Diário do Pará Online

92% do esgoto de Belém permanece sem coleta

É melhor proteger bem o nariz, porque a informação não cheira nada bem. Com uma população de aproximadamente um milhão e duzentas mil pessoas, a cidade de Belém produz cerca de 274.560 metros cúbicos, ou melhor, 274,5 milhões de litros de esgoto sanitário por dia. Mas quem poderia imaginar que, deste total, apenas 8% passa por um sistema de coleta e não mais do que 3% do montante coletado chega a receber tratamento antes de ser lançado diretamente nos cursos d’água e no solo?

Em outras palavras, 92% destes 274,5 milhões de litros de esgoto produzidos diariamente na capital são descartados inadequadamente através de soluções individuais, geralmente fossas, que infiltram esse esgoto no solo e contaminam o aqüífero subterrâneo (lençol subterrâneo de água), uma vez que possuem baixa eficiência.

Por estarem espalhadas, as fossas acabam contaminando diferentes locais por toda a cidade.

Em torno de 3% apenas do esgoto proveniente do sistema de coleta chega até as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), que têm a função de remover as impurezas nele contidas e descartá-lo em condições de não degradar o local onde está sendo lançado, seja este um rio ou o solo. Estas impurezas vão desde matéria orgânica até microorganismos patogênicos, como vírus e bactérias.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fornecidos pelo professor do Instituto de Ciência e Tecnologia Neyson Martins Mendonça e pela doutora Luiza Girard, ambos da Universidade Federal do Pará (UFPA).

De acordo com Neyson Mendonça, o esgoto coletado e que não recebe tratamento vai direto para as águas da Grande Belém.

Além disso, parte considerável da população liga os seus esgotos na rede pluvial (que deveria transportar somente a água da chuva), que também tem como destino o rio.

“Os canais da cidade estão todos contaminados por lançamento de esgoto in natura, diariamente”, alerta o professor, lembrando que é destes mesmos cursos d’água que se abastecem as estações de tratamento de água que atendem ao consumo da população. (Belém/PA - Diário do Pará)