A Pixar Animation Studios consegue se superar a cada ano. Eis a receita: talento, paixão e magia. Se você se emocionou com “Wall-E”, vai gostar ainda mais de “Up”. Uma história sobre o significado de "viver".

Poster de "Up - Altas Aventuras"
Depois da linda história do robô que se tornou a última esperança “humana” da Terra, a Pixar traz ao público uma história simples, bonita e longe dos parâmetros da maioria das superproduções atuais. “Up – Altas Aventuras” mostra a história de um velho amargurado, que tem seu espírito renovado por um garoto de apenas oito anos.
Um velho e um garoto? Não é o tipo de parceiria que assistimos todos os dias. Mas e daí?

Russel e Carl, a dupla mais improvável do cinema
Por quase 10 minutos, acompanhamos a vida de Carl Fredricksen. E como se aquele fosse o seu último momento, como se não houvesse tempo para as palavras, surge uma seqüência de imagens e pequenas histórias que mostram como o pequeno Carl cresceu, amou, viveu, casou-se e depois de uma longa vida feliz, ficou só. Amargurado. Esperando o fim.

Carl num momento de felicidade com sua esposa Ellie
Carl não conseguia mais pensar em futuro e sua vida era uma rotina divida entre as lembranças da mulher que tanto amou, seus sonhos nunca realizados e a casa que tem um significado especial em sua vida. No entanto, do lado de fora, a vida continuou e a cidade começou a rejeitar o idoso e sua colorida casa, que estava atrapalhando o “progresso” urbano do bairro.
Há muitos anos, Carl foi um vendedor de balões sonhador. Com o tempo, os balões e os sonhos se foram, mas é claro, que o destino – ou escolhas – surge em momentos inacreditáveis.
Um dia... Um escoteiro gordinho, de apenas oito anos bate à sua porta “Olá! O meu nome é Russel! O senhor precisa de alguma ajuda?”. O escoteiro queria ajudar; o velho queria ser esquecido. Forças opostas que rendem risadas e momentos comoventes.

O cão falante Doug, a ave misteriosa, Russel e Carl
Depois de uma série de acontecimentos, o velhinho decide sair numa jornada fugindo de sua amargura, tentando recuperar os sonhos, numa casa voadora cheia de balões coloridos. Ele sai em busca das terras perdidas na América do Sul, de sua promessa feita à Ellie (sua esposa), e para mostrar a Russel o que é uma aventura de verdade.

Emocionante: Carl levanto voô com sua casa suspensa por balões
Não há momento nesta animação em que o espectador não reflita sobre o que é “viver”. Que tempo temos reservado para isso? Carl precisou décadas para realizar um sonho de infância, para aprender que a vida continua até o seu último suspiro. E nós? Ir ao cinema, ouvir uma música, tocar uma música ou viver uma aventura. Pequenas ou grandes coisas, não importa. Todas essas idéias fazem parte de nós.
“Up” é uma animação bela pelos detalhes, rica por causa das histórias e comovente por tocar o coração de quem assiste. Acredito que esse é uma dos grandes desafios de hoje: utilizar a tecnologia disponível atualmente, sem parecer artificial e ao mesmo tempo, tocar o público com a mesma magia que antigas animações Disney, ou o cinema, conseguiu há 40 anos.

Curiosidades:
>> Chico Anysio foi o dublador do personagem Carl Fredricksen e conseguiu deixar o personagem ainda mais cativante. As feições de Carl e Chico são muito próximas, e até mesmo a vida dos dois, já que o comediante vive, atualmente, uma fase injusta de ostracismo em relação a TV brasileira. Talvez as histórias de Carl e Chico Anysio tenham algum paralelo.
>> As feições do personagens foram projetadas de maneira simples, porém, elas escondem uma série de informações interessantes: o garoto Russel tem um rosto redondo e uma atitude cheia de coragem, enquanto Carl possui um rosto quadrado e desde a sua infância vive de maneira comedida.
>> As cores ditam o ritmo da aventura, assim com os balões que deslumbram os espectadores até mesmo o tom evelhecido do álbum de fotografia de Carl e Ellie.
"Up" ainda está em cartaz em Belém, e não adianta querer assistir a versão "pirata", pois a qualidade chega a ser ridícula se comparada à sensação de assistir ao filme no cinema. Aproveite, pois o filme já está há um mês em cartaz - quase se despedindo - e as salas não estão mais lotadas. E lembrem-se do velho ditado: "Cinema é a maior diversão!"
Até a próxima!
Visite o blog 100Grana para ficar atualizado sobre as noticias do universo da cultura pop e mande sugestões para o email 100grana.com@gmail.com.
>> Por Diego Andrade - repórter do Diário Online, e editor do blog paraense 100Grana.
