Diário do Pará Online

Sob vaias de concursados Santa Casa é inaugurada

A Associação dos Concursados do Pará (Asconpa) realizou, ontem pela manhã, um protesto em frente ao novo prédio da Santa Casa de Misericórdia, durante a inauguração da Unidade Materno Infantil Doutor Almir Gabriel, que custou R$ 170 milhões e possui 406 novos leitos instalados. Segundo o presidente da Asconpa, José Emílio Almeida, o concurso público C-153 promovido em 2010 pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) deveria garantir a nomeação de cerca de 600 funcionários. Mas, no lugar dos concursados, há centenas de pessoas contratadas para atender a interesses políticos. No ato estavam psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais.

José Emílio Almeida disse que há um número excessivo de terceirizados locados em vagas que deveriam ser preenchidas por quem aguarda no cadastro reserva. “Eles alegam falta de recursos, mas como pode não haver recursos se tem tanto terceirizado? O concurso público expira em abril do ano que vem. Eles querem deixar correr o prazo para não chamar ninguém. Queremos a nova Santa Casa com servidores concursados”, afirmou. A Asconpa diz que há servidores temporários lotados nos hospitais do Estado que estão recebendo até dez plantões mensais. O valor, segundo José Emílio, é excessivamente maior que os vencimentos de servidores efetivos, pois prevê o pagamento de R$ 430 por plantão, enquanto os efetivos ficam limitados a R$ 2600 por vencimento.

Por conta da Unidade Materno Infantil Almir Gabriel, o Complexo da Santa Casa expande seu atendimento de cerca de 3.000 para 5.000 mulheres por mês. O número de partos saltará de 600 para aproximadamente 800. 

À solenidade compareceram representantes do Ministério da Saúde e outras autoridades. A ex-governadora Ana Júlia Carepa foi uma das homenageadas por ter iniciado e entregue as obras adiantadas ao atual governo.

O governador Simão Jatene, mesmo vaiado, respondeu às críticas da Asconpa. Para ele, o protesto teve cunho político. “Precisamos aumentar o quadro funcional, sim, mas faremos isso visando o interesse coletivo, não o interesse pessoal de quem está esperando nomeação”, explicou. 

O secretário de Saúde Pública, Hélio Franco, já havia se pronunciado reconhecendo que, como quase todos os Estados, o Pará lida com um orçamento apertado para a área da Saúde, daí a necessidade de avaliar cuidadosamente gastos e conter custos.

(Diário do Pará)