Quarta-feira, 14/07/2010, 11h39

Enquanto a maioria dos pais se preocupa com o lazer dos filhos durante o mês de julho, médicos alertam para os perigos que podem rondar aescola durante a volta às aulas. Entre eles doenças como a varicela(catapora), que atinge cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo 3 milhões no Brasil e 120 mil no Pará. Embora sua incidência ocorra durante o ano todo, a maior prevalência, segundo infectologistas, se dá após as férias, o que pede atenção de pais e gestores escolares para que adotem medidas simples de prevenção.
Ocasionada pelo vírus varicela-zoster, a catapora atinge principalmente crianças e adolescentes, adultos jovens, idosos egrávidas. Aliás, mulheres em qualquer idade gestacional são o grupomais vulnerável à doença, já que estão mais sujeitas às complicações, onde o quadro pode evoluir para a morte.
De acordo com o infectologista Newton Bellesi, 90% das crianças têm catapora até os 10 anos de idade. Daí, a preocupação com a volta às aulas, já que trata-se de uma época em que os pequenos visitam muitos lugares, têm contato com muitas pessoas e acabam se tornando alvo fácil do vírus. "A varicela é uma doença que ocorre durante todo o ano com maior prevalência nos meses em que os estudantes retornam das férias, no início das aulas. Em escolas e hospitais, podem ocorrer surtos como o que foi observado na Santa Casa há uns três anos, quando muitas crianças e adultos foram acometidos ao mesmo tempo, inclusive profissionais de saúde", lembra.
O infectologista explica que o zoster, zona ou cobreiro, é outra doença ocasionada pelo mesmo vírus. Trata-se de uma doença desagradável que atinge a maioria das pessoas idosas, mas que também pode atingir crianças, adolescentes e adultos. "Uma vez infectado, o indivíduo permanece a vida toda com o vírus varicela-zoster no organismo. A resposta imune não permite que o vírus produza doença, mas quando a imunidade cai, a força relativa do vírus passa a ser maior que a do organismo, manifestando-se a doença como uma erupção cutânea localizada num dos lados do corpo geralmente acompanhada de nevralgia, que pode persistir durante vários anos", alerta o médico. A baixa imunidade é a porta de entrada para a varicela, como afirma o doutor Newton Bellesi.
Vacinação é o meio mais eficaz de combate
Entre os cuidados que pais e donos de escolas devem tomar, segundo Newton Bellesi, está a vacinação como principal fator de prevenção. "A vacinação é segura e confortável. Eventos adversos (reações) são raros e, em geral, muito brandos. As férias constituem-se um ótimo período para a atualização da vacinação contra varicela", aconselha.
Na rede pública, a vacina contra a varicela pode ser encontrada, segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), nos dois Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), que mantêm disponíveis as doses contra catapora. De acordo com a Sespa, a vacina só está disponíveis através do Sistema Único de Saúde (SUS) em situações especiais como surtos da doença, como profissionais de saúde, pessoas e familiares que estejam em convívio domiciliar ou hospitalar com pacientes, pacientes sujeitos a sessões de quimioterapia, portadores de HIV/Aids, pessoas que serão submetidas a transplante de órgãos, indígenas e pessoas imunocomprometidas, como aquelas que têm leucemia linfocítica aguda.
Em Belém, os CRIE funcionam no Hospital Ofir Loyola e na Fundação Santa Casa de Misericórdia. De acordo com a Sespa, para ter acesso à vacina, os pacientes devem ser referenciados para tomar a dose. Ou seja, devem ser encaminhados pelo especialista.
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