Segunda-feira, 12/04/2010, 09:49h

Cestaria: trançados com a marca indígena

Gurumã, tururi, jupati, miriti, cipó titica e tucumã são nomes indígenas dados a algumas fibras naturais da Amazônia que dão forma à arte da cestaria paraense. Numa magia de trançados de talas e pinturas, num instante os artesãos fazem surgir belas cestas, peneiras, leques, bolsas e outros adereços usados na decoração de ambientes, como utensílios de cozinhas e até mesmo como acessórios da moda. Artesanato muito popular na região, as técnicas da feitura de cestos são passadas de gerações a gerações de artesãos, sobretudo os que vivem ou têm origens no interior do Estado.

A tradição de trançar fibras foi herdada dos índios, nossos primeiros habitantes, e está impregnada em quase todos os municípios do Pará. A produção de maior destaque está situada em Santarém, na região do Médio Amazonas, origem de outra cultura indígena muito peculiar: a cerâmica tapajônica. O local abriga polos de fabricação artesanal de cestaria, além de lojas que exportam os produtos para todo o Brasil e para o mundo. Se você for passear em lojas de artesanato de Copacabana, no Rio de Janeiro, certamente encontrará um objeto dessa arte. Se estiver em Nova York, é capaz que se depare com um produto desse em algum estabelecimento de venda de artigos decorativos.

Mas, antes de tomar forma nesses belos objetos, o trabalho da cestaria começa com a extração das matérias-primas nas árvores de origem. No caso da fibra da palmeira de tucumã, uma fruta muito consumida na Amazônia, passa pelo processo de secagem até tornar-se a palha, da qual são confeccionados os objetos. No caso dessa matéria-prima, ela é usada para criar chapéus de diversos tipos e até mesmo jogos de refeição. O que vale mesmo é a criatividade do trançado e dos detalhes finais. A coloração das fibras, por exemplo, pode dar forma a desenhos e traçados que representam a cultura tapajônica e marajoara.

O patchuli, fibra perfumada que é um dos símbolos mais marcantes da cultura paraense, é usada para composição de leques e ventarolas. A delicadeza das peças são altamente atrativas porque ainda ganham ornamentos com bordados feitos à mão, fitas coloridas e arremates de tecido, além da plumagem, outra tradição dos povos indígenas do médio e baixo amazonas.

Outras fibras muito usadas na cestaria são a juta, o jupati e o tururi. A primeira, ao contrário do que se possa pensar, tem origem japonesa e não amazônica. Foi introduzida no Pará

através dos colonos nipônicos. Completamente adaptada ao nosso clima, esta fibra é retirada dos caules e das hastes das árvores. Daí são cortadas e maceradas em água por vários dias com a finalidade de facilitar a separação das fibras, as quais absorvem facilmente qualquer tipo de tintura. O resultado do artesanato feito com esse material são peças multicoloridas e bonitas aos olhos de quem aprecia artesanato.

Sabe aqueles chapéus usados pelos ribeirinhos da amazônia e as coberturas de garrafas, sobretudo as de água ardente? Pois é. São fabricados com o jupati, uma palmeira baixa e de folhas compridas. Com suas talas mais grossas dá para fazer os tradicionais cestos baianos, usados como depósitos de roupas e outros objetos. Já o tururi é muito usado para confeccionar vestimentas étnicas paraenses como shorts, saias, sutiãs de cuia, além de sacolas e bolsas. A fibra tem utilidade importante na navegação ribeirinha, sendo utilizada para calafetar embarcações e ainda fazer a cobertura de palhoças.



Alcance para além do Estado

A capital paraense é um grande centro de venda da cestaria regional. O principal ponto de comercialização é a maior feira aberta da América Latina: o Ver-o-Peso. É lá que está localizada a barraca de José Corrêa da Silva, conhecido como José do Cipó, 50 anos de idade e 20 dedicados ao artesanato. Compra as cestarias de uma pequena vila de artesãos no município de

Acará e as revende. “Meus clientes são outros artesãos. A maior saída são as cestas e as peneiras utilizadas como embalagens para presentes e brindes como bombons de chocolate e ovos de páscoa”, diz.

Segundo ele, o negócio é rentável. “Quando entrei nesse ramo havia deixado o trabalho na construção civil. Peguei a indenização e montei a barraca ao lado do comércio do meu irmão mais velho, Raimundo, que há muito tempo vende produtos de fibra. Consegui criar meus três, comprei minha casa e até hoje vivo dessa atividade”, afirma José do Cipó. Ele revela ainda que faz entregas de cestas para Manaus (AM), Boa Vista (RR) e outros municípios próximos à Venezuela. “Nesses lugares não existem alguns tipos de fibras, somente encontradas aqui no Pará”.



Por que se orgulhar?

A cestaria paraense é uma atividade artesanal herdada dos nossos ancestrais indígenas. A técnica usada na sua confecção é passada de geração a geração, através do uso de fibras de árvores nativas da Amazônia. Além de valorizar a nossa cultura, a cestaria ainda fortalece a nossa economia, gerando renda e emprego a artesãos e comerciantes do Pará.

Acesse aqui o blog do Orgulho do Pará. Notícias, informações e bastidores da campanha.

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Diário, Orgulho de ser do Pará - Trailer 1
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