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Pará
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Sexta-feira, 09/07/2010, 10h40

Exploração ilegal de madeira continua

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A promotora de Justiça Ana Maria Magalhães de Carvalho, da Promotoria Agrária da 1ª Região, com sede em Castanhal, encaminhou ao Núcleo de Meio Ambiente do Ministério Público do Estado denúncia por ela recebida no início desta semana sobre a exploração ilegal de mogno no município de Moju. A atividade clandestina estaria ocorrendo, segundo lhe foi informado, no alto rio Carari.

“Um homem chamado Diógenes Iveus está comprando mogno que provém de uma área de floresta densa, no município do Moju, onde no passado existiu uma aldeia indígena. Os carregamentos de mogno estão sendo vendidos para madeireiros de Tailândia”, afirmou a promotora Ana Maria Magalhães no expediente encaminhado ao promotor de Justiça Raimundo Moraes, coordenador do Núcleo de Meio Ambiente do MPE.

De acordo com o relato de Ana Maria Magalhães, as toras saem do alto rio Carari, passam pela Fazenda Santa Marta, margeiam a vila do Incra - um assentamento vizinho à Santa Marta -, através do ramal do Badarote, e tomam a rodovia PA-150, segundo ela sem serem importunados pela polícia. “Durante a noite, essas toras são deixadas nas serrarias de Tailândia”, acrescentou.

Os caminhões carregados entram à noite na cidade e vão deixar as toras nas serra-

rias sem nenhum embaraço, segundo a promotora, apesar de estarem na cidade de Tailândia, já há vários meses, numerosos contingentes da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança. Nem isso, porém, é suficiente para inibir a ação dos madeireiros que agem na clandestinidade. “Quando entram com os caminhões carregados na cidade, eles já não tomam mais sequer o cuidado de evitar que sejam vistos”, aduziu.

A Fazenda Santa Marta, citada por Ana Maria Magalhães, é uma propriedade situada a apenas 20 km de Tailândia. Ela abrigou um dos primeiros projetos de manejo do Pará certificados com o selo verde internacional. Invadida em 2006 por sem-toras comandados pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), porém, a fazenda teve totalmente devastados 16 mil hectares de floresta nativa, numa das maiores tragédias ambientais já ocorridas até hoje na Amazônia. Toda a madeira retirada da Santa Marta foi comercializada clandestinamente nas serrarias de Tailândia e de outros municípios da região.

A promotora faz referência à anarquia que historicamente envolve a atividade madeireira naquele município e comenta, com fina ironia, a verdadeira operação de guerra montada em Tailândia com a presença ostensiva de tropas federais, mas sem nenhum resultado prático conhecido na repressão ao crime. “Durante o dia, os céus de Tailândia são cruzados por aviões e helicópteros. À noite, enquanto a polícia descansa de suas missões, nas quais nada vê, os madeireiros se aproveitam para receber o mogno descaradamente”, alfinetou.

Empresários com negócios em Tailândia endossam plenamente a denúncia da promotora, confirmando que a extração ilegal e a comercialização clandestina de madeira continuam sendo praticadas intensamente naquele município. Eles só acham que há engano no que diz respeito ao mogno, espécie cuja comercia-

lização está proibida por lei há mais de dez anos. “Em toda esta região não existe um só pé de mogno. Por isso eu acredito que alguém tenha passado à promotora uma informação equivocada”, afirmou ontem um empresário rural de Tailândia, ouvido por telefone. (Diário do Pará)

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