Diário do Pará Online

Rondon: Polícia fecha o cerco contra pistoleiros

AINDA FALTAM DOIS ENVOLVIDOS NA CHACINA DE RONDON SEREM PRESOS

A Polícia Civil tenta prender os dois últimos envolvidos na Chacina de Rondon, ocasião em que foram assassinados o pecuarista Everaldino Vilas Boas de Almeida, 53, a esposa dele Rosa Amélia da Silva, 35 e o filho do casal Jadson da Silva Almeida 14 anos. A chacina de Rondon aconteceu no final do dia 12 de fevereiro deste ano, na estrada do Garrafão, vicinal que dá acesso à fazenda Graciosa de propriedade do fazendeiro. As três vítimas seguiam numa caminhonete Ranger, prata, e pretendiam passar o feriado de carnaval na fazenda.

Neste crime foram indiciados: os soldados Carlos e Humberto Lima Coelho, acusados de serem os matadores, os cabos Edson Gomes Ferreira, que seria o mentor; Paulo Sena Aleixo, José Alacides Santos Barros e o servidor público municipal Valdeci Pinheiro da Silva, sendo que estes dois últimos estão foragidos.

Valdeci da Silva, segundo o inquérito policial conduzido pelo delegado Marco Antônio de Oliveira teria cedido o carro dele, um Ford Fiesta vermelho, para que os dois policiais militares fossem montar campana na estrada vicinal do Garrafão onde teriam esperado o pecuarista e efetuaram o triplo homicídio.

Esse crime teria como mandante o filho do pecuarista, Josiel das Virgens Almeida, que estaria descontente com a possibilidade de o pai dele partilhar o patrimônio com a segunda família, nesse caso os beneficiados seriam a atual esposa Rosa Amélia e o filho dela Jadson da Silva Almeida.

À época da chacina era voz corrente em Rondon a provável participação do filho Josiel. Antes de acontecer a chacina, segundo a polícia, o relacionamento de Josiel e Everaldino estava estremecido por conta da boa vida que o filho levava e não era muito afeito ao trabalho, sendo que Everaldino não concordava.

Uma testemunha, que está sob escolta policial, contou ao delegado Marco Antônio de Oliveira e Silva que viu quando o carro vermelho entrou e saiu da estrada vicinal.

A testemunha disse que estava numa casa distante um pouco da margem dessa estrada vicinal e, portanto, não deu tempo de chegar e pedir carona ao carro vermelho.

Logo em seguida, ele viu uma caminhonete prata seguindo nessa estrada vicinal, pediu carona e percebeu quando o motorista deu sinal que o carro estava cheio.

Pra surpresa da testemunha, minutos após ter conseguido uma carona, num pampa, e logo em seguida viu a caminhonete contendo três pessoas mortas e ficou sabendo depois, que se tratavam dos corpos de Everaldino, esposa e o filho.

Este mesmo carro Fiesta foi encontrado pela polícia em poder de Valdeci Pinheiro da Silva. O delegado Marco Antônio disse que viu este mesmo carro sendo utilizado pelos soldados Carlos e Humberto Coelho que se deslocavam constantemente ao quartel da Polícia Militar.

Todos os acusados foram indiciados por homicídio qualificado por motivo torpe e por meio de emboscada, conforme reza o artigo 121, inciso 1º e IV do Código Penal Brasileiro (CPB), já que as vítimas foram tocaiadas e não tiveram chance de defesa.

Policial militar acusado de pistolagem se entrega

O cabo da Polícia Militar Edson Gomes Ferreira, lotado na 11ª Cia Independente de Polícia Militar de Rondon se entregou no final da tarde da última segunda-feira (6) no quartel de Rondon do Pará.

Ele é acusado de planejar a morte do pecuarista Everaldino Vilas Boas de Almeida, 53 anos, a esposa Rosa Amélia da Silva, 35 o filho do casal Jadson da Silva Almeida 14 anos, crime ocorrido no dia 12 de fevereiro deste mês em Rondon do Pará.

A prisão do cabo Edson Gomes foi comunicada ao delegado Marco Antônio de Oliveira e Silva à promotora Liliane Rodrigues Oliveira e ao juiz da Vara Única da Comarca de Rondon, Gabriel Costa Ribeiro. O militar nega participação no crime, mas há indícios nos autos do processo que indicam relação entre o militar e Josiel Almeida. Inclusive no dia do crime, Edson Gomes ligou duas vezes para Josiel.

A promotora Liliane Oliveira relata que tais ligações aconteceram às 19h11, cuja ligação demorou apenas 27 segundos. Na segunda ligação telefônica aconteceu às 19h13, sendo que demorou 1 minuto e 52 segundos. A promotora acredita que tais ligações seriam para confirmar que os três haviam sido mortos. No inquérito há pelo menos uma contradição que aponta para a participação do militar.

Ele teria dito que ligou para o Josiel para informar que o pai dele Everaldino Vilas Boas teria sido assassinado, pois uma caminhonete semelhante à dele havia sido encontrada numa estrada vicinal, porém em depoimento disse que não conhecia o pecuarista. Outra contradição diz respeito ao estreito vínculo de amizade com Josiel Almeida. Em depoimento, Edson Gomes disse que conhecia Josiel “de vista”, porém, após quebra de sigilo telefônico dele, a Polícia levantou que entre os dias 1º de janeiro de 2009 a 17 de maio de 2010 ambos conversaram 53 vezes via telefonemas.

Após a apresentação, o militar foi conduzido até o Hospital Municipal de Rondon onde se submeteu a exames de corpo de delito e, em seguida, foi transferido para o Presídio Estadual “Coronel Anastácio das Neves”, no Complexo de Americano, em Santa Izabel do Pará e está à disposição da Justiça. (E.S. e C.R.M)

Comportamento de Josiel levantou suspeitas

Após o crime que se convencionou chamar de Chacina de Rondon, a Polícia tinha muitas dúvidas e seguiu várias linhas de raciocínio para tentar elucidar o caso. Uma delas foi o provável endividamento do pecuarista, o que logo em seguida foi desprezada. O delegado Marco Antônio de Oliveira partiu para a hipótese que estava sendo ventilada nos quatro cantos da cidade: a que o filho Josiel das Virgens Almeida teria mandato matar o pai, a esposa e o filho para ficar com a herança.

A partir desta hipótese, associada ao comportamento estranho do filho, o delegado começou a montar as peças do quebra-cabeça até formar uma convicção de que o filho poderia estar envolvido.

Josiel Almeida despertou a atenção de muitos moradores. Durante o velório dos três corpos, pois demonstrou comportamento estranho a ponto de em momento algum se aproximar do caixão do pai.

Quando procurado pela imprensa a respeito do que havia acontecido com o pai, preferiu o silêncio ao invés de cobrar providências no que diz respeito à investigação e apuração do caso.

Ainda naquela noite, diversas pessoas viram quando Josiel Almeida dirigia uma caminhonete Hilux nova, que ele não tinha acesso, pois o veículo seria de uso exclusivo de Everaldino Vilas Boas. Inclusive dava “cavalos de pau” nas ruas, como se estivesse comemorando.

Outra situação não menos embaraçosa ficou por conta de os corpos de Rosa Amélia e Jadson que não poderiam ser velados juntamente com o corpo do pecuarista, somente depois de intervenção de amigos é que foi permitido o velório no mesmo lugar.

Cabo é acusado de ter matado secretário

Um dos indiciados de ter participado da Chacina de Rondon, Paulo Sena Aleixo 37 anos é acusado de ter matado o secretário de Meio Ambiente daquele município, Osmar Luna Peixoto no dia 10 setembro de 2007. O acusado está preso desde agosto deste ano em Imperatriz (MA).

Seriam os mandantes deste crime o ex-prefeito de São Pedro da Água Branca-MA, Idelzio Gonçalves de Oliveira, o “Juca” e a ex-esposa dele Edilane Pereira do Nascimento. O militar foi preso quando estava no quartel de Rondon do Pará.

Segundo a delegada Nilmar da Gama, houve um desentendimento político entre Juca e Osmar. No decorrer das investigações, ela constatou que Juca e a mulher dele planejaram a morte de Osmar. A vítima não concordava com alguns atos administrativos e deixou o cargo durante um churrasco que no dia 9 de setembro em São Pedro da Água Branca e naquela ocasião teceu duras críticas ao prefeito. O crime foi no dia seguinte a esse churrasco, quando Osmar Luna estava na casa de uma amante dele, no bairro Nova Imperatriz.

De acordo com as investigações o cabo Aleixo foi contratado por R$ 20 mil para matar o ex-secretario cujo montante seria pago pelo ex-vereador Edmar Ferreira de Sousa, o Edmar Medrado, amigo de Juca.

Edmar Medrado teria contratado o sobrinho dele de prenome Jailson para levar o cabo Aleixo até a casa de Osmar em São Pedro da Água Branca e que ele deveria ser morto antes do almoço, mas Jailson que conduzia a moto com medo desistiu da empreitada.

No dia seguinte, porém Osmar Luna foi morto na casa da amante quando tentava colocar o carro dele na garagem em Imperatriz-MA. Logo em seguida, o Edimar Medrado e o sobrinho Jailson foram mortos provavelmente por queima de arquivo. (Diário do Pará)