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Sexta-feira, 11/06/2010, 07h15

94 mil crianças ainda trabalham no Pará

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Apesar do trabalho infantil no Pará ter caído quase 5% no último ano, ainda existem cerca de 94 mil crianças entre cinco e 14 anos ocupadas em todo o Estado, sendo quase 40% apenas no setor agrícola. No Pará, do total da população de crianças e adolescentes de zero a 17 anos de idade (2.103.482), cerca de 11,42% estão ocupadas.

Os números foram apresentados pelo Dieese-Pa ontem pela manhã na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Sedes) durante o lançamento da campanha estadual de Combate ao Trabalho Infantil intitulada “Cartão Vermelho para o Trabalho Infantil”, lançada ao mesmo tempo em todos os Estados da federação.

O garoto propaganda da campanha é o jogador Robinho. A ação envolve organismos internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Fifa. “A orientação é que os jogadores do Brasil entrem em campo na África com a faixa criticando a exploração do trabalho”, disse Socorro Menezes, gerente de Média Complexidade da Coordenadoria de Proteção Social Especial da Sedes.

Essa redução da ocorrência do trabalho infantil, segundo Socorro, se deve à efetivação de políticas públicas no Estado, com ações de fortalecimento da rede sócio-assistencial, como o sistema de garantias de direitos das crianças e adolescentes e a implantação de ações de inclusão produtiva para as famílias, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social.

AÇÕES

Existem hoje nos 143 municípios paraenses Centros de Referência De Assistência Social (Cras) onde se dão as ações de combate a esse tipo de exploração. “Trabalhamos a prevenção e a promoção das famílias, tirando-as da situação de vulnerabilidade. Existem ainda os Centros de Referência Especializados (Creas) em 44 municípios, que trabalham as famílias já em situação de risco social”.

Hoje o Estado atende a cerca de 28 mil crianças e adolescentes que recebem Bolsa-Família no valor de até R$ 185 reais. “Para receber a criança precisa estar na escola e recebe acompanhamento dos centros de referência. Só esse ano o Pará já recebeu quase R$ 4 milhões para desenvolvimento dessas ações”.

Em toda a Região Norte, segundo o Dieese, com idade entre cinco e 17 anos, estão ocupadas 451.016 crianças e adolescentes. Deste total (em números absolutos e sem considerar a População Economicamente Ativa de cada Estado), o maior contingente (53,25%) situa-se no Estado do Pará: são cerca de 240.180 crianças e adolescentes ocupados.

No Pará com idade entre cinco e nove anos existem 13.005 crianças ocupadas, o que representa 68,63% de todas as crianças ocupadas nesta faixa etária da Região Norte (18.947). Com idade entre 10 e 14 anos estão ocupadas no Pará 81.360 crianças, o que corresponde a 51,57% de todas as crianças de 10 a 14 anos ocupadas na Região Norte (157.754) e com idade entre 15 a 17 anos estão ocupados no Pará 145.815 adolescentes, que corresponde a 53,16% de todos os adolescentes ocupados na Região Norte (274.315).

“Portanto no Estado do Pará somente crianças com idade entre cinco e 14 anos ocupados são 94.365 representando 53,40% de todas as crianças com a mesma situação e idade de toda a Região Norte (176.701)”.

SALÁRIO

No Pará ganhando até meio salário mínimo existem 49,2% das famílias; ganhando mais de meio salário mínimo há no Pará 28,6% das famílias; ganhando de um a dois salários existem 10,7% das famílias; de dois a três há 2,6% das famílias; mais de três a cinco há 2,1% das famílias e mais de cinco apenas 0,7% das famílias.

“Isto quer dizer que com ganhos de até um salário mínimo temos no Pará um total de 77,8% das famílias com crianças de 0 a 14 anos”, destaca Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese-PA.

Comentários Recentes

  • Antonio disse: Comentário postado em 11/06 Sexta-feira às 11:45h "Caro leitor Tarcisio Ribeiro. Tens uma competência admirável.
    Viaje pelo Pará afora, que verás que estes dados são infimos diante da realidade."
  • tarcisio ribeiro disse: Comentário postado em 11/06 Sexta-feira às 11:13h "qual é a fonte dessa matéria? ou melhor, como o dieese conseguiu esses dados? qual essa metodologia? obrigado"
  • Antonio disse: Comentário postado em 11/06 Sexta-feira às 10:28h "... (continuação) vejam nos Países desenvolvidos. Lá entendem que tudo que necessitamos vem da terra, olhe ao seu redor, separe aquilo que não vem da natureza para sustentar a sua vida, seu equilíbrio. Os materiais da sua casa, dos seus móveis, o aço da sua geladeira, fogão, é a mistura do minério com o carvão vegetal, enfim, tudo, a natureza é nossa provedora. Temos sim, uzá-la com critérios, mas não deixá-la intocada, senão, teremos que sacrificar crianças e adolescentes para proverem suas casas com a "comida" que lhes são necessárias.
    Observem que a prostituição e a pedofilia( temos que vê-la de outro angulo, são crianças oferecendo seu corpo a troco de alimentos e não os adultos procurando-as) acontecem em níveis mais elevados em regiões pobres como o Norte e o Nordeste, Cabrini por exemplo, nunca fez uma reportagem desta em cidades de alto IDH, será porque? No Canadá, será que tem esta prostituição?
    E a Marina tanto fala em sustentabilidade, afinal o que é isto? sustentabilidade do ambiente ou do ser Humano? Em sua visão qual é o mais importante?
    Leia a matéria acima e faça uma reflexão."
  • Antonio disse: Comentário postado em 11/06 Sexta-feira às 10:22h "Seria muito proveitoso que WWF, Greenpeace e outros ecoxiitas, refletissem sobre esta matéria e aquela vinculada no dia 07/06/2010 no SBT do Cabrini.
    A preservação é necessária, mas temos que pesar, primeiro dos seres humanos ou das árvores e bichos?
    Seria muito bom, se levantamente semelhante a este, fosse feito antes das operações "Arco de Fogo" e outros, assim teria uma dimensão do quanto estas operações imprimiram pobreza, miséria e fome no nosso estado, e a desGOVERNADORA, rindo deste epsódio.
    Num natureza exuberante, quase intocada na ilha de Marajó, uma criança de 8 anos, repito, uma criança de 8 anos, prostituindo-se para atender a primeira necessidade que foi dita, " a mulher mostrando a panela vazia e repetindo, que não tinha comida em casa" e nada de trabalho para não violar a natureza, mas as pessoas são violadas, não só as pessoas, mas a dignidade, a inocência, etc. de crianças de 8 anos. A delegada disse que precisa de "políticas públicas", Doutora, 40, 50,60 reais por mês não dá para alterar esta situação, precisam de muito mais. A região precisa crescer, ter trabalho para o pai, a mãe, os irmãos, a vida é uma continuidade.... continua......"
  • walter montalvão disse: Comentário postado em 11/06 Sexta-feira às 10:08h " Caro leitor,

    Num país que nos vivemos, rico mais a população pobre, que as vezes não tem o pque comer e para trabalhar é menor de idade, proibido por lei. Então é mais bonito eles estarem praticando assalto e cheirando cola do que trabalhar. Isto e uma vergonha. Brasilililililili. "
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