Domingo, 26/02/2012, 07:31h

Viva a cozinha paraense!

Ao adentrar a feira livre que é considerada a maior da América Latina, o cheiro que exala das ervas não é só o das usadas nos banhos. Mais ao fundo, quando as barracas do Ver-o-Peso já fazem fronteira com a ‘orla’ da Baía do Guajará, o que impressiona o sentido do olfato é o aroma fresco e verde retirado da terra. Em um pequeno tabuleiro, tucupi, pimenta malagueta, pimenta-de-cheiro, chicória, cebolinha, alfavaca. Tudo o que é necessário para dar o gosto paraense ao que se põe à mesa. É o “Pará de Todos os Gostos, de Todos os Sabores”.

Apresentado e revisitado pelas páginas do DIÁRIO através de sua gente e de sua literatura, a partir do próximo domingo, o Pará poderá ser degustado através da quarta fase do projeto ‘Orgulho de Ser do Pará’. Evidenciando a culinária ímpar e repleta de sentido que se construiu ao longo dos anos nesta região, os cinco fascículos trarão ao leitor não apenas os pratos que alimentam, mas também uma parte da história e da cultura de um povo.

Segundo o diretor geral do Grupo RBA, Camilo Centeno, o projeto começou com a ideia de buscar a valorização da cultura paraense. “Apresentar uma campanha valorizando a grande riqueza da cultura paraense e fazer o próprio paraense conhecer mais de perto as riquezas ainda não conhecidas, por isso o projeto cresceu tanto, porque pensamos naquilo que há de melhor na região”, explica Camilo. Na primeira fase, o “Pará de Todas as Cores, de Todas as Crenças” deu início ao grande projeto que buscou mostrar a variedade que o Pará tem e é. Já na segunda fase, o “Pará de Todos os Versos, de Todas as Prosas” mostrou os trabalhos dos autores paraenses, dentro de uma literatura pouco conhecida pela grande maioria. O leitor teve a oportunidade de conhecer mais de perto a literatura paraense. A terceira fase do projeto, o “Pará de Todos os Gostos, de Todos os Sabores”, leva até o leitor uma grande porção dos mais variados tipos da culinária paraense.

De acordo com o historiador Aldrin Figueiredo, na culinária paraense encontram-se misturadas a cultura dos povos indígenas que aqui habitavam antes do período da colonização, a dos portugueses responsáveis pela colonização desta região e, em alguns casos, a africana dos escravos trazidos ao Brasil para servir aos colonizadores. “Todos os pratos têm sua história. Temos uma culinária muito específica”.

Essa especificidade, segundo o historiador, é a síntese, o símbolo da culinária realizada no Estado. Para ele, as comidas típicas desenvolvidas aqui são, antes de tudo, integrantes da identidade do paraense. “A culinária paraense é tida como autêntica porque faz uso, ainda hoje, dos ingredientes que eram usados originalmente pelos índios”.

Porção iniciante do processo que leva à construção de pratos como o tacacá, o pato no tucupi, a maniçoba, os ingredientes paraenses são essência. Expostos sob barracas ou sob balcões de supermercado, chamam a atenção nem tanto pelo formato, parecidos em muitos casos, mas pelos sentidos despertos ao simples estalar de uma folha que se quebra. Ainda puro, o aroma é responsável por transportar quem o sente à mistura rica que dá origem à culinária paraense.

Assunto do segundo fascículo da fase “Pará de Todos os Gostos, de Todos os Sabores”, para o aposentado Anselmo Ribeiro, os condimentos são 90% do sabor. Originalmente paraense, como faz questão de evidenciar, o ex-militar dá um toque de Pará e tudo o que ele cozinha. Obrigatórios nos pratos típicos, para Anselmo, também são essenciais nos frangos e peixes do dia a dia. “Essa pimenta moída na hora tem um efeito... A pimenta-do-reino tem história. Pra fazer o que ela faz, só ela!”.

Na sacola de temperos para o almoço da semana, se misturam cominho, cheiro-verde, pimentas e chicória. Separadas em ramos ou em pequenos saquinhos coloridos, as ervas e verduras ainda trazem o frescor da água salpicada com cuidado nas bancadas de cada feirante. Com os produtos em mãos, escolhidos por primeiro durante o processo da compra, Anselmo já se sentia à vontade para buscar o que seria temperado por eles. “Aí eu tô servido para ficar à vontade”.

À vontade com os condimentos também está o feirante José Macêdo. Há mais de 30 anos, seus dias de trabalho são regados pelo aroma das folhas paraenses e raízes paraenses. Do que vende, tudo tem destino certo. “Para fazer bolo, botar no cozido, comer frita ou com café. Comida não falta para fazer com ela”, ensina, ao apresentar aos clientes a qualidade da macaxeira que descansa sob o tabuleiro.

Também acostumado a lidar com pimentas e folhas, o xará e colega de profissão de José Macêdo, o José Ribamar, não vê a hora de ‘conviver’ com os condimentos do dia a dia também nas páginas do DIÁRIO. Para ele, toda a riqueza que representa a culinária paraense precisa ser valorizada não só pelos clientes que vão todos os dias à feira, mas por todos que moram no Pará ou que vêm conhecer o Estado. “Isso aqui é o regional, é o que nós temos de riqueza no dia a dia. Se não tiver essas coisas, faz é complicar”, acredita. “A nossa chicória tem um sabor sem igual. Já com a pimenta, tem gente que se dá com a malagueta, eu me dou com a de cheiro”. 2009 O DIÁRIO lança, em 25 de outubro, o projeto Orgulho de Ser do Pará. O objetivo era mostrar as belezas, riquezas, cores, cheiros e histórias do estado, bem como os aspectos considerados “incompreendidos” e que dificilmente apareciam na mídia convencional. A ideia era “contrapor”, segundo palavras do diretor-presidente do jornal, Jader Filho, aos fatos negativos, o lado “positivo de ser paraense”.

2010 Entre janeiro e maio, quando terminou a primeira fase do projeto, os veículos do Grupo RBA divulgaram, diariamente, matérias que valorizavam os melhores e mais ricos aspectos da cultura paraense, além de personagens da literatura, esporte, música, ciência e diversas outras áreas do conhecimento.

2011 No primeiro semestre, os povos que ajudaram a formar o ser paraense tiveram sua história contada pelos descendentes, já “paraenses legítimos”. Em seguida, o projeto presenteou os leitores com fascículos especiais sobre Lendas, Religião, Fauna, Flora e Dança. No último trimestre do ano, algumas das obras mais representativas de nomes como Ruy Barata, Dalcídio Jurandir e Bruno de Menezes foram publicadas dentro da nova etapa do projeto.

2012 Na quarta etapa do projeto, lançada hoje, o destaque é para a gastronomia e os deliciosos sabores da culinária paraense.Serão 5 os fascículos, entre 04/03 e 01/04.

QUARTA FASE - GASTRONOMIA

A 4ª fase do projeto Orgulho de Ser do Pará lançada hoje pelo DIÁRIO tem como tema “Pará de todos os Gostos, de todos os Sabores”. Do próximo domingo, 04/03, ao dia 01/04, cinco fascículos especiais serão publicados. (Diário do Pará)

OS TEMAS

1 - O tacacá;

2 - Condimentos e cozinha marajoara;

3 - Maniçoba e gastronomia do Baixo Amazonas;

4 - Doces e frutas; e

5 - Pato no tucupi, caranguejo e a cozinha da Região do Salgado

FEIRA DE GASTRONOMIA

A Feira Gastronômica do projeto será realizada dia 31/03 no Pátio Belém.

PARCEIROS

Esamaz; Vale; Vivo; Celpa; Banco da Amazônia; Governo do Estado; Unimed e Cerpa.

Acesse aqui o blog do Orgulho do Pará. Notícias, informações e bastidores da campanha.

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Diário, Orgulho de ser do Pará - Trailer 1
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