Quarta-feira, 07/07/2010, 09h51
Sete mortos, mais de 20 feridos e quatro internados em estado de coma. Esse é o resultado do grave acidente que ocorreu na tarde da última segunda-feira, no interior da empresa Itaituba Indústria de Cimento do Pará S/A (Itacimpasa), localizada às margens da rodovia Transamazônica, a 34 quilômetros da cidade de Itaituba, oeste do Pará.
De acordo com o Corpo de Bombeiros daquele município, era por volta de 14h30 quando parte de uma construção onde trabalhavam cerca de 30 operários desabou de uma altura de 30 metros, matando seis pes-
soas instantaneamente. A empresa Itacimpasa (antiga Caima), que atua na fabricação de cimento, estava sendo ampliada, o que justifica a obra.
No momento do acidente, segundo relato do operário Salomão da Cruz Borges, uma das vítimas, parte da obra caiu sobre outros trabalhadores que estavam embaixo, esmagando-os. Homens do Corpo de Bombeiros que atuaram no resgate das vítimas contam que uma estrutura de aproximadamente seis toneladas desabou sobre os operários. Por telefone, o sargento Wilson Silva, do Corpo de Bombeiros, informou que o trabalho de resgate contou com o apoio decisivo da Polícia Militar e do Exército, bem como de bombeiros que estavam de folga.
Num primeiro momento todas as vítimas foram levadas para o Hospital Municipal de Itaituba, mas devido ao estado grave de alguns, ainda na noite de segunda-feira treze deles tiveram que ser trasladados de avião para os hospitais Municipal e Regional de Santarém.
Na madrugada de ontem, já no Hospital Municipal de Santarém (HMS), onde todos os 13 pacientes foram atendidos, ocorreu o óbito da sétima vítima: Laurinaldo Almeida, de 33 anos. Segundo os médicos que o atenderam, ele apresentava fraturas expostas nos membros inferiores e traumatismo craniano.
Quatro operários foram transferidos para o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), entre eles um jovem de 26 anos que apresenta múltiplas fraturas pelo corpo e uma grave lesão na coluna
vertebral.
Em entrevista coletiva concedida na manhã de ontem, o diretor técnico do Hospital Regional, João Batista, declarou que as equipes médicas daquela casa estão envidando todos os esforços no sentido de salvar as vidas dos quatro operários. Já o diretor geral do HRBA, Herbert Moresk, declarou que o hospital está preparado para receber mais vítimas do acidente, caso seja necessário.
Sobre o paciente que está em estado mais greve, os diretores informaram no final da tarde que ele foi submetido a cirurgias na coluna e noutras partes do corpo.
Entre os pacientes que foram transferidos para Santarém estão Adão Cícero Lopes de Sousa, Ismael da Conceição, Luiz Antônio Aragão, Luchard Ribeiro dos Anjos, Welton Célio da Silva e Silva, José Robson de Holanda Lima, Vandeilson de Oliveira Cabral, Salomão Cardoso Cruz Borges, Rilson do Socorro Lima de Sousa, Raimundo Vilson Matos e Laurinaldo Almeida, que faleceu. Os outros operários mortos são Antônio Carlos Santos, Silvio Cabral, Odair José de Oliveira Brás, José Catito, José Avelino e José Félix.
Parentes das vítimas informaram que todos os acidentados são funcionários da empresa MPB, uma terceirizada que trabalha na ampliação do parque industrial da Itacimpasa. Segundo o senhor João Borges, pai do operário Salomão Cruz Borges, a estrutura que desabou começou a ceder ainda pela manhã e alguns trabalhadores chegaram a comunicar o fato ao responsável pela obra, mas nenhuma providência foi tomada para evitar o acidente.
O Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil de Itaituba já anunciaram a instauração de inquérito para investigar as causas do acidente. Mas os parentes das vítimas já acreditam em falha humana e negligência por parte dos responsáveis pela obra.
>> Tragédia foi a pior já registrada no município, afirma secretário
O acidente que deixou 17 feridos e sete mortos, ocorrido na empresa Itaituba Cimentos do Pará (Itacimpasa), em Itaituba, foi o maior do gênero já registrado no município. “Nunca houve tragédia maior, pelo menos não desta natureza”, afirma o engenheiro civil e secretário municipal de Infraestrutura, Manoel Miranda.
Os operários, ligados à empresa M.P.B. Engenharia e Comércio, trabalhavam na construção de uma estrutura a cerca de 30 metros de altura, quando ela se partiu ao meio e desabou, provocando a tragédia.
Não existe um banco de dados sobre acidentes de trabalho no município, mas os registros do Corpo de Bombeiros mostram que, entre maio de 2009 e julho de 2010, 11 pessoas morreram vítimas de acidente de trabalho.
Em maio de 2009, um trabalhador morreu na 33ª Rua, no bairro Jardim Vale do Tapajós, ao despencar do telhado de uma casa em construção quando finalizava a colocação das telhas. Outra vítima morreu no mês seguinte, quando sofreu um acidente semelhante, desta vez no bairro Jardim das Araras. Já em setembro, um trabalhador foi atingido por uma viga de madeira e sofreu traumatismo craniencefálico e morreu minutos depois de dar entrada no setor de emergência do Hospital Municipal. Em maio deste ano, outro trabalhador foi eletrocutado quando fazia o reparo na fachada de uma agência bancária no centro da cidade.
Quanto ao acidente na Itacimpasa, até o momento não houve nenhuma declaração oficial por parte das empresas responsáveis, apesar de terem se comprometido em divulgar uma nota oficial informando sobre as prováveis causas do acidente.
Na manhã ontem, o delegado Alexandro Napoleão Santana montou uma equipe de policiais e foi até o local do acidente, onde foi feito um levantamento prévio, com imagens que deverão ser anexadas ao procedimento a ser instaurado pela Polícia Civil. Durante
a visita, o próprio delegado ficou impressionado com a imagem de destruição no local do acidente.
Mas ele enfatizou que as duas empresas, tanto a Itacimpasa quanto a M.P.B. Engenharia e Comércio, que empregavam os operários vitimados, estão colaborando com o trabalho da polícia, que ainda vai depender do laudo, a ser expedido por técnicos do Centro de Perícias Científicas do Instituto Renato Chaves (CPC/RC) e do Centro de Atividades Técnicas do Corpo de Bombeiros da capital. Uma equipe técnica formada por representantes desses dois órgãos chegou a Itaituba na tarde de ontem e se deslocou até a Itacimpasa para iniciar o trabalho.
>> Fiscais do trabalho irão averiguar área do acidente
Técnicos da Superintendência Regional do Trabalho seguem hoje para Itaituba para analisar o local onde aconteceu o acidente que matou sete pessoas, após o desabamento de uma plataforma.
Segundo a chefe do setor de saúde e segurança da Superintendência Regional do Trabalho, Edna Rocha, os números de acidentes de trabalho registrados no Pará são considerados elevados e preocupantes. A última estatística, realizada em 2008 no Estado, aponta que foram feitos 11.633 registros de acidentes de trabalho. “É um dado que preocupa, porque é elevado e sabemos que ainda existem os casos que não são registrados”.
Deste total de registros, conta Edna, estão inclusos os acidentes que ocorrem dentro do próprio local de trabalho, os acidentes de trajeto, doenças do trabalho e também uma média dos acidentes que não são registrados pelas empresas, mas que são verificados no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
A chefe do setor de segurança afirma que a Superintendência realiza fiscalizações, mas a partir de um planejamento dos municípios a serem visitados. “Avaliamos os que têm maior risco e maior quantidade de trabalhadores”. No setor da construção civil, as obras são fiscalizadas duas ou três vezes por ano na capital. Nos municípios do interior, no entanto, existe uma seleção restrita. “Como exige recursos (a fiscalização), temos os municípios que são eleitos para que sejam feitas as fiscalizações e fazemos apenas uma vez por ano”, explica Edna Rocha.
Segundo José Viana, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará (Crea-PA), a obra onde aconteceu o acidente estava legalizada e o órgão possui, inclusive, a Anotação da Responsabilidade Técnica (ART) do profissional de engenharia. “Não temos como saber o que houve, porque a engenheiro de segurança do trabalho estava atuando no projeto.”
O Conselho também irá deslocar fiscais ao município para vistoriar a obra. De acordo com Viana, este tipo de acidente não é comum no Estado. Mas o Crea verifica a atuação do profissional e não a obra.
Segundo Viana, entre os cuidados que devem ser tomados durante uma obra estão a utilização dos equipamentos de segurança, escoramento das escavações para que não haja desabamento e proteções com tela, entre outros. (Diário do Pará)
Lojas do Tem! (Classificados)
IT Center
Shopping Pátio Belém - 2o piso
Shopping Castanheira - 1o piso
Gaspar Viana, nº 778
Yamada Plaza (Av. Gov. José Malcher)
Yamada Plaza (Castanhal)
Formosa Duque (Subsolo)
Formosa Cidade Nova (Subsolo)
RBA - Av. Almirante Barroso, 2190
Call Center Tem! (Classificados)
(91) 4006-8000
Fale Conosco
(91) 3084-0100
Central do Assinante
(91) 4006-8000
Endereço
Av. Almirante Barroso, 2190
CEP 66095.000 - Belém-PA
Redação
(91) 3084-0119
(91) 3084-0120
(91) 3084-0126
(91) 3084-0100
Ramais: 0209, 0210 e 0211
Copyright 2010 Diário do Pará. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.