Domingo, 22/11/2009, 17:51h

Pará viaja através do mundo dos quadrinhos

 

 Joe Bennet, quadrinhista paraense que faz sucesso na Europa (Thiago Araújo)

 

 

Peter Parker, sob a identidade Spiderman (Homem-Aranha), atravessa Nova Iorque entre arranha-céus de dezenas de metros de altura enquanto luta contra Octopus e Duende Verde, dois de seus maiores inimigos. O quadrinhista da história dá uma pausa no trabalho e bebe um copo d`água entre lápis, lapiseiras, borrachas e folhas de papel. A cena acontece dentro de um envidraçado e gélido ateliê da Marvel Comics, em Nova Iorque, e tem como astro um desenhista com trejeitos e sotaque carregado do Greenwich Village, certo?

Benedito Nascimento, ou Joe Bennett, paraense que até hoje vive no estado, é o protagonista da ação acima que, no entanto, acontece em sua casa, no município de Ananindeua. Por esse motivo, Bené, ao lado Miguel Imbiriba, Julia Bax e Otoniel Oliveira, é motivo mais que suficiente para se ter orgulho de ser do Pará.

“Tento trazer o Pará para o meu traço”, diz ele, que começou a carreira copiando os traços dos heróis da Marvel Comics, nos anos 70, e que duas décadas depois já trabalhava na famosa editora. Certa vez, ao ser solicitado a fazer o desenho de uma praia brasileira, reproduziu o Atalaia, em Salinópolis. Outro trabalho com temática local foi o Esquadrão Amazônia, criado há dez anos, sob encomenda, para uma operadora de telefonia celular de Belém.

“Tenho grande orgulho de ser paraense mas, infelizmente, nunca fiz uma exposição de meus trabalhos aqui, enquanto isso já aconteceu em São Paulo, Curitiba e até nos EUA”, ressalta Bené, que em 2010 pretende abrir uma escola em Belém, inicialmente voltada para a arte dos quadrinhos. “Quem sabe no futuro não enveredamos para algo relacionado a desenhos para o cinema?”.   

 

Uma das criações de Joe Bennett

 

 

 

 

 

Explorando o jeito paraense

 

Direto de Paris para o DIÁRIO, Miguel Imbiriba, nascido em São Paulo, mas paraense em todos os sentidos, trabalha na editora Dargaud, onde faz a adaptação de “Le Dernier Templeir”, inspirado no best-seller “O Último Templário”, de Raymond Khoury, e paralelamente desenvolve uma série de histórias amazônicas, ainda sem data para publicar. “É dessa forma que tento explorar meu lado paraense, a minha ‘caboquice’”, brinca ele, ao se referir carinhosamente ao Pará.

“Sou paraense não por escolha, mas porque foi em Belém que aprendi a amar e ser amado”, acrescenta o autor, em parceria com Andrei Miralha, da versão em quadrinhos de “Galvez, o Imperador do Acre”, livro de Márcio Souza. Um de seus sonhos é um dia ver paraenses fazendo quadrinhos com a nossa temática, em larga escala, e para paraenses. “Se isso fosse possível, as pessoas não teriam que se exilar em outro país como eu”, completa.

 “Toda a minha família é paraense. Sou o que sou por todas as experiências e lugares onde passei; e inclusive, também, tenho orgulho de ter essa raiz amazônica. Adoro especialmente o sotaque paraense (apesar de não o ter) e as comidas regionais”, diz Júlia Bax, que nasceu em Belém, depois foi morar em São Paulo e hoje está em Paris. Em 2006, ela recebeu o troféu HQ Mix, o mais importante dos quadrinhos brasileiros, como desenhista revelação, além de um prêmio de criação de personagens para o público infantil, organizado pelo IMAF da Inglaterra, em 2005.

 

Júlia Bax cita com orgulho uma história de três páginas que desenhou, pintou e escreveu para o "MSP 50 - Maurício de Souza por 50 Artistas", álbum comemorativo dos 50 anos de carreira do desenhista. Desenhou ainda um “one shot”, escrito por Joe Casey, para a Boom Studios e uma minissérie em três edições chamada Planetary Brigade. O blog da artista (www.juliabax.blogspot.com) traz mais trabalhos importantes de sua carreira.

 

 

 

Otoniel Oliveira exibe o  

 

 Após esse giro pelo Velho Continente, os traços retornam a Belém, onde também mora e trabalha Otoniel Oliveira, macapaense com alma paraoara. Em seu portifólio destacam-se as graphic novels “Belém Imaginária” e “Encantarias”. “Como não conheço Nova Iorque e nossa realidade está distante dos super-heróis americanos, priorizo a criação de histórias que tenham a ver conosco, que a gente conheça e que faltam ser explorados com maior profundidade”, diz Otoniel, que também fez parte do álbum MSP 50.

 Quando fala de Maurício de Souza, lembra de algo marcante dito pelo criador da Mônica durante a XIII Feira Pan-Amazônica do Livro: Belém tem quadrinhistas que não deixam a desejar aos melhores do Rio e São Paulo. “Mas acho que faltam aqui editoras que publiquem e distribuam nossa produção em todo Brasil”, confirma ele.

 

 

Por que se orgulhar?

 

Os quadrinhistas Bené Nascimento, Miguel Imbiriba, Júlia Bax e Otoniel Oliveira são reconhecidos nacional e internacionalmente pela qualidade de seus desenhos. No caso de Bené, Miguel e Júlia, os norte-americanos e europeus já se deliciaram com a ação dos roteiros de, por exemplo, Thor e Homem-Aranha, traduzidos em imagens. Já Otoniel é sempre citado por valorizar a nossa história, através de “Belém Imaginária” e “Encantarias” e “Pretérito Mais que Perfeito”. São quatro nomes de peso no fechado e competitivo mercado das HQs.

 

INFOGRÁFICO

Quadrinhos com sotaque paraoara

The Amazing Spiderman – Bené Nascimento começou a copiar os traços do Homem-Aranha ainda na infância. Tanto treinou que no começo dos anos 90 acabou ingressando na Marvel Comics dos EUA e passou a desenhar, profissionalmente, o herói. Também já desenhou histórias do Capitão América, Thor e Teen Titans.

 

Galvez, o Imperador do Acre – ambientada no cômico romance que conta a tentativa do jornalista espanhol Luiz Galvez Rodrigues de Arias de proclamar a independência do Acre em relação à Bolívia, a versão em quadrinhos foi lançada há cinco anos, com desenhos de Miguel Imbiriba, que agora trabalha na adaptação para os quadrinhos de “O Último Templário”.

 

MSP 50 – a quadrinhista Julia Bacellar, também conhecida como Júlia Bax, foi uma das desenhistas escolhidas para homenagear Maurício de Souza, no álbum MSP 50. Ela desenhou, pintou, com estilo próprio, e escreveu uma história de três páginas, onde aparecem os personagens Cebolinha, Chico Bento e Louco.

 

“Belém Imaginária” e “Encantarias” – quadrinhos que abordam, com boa dose de conhecimento, os mitos do norte do Brasil. Otoniel Oliveira também liderou o projeto “Pretérito Mais que Perfeito”, lançado em 2008 e que é um conto sobre a Belém que vai do final do século XIX e chega até o final do século XXI. A curiosidade é que a ação se passa a partir de um banco da Praça da República, no centro da cidade.

 

Sérgio Augusto

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