Quinta-feira, 10/06/2010, 10h24
Apesar da diminuição no número de casos nos últimos dez anos, o Pará ainda sofre com a alta incidência de malária. Em 2010, um dos municípios mais atingidos pela doença é o de Oeiras do Pará, na região Nordeste do Estado. Para se ter uma ideia, dos casos registrados neste ano, cerca de 10% estão concentrados naquela cidade. Uma preocupação para os moradores, que lotam os postos doentes ou têm medo de adoecer.
É o caso de Ney Fernando, filho de Deusarina Veiga, 60 anos, moradora do município e que há duas semanas padece com a doença. Apenas ontem ela iniciou o tratamento contra malária por falta do remédio prescrito no município. Ney narra a situação preocupante que vive naquela localidade. “Agora há pouco vim do posto de saúde daqui e está lotado de gente do mesmo jeito”, relata. “E minha prima está com a família toda arriada. A gente está preocupado, já disseram que morreram várias pessoas e temos medo de adoecer também”.
Deusarina alterna febre alta, tremores no corpo, dor de cabeça e fraqueza. “Toda vez que a febre aumenta, a gente leva ela no posto e só dão Dipirona”, afirma. “Já fizemos exames, foi comprovado que era a doença, mas não tinha remédio para tratar ela”. Oeiras do Pará possui cerca de 25 mil habitantes. Em 2010, a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) calcula que, dos 40 mil casos registrados no Pará, quatro mil são de Oeiras do Pará ou quase 15% dos moradores. Felizmente, a Sespa diz que ninguém morreu.
Segundo o diretor do Departamento de Controle de Endemias da Sespa, Amiraldo Pinheiro, entre os anos de 2000 e 2009, houve melhorias significativas no controle e tratamento da malária, graças aos programas implementados pelo governo federal, Estado e municípios. Nesses dez anos, o número de casos no Pará reduziu de 300 mil para 100 mil por ano. O número de internações também reduziu de nove mil para 1.187. Já as mortes em decorrência da doença, passaram de 111 para 14. Outra diminuição foi no quantitativo de municípios de alto risco, que saíram de 57 para 13.
PROLIFERAÇÃO
Sobre Oeiras, o diretor declara que a localização da cidade e a grande circulação de pessoas de outras regiões que ainda possuem registros altos de malária favorecem a proliferação da doença.
“O Estado do Pará ainda possui altos registros por causa da sua geografia, com grande quantidade de matas e assentamentos”, explica. “Além disso, os desmatamentos e a extrativismo também favorecem a exposição das pessoas ao mosquito”.
Amiraldo diz que o Estado implementou 600 laboratórios específicos para o diagnóstico da malária no Estado, sendo cinco em Oeiras. “Após a detecção da doença, na maioria dos casos, o tratamento é feito em casa, com os medicamentos”, garante. Ele justifica a falta de remédios por problemas na fabricação da fórmula da Primaquina, que atrasou o envio de remessas do Ministério da Saúde.
“Mas o outro medicamento, a Cloroquina, não faltou, que é o remédio usado diretamente no tratamento”. Mesmo assim, ele garante que um lote de 260 mil comprimidos já chegou no dia 27 e está sendo distribuído para as cidades.
A DOENÇA
Sintomas: O quadro clínico típico é caracterizado por febre alta, acompanhada de calafrios, sudorese profusa e cefaleia. Em alguns pacientes, aparecem sintomas como náuseas, vômitos, astenia, fadiga, anorexia.
Transmissão: Pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada pelo plasmodium. Os esporozoítos, formas infectantes do parasito, são inoculados na pele do homem sadio através da saliva da fêmea anofelina infectante.
Tratamento: O Ministério da Saúde, por meio de uma política nacional de tratamento da malária, orienta terapêutica e disponibiliza gratuitamente os medicamentos antimaláricos utilizados em todo o erritório nacional, em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
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