Quinta-feira, 08/07/2010, 08h21
2010 tem tudo para marcar de forma positiva a trajetória artística da cantora paraense Leila Pinheiro. Aos 50 anos de idade, ela celebra seus 30 anos de carreira com o lançamento do CD “Meu Segredo Mais Sincero”, em homenagem ao eterno líder da Legião Urbana, Renato Russo (1960-1996), que também completaria 50 anos.
Quem acompanha a carreira de Leila Pinheiro sabe que a admiração da cantora por Renato Russo não vem de hoje. Já em 1988, ela incluiu uma versão de “Tempo Perdido” em seu terceiro álbum, intitulado “Alma”. Em 1993, Leila viria a gravar com ele o dueto “Hoje”, lançado três anos depois no álbum “Nos Horizontes do Mundo”.
“Meu Segredo Mais Sincero”, 16º disco de Leila, terá show de lançamento no segundo semestre. No entanto, a cantora deve mostrar um pouco deste trabalho na apresentação que faz hoje à noite em Belém. “O show será uma síntese dos meus 30 anos de carreira, mas se eu sentir que há espaço para alguma canção da Legião que eu tenha gravado, tocarei sozinha ao piano”, diz ela.
O show, que marca o lançamento da revista Latitude, do Hangar Centro de Convenções, será apenas para convidados, mas DIÁRIO aproveitou a passagem da artista pela cidade para um bate-papo.
P: O seu envolvimento com a poesia de Renato Russo já vem de longa data – inclusive você já gravou algumas versões de músicas dele. Mas por que lançar um CD inteiramente dedicado a ele?
R: Tive vontade de homenageá- lo no ano em que ele completaria 50 anos. Renato é o maior expoente do pop rock nacional e o maior poeta/letrista da minha geração. Somos parceiros na música “Hoje”, feita em 1994. Fora tudo isso,tem sido muito mais interessante dedicar meu trabalho a um único compositor, como já fiz com Guinga, Ivan Lins, Gonzaguinha e Eduardo Gudin, do que enlouquecer procurando 15 canções inéditas que tenham sentido juntas e que me estimulem a gravá-las. Tem sido cada vez mais difícil esta última opção.
P: Renato Russo era um compositor muito denso, que apresentou várias facetas no decorrer de sua carreira: foi doce, raivoso, político, visionário. Ao escolher as músicas, você teve a preocupação de seguir uma linha específica? Essa multiplicidade artística do Renato ajuda ou atrapalha na escolha de um repertório?
R: Mergulhei profundamente na obra do Renato e da Legião Urbana. Nada foi mais importante do que conseguir oferecer ao meu público, especialmente e também,ao público da Legião, um novo olhar, um novo frescor a canções tão conhecidas. Tive que encontrar a minha emoção dentro desse universo musical infinitamente simples se comparado ao que vivo mergulhada há 30 anos. Nem tudo fez sentido e, assim, eu descartava. Mas as letras, meu maior foco, todas me interessam. Fiz minhas escolhas e gostei do resultado.
P: Como foi a resposta dos membros remanescentes da Legião Urbana em relação ao disco?
R: Convidei o Dado Villa- Lobos, guitarrista da Legião, para ir ao meu estúdio ouvir o disco,e ali fiz o convite para que ele tocasse em duas faixas. Ele gostou muito do disco e eu adoro as guitarras dele comigo. Foi muito tranquilo e sincero o nosso encontro. Marcelo Bonfá, baterista da Legião, foi ao meu estúdio ouvir o CD pronto e me disse estar emocionado e surpreendido com os novos arranjos para as suas músicas. Foi muito querido comigo!
P: Em algum momento você tratou diretamente do projeto com a família do cantor? O que eles acharam da homenagem?
R: Falei com Carmem Teresa, irmã do Renato, e disse que ia gravar um CD inteiro com as músicas dele.Ela sabe da minha ligação com a obra dele, sabe que fomos parceiros e me disse que ficava feliz com isso. Ela e a mãe do Renato (dona Carmem) assistiram ao show deste trabalho, que já apresentei em Brasília, no final de abril passado. Ambas me abraçaram forte e emocionadas no camarim, depois do show. Para mim, foi o abraço do Renato.
P: Quais são suas impressões a respeito de Renato Russo? O que você sente mais falta dele?
R: Não conheci Renato profundamente para poder falar da pessoa. Não chegamos a ser amigos. Fomos parceiros numa canção, estivemos juntos umas três vezes apenas, e nos falávamos sempre pelo telefone. Renato faz muita falta pelo grande artista que foi.Um pensador, um homem inteligente, culto, inquieto, provocador, ousado. Foi um grande criador. Não encontramos tanto talento assim com facilidade no mundo hoje, infelizmente. Mas a obra dele o eterniza, e isso é um grande alento. (Diário do Pará)
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