Terça-feira, 08/06/2010, 10h10
Seria mais um caso “Rafael Viana” surgindo? Por enquanto não dá para confirmar nada a respeito da morte de Anderson Roberto Maciel Farias, de 23 anos, mas a misteriosa morte do rapaz, depois da detenção dele por policiais militares, intrigou a família da vítima. Rafael Viana foi torturado e morto por policiais militares em 2007, após ele ter se envolvido em uma briga.
No início da manhã de ontem, por volta de 5h, Anderson foi detido por uma guarnição da Polícia Militar e depois de algumas horas, já por volta de 11h, o corpo do rapaz foi encontrado próximo de sua residência, às margens do rio Guamá, na praça Princesa Isabel, que fica na orla da avenida Bernardo Sayão, em Belém.
Para a família, vizinhos e amigos do rapaz a certeza é de que policiais militares teriam matado Anderson. “Quando eu abri a porta da minha casa, a viatura acelerou e não deu para eu ver número da placa. Só vi meu filho atrás da viatura. Em seguida, nós saímos de casa em busca dele, mas ele não foi encontrado apresentado em nenhuma seccional”, relatou o pai da vítima, Andrelino Farias.
Para entender a respeito do que aconteceu com Anderson é preciso reportar um pouco o que ocorreu no dia anterior ao da morte do rapaz. Anderson estava em frente à sua residência com amigos e em meio à essa confraternização, um dos convidados de Anderson, teria se envolvido em uma confusão com um dos seguranças que faz a vigilância da passagem Júlio Paulino, no bairro da Cremação, local onde a vítima morava. A passagem tinha um portão e uma guarita onde todas as noites, dois homens faziam a segurança do local.
Voltando ao caso, após a esse desentendimento, a Polícia Militar foi acionada, mas ninguém foi detido. As horas se passaram e Anderson e os amigos saíram para a festa. Ao retornar para casa, por volta de 5h, a vítima foi deixar duas amigas no final da passagem. Em seguida, caminhou de volta para a casa dele. Foi nesse momento que ele foi abordado pelos policiais militares.
De acordo com a tia do rapaz, Maria de Nazaré, teriam sido os seguranças da passagem que chamaram novamente a Polícia Militar. “O meu sobrinho foi morto injustamente, depois que ele foi levado nós ficamos sem informação do paradeiro dele. Fomos ao PSM, em várias seccionais e nada. Teve um policial que chegou a falar para mim: a senhora conhece a história do Rafael Viana? Nesse momento, eu entrei em desespero”, falou a tia.
O CORPO
Já por volta de 12h, depois em que a família já tinha percorrido em vários locais com objetivo de encontrar o rapaz. O pai da vítima, que se encontrava pela segunda vez na Seccional da Cremação, foi informado que a Polícia Militar tinha encontrado o corpo de um rapaz na orla. Ele se deslocou para o local e reconheceu o corpo do filho.
“Nós ainda fomos impedidos de olhar, pois iria prejudicar o trabalho da perícia, mas em pouco tempo que olhamos deu para ver que meu filho foi espancado”, afirmou o pai.
O caso foi registrado na Seccional da Cremação e o delegado Marco Antônio Duarte, diretor da unidade, ficou à frente do caso.
INVESTIGAÇÃO
O delegado informou que, ontem, pelo menos cinco pessoas foram ouvidas para o fato ser esclarecido. Mas o principal alvo da polícia é escutar os dois seguranças da passagem, que firam identificados como Luis e Victor.
“Nós ainda estamos no início das investigações. Muita coisa precisa ser esclarecida. Com o resultado do laudo, poderemos saber a causa da morte. E o depoimento dos seguranças vai ajudar muito”, falou o delegado. (Diário do Pará)
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