisiense” Lindanor Celina.
>> A professora paraense Daniela Pantoja da Cruz organiza o evento. (Foto: Divulgação)
“É a primeira vez que um evento desse porte homenageia esses dois escritores paraenses aqui na França. A Lindanor era muito próxima do Dalcídio e também foi professora aqui na França, por isso pensamos que seria interessante estender a homenagem a ela também”, explica a professora. Na abertura do evento, para situar os franceses no universo amazônico, será exibido o documentário “Verde terra prometida: laços amazônia e nordeste”, da cineasta paraense Cláudia Kawage.
Como convidados, o evento terá o pesquisador Gunter Karl Pressler, que foi professor de Daniela no curso de Letras da Universidade Federal do Pará, e mais duas pesquisadoras paraenses, a professora Larissa Latif, da Unama, e Carlota Brito, do Museu Emílio Goeldi, além de doutorandos da USP que estão fazendo intercâmbio e professores locais que são especialistas em Amazônia. Dentre os temas que serão discutidos até amanhã estão “Amazônia e Amazônidas”, “Leituras Críticas e Dramáticas”, “Terras Amazônicas”, “Saberes e Representações” e “Imagens e Criações”. Além de discussões científicas, o colóquio também terá o seu lado cultural. Para isso, o cantor e ator francês Frédéric Pagès, um amante incondicional da cultura amazônica, irá fazer um show literário, com uma leitura dramática e musical da obra “Cobra Norato”.
“Ele já esteve muitas vezes em Belém e se apresentou em shows na Feira do Livro de Belém, Bienal de Música e ministrou oficinas no Instituto de Artes do Pará”, comenta Daniela. Outra programação artística é a exposição virtual “Lindanor Celina”, que será realizada por Sara Barbosa e Cláudia Costinha, estudantes de Nanterre Conselhos artísticos, de Sarah Glaisen. Também estará na programação o lançamento da revista PZZ (Pará Zero Zero), do jornalista Carlos Pará, que estará presente; e a exibição do filme sobre o português menino- amazônico Ferreira de Castro. O encontro é organizado pelo Crilus (Centre de Recherches Interdisciplinaires sur le Monde Lusophone), da Université Paris Ouest Nanterre La Défense, a conhecida universidade Paris-Nantarre, com apoio da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e da Embaixada do Brasil na França.
(Diário do Pará)
