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Terça-feira, 01/06/2010, 07h53

Confusão impede Zona Azul de funcionar

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Confusão impede Zona Azul de funcionar
Serviço foi adiado, mas CTBel diz que não suspenderá zona

Muita confusão e quebra-quebra marcaram o dia em que o sistema de estacionamento Zona Azul deveria começar a funcionar na avenida Braz de Aguiar e transversais. Após esperarem os representantes da empresa Espaço Vago, ganhadora da licitação para administrar as 10 mil vagas que serão disponibilizadas e organizadas em Belém, os flanelinhas resolveram sair às ruas para verificar se as bancas de revistas estavam vendendo os talões. Durante a ação, os guardadores de carro encontraram quatro fiscais fazendo essa venda e promoveram um quebra-quebra. Os talões, as fardas e o material de trabalho dos fiscais foram quebrados. Depois, eles tentaram invadir a sede da empresa e quebraram uma vidraça.

Ronivaldo Andrade, presidente do Sindicato dos Guardadores de Carro de Belém, afirma que a cena vai se repetir caso os fiscais continuem vendendo os talões. “O acordado foi que nós faríamos essa venda e eles fiscalizariam. Não vamos aceitar isso”, disse. Já o diretor da Espaço Vago, Eduardo Decker, afirmou que a implantação será suspensa até que a Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) autorize o seu funcionamento. “Hoje (ontem) seria realizado um trabalho de educação e, quem já quisesse adquirir o talonário, poderia fazer isso. A responsável em repassar os talões aos flanelinhas é a CTBel. Não sabemos porque isso ainda não aconteceu”, disse.

Depois da confusão, os fiscais agredidos fizeram exame de corpo de delito no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. À tarde, homens da Polícia Militar e Guarda Municipal permaneceram na área para evitar novos tumultos. “Agora eu quero saber quem vai garantir a segurança dos meus funcionários. Tive prejuízos na sede da empresa e ainda no material de trabalho”, afirmou Eduardo Decker.

Após vários dias de tensão, os lavadores de carro que atuam na cidade resolveram aceitar a proposta realizada pela empresa, em que eles receberão R$ 0,15 por cartela vendida, que custará R$ 1,50. A princípio, a intenção dos trabalhadores era obter 40% do total de arrecadação. Mas a nova proposta só foi aceita, segundo Ronivaldo Andrade, porque a CTBel teria se comprometido em profissionalizar os flanelinhas com cursos de inclusão social, empreendedorismo, relações humanas e em ajudar na expedição da carteira de habilitação. “Vamos ser pequenos empreendedores e queremos nos preparar para sermos futuros funcionários”, disse o presidente do sindicato.

A qualificação seria necessária porque, segundo o acordo firmado entre a Prefeitura Municipal de Belém e a empresa Espaço Vago, as pessoas que já trabalham na área seriam priorizadas na contratação dos fiscais, desde que atendessem ao perfil exigido. Nesse primeiro momento, segundo Andrade, serão disponibilizadas 2.773 vagas, beneficiando 283 guardadores de carro. Mas nos próximos meses o sistema será ampliado para toda a capital, disponibilizando 10 mil vagas no total.

Os flanelinhas ainda não possuem os talões para a venda de vagas, mas receberam a informação de que bancas de revistas e farmácias

fariam essa venda, o que provocou revolta. “Nós vamos conversar com cada banca para pedir que não vendam, pois além do nosso lucro ser mínimo, ainda teremos concorrência desleal”, disse Ronivaldo Andrade.

Em grupo, os trabalhadores foram de banca em banca saber se os talões estavam sendo vendidos. Algumas já possuíam e estavam autorizadas a vender os talonários. “Nós vamos fazer piquetes em frente de cada uma se realmente houver essa venda a partir da implantação”, disse o presidente do sindicato.

Wildes Lima, presidente da Associação das Bancas de Jornais e Revistas, afirmou que as bancas vão, sim, fazer a venda e que não vê nenhum problema nisso, já que se configura como meio de renda a mais. “Nós somos parceiros da prefeitura e infelizmente não temos nada a ver com esse conflito. Estamos apenas fazendo o nosso trabalho. Se houver algum tipo de ameaça para nós, tomarei as providências cabíveis”, disse.

Para muitos motoristas de Belém, a implantação da Zona Azul é uma forma de ganhar dinheiro em cima da população e sem nenhum retorno para a cidade. “As ruas são bens públicos e todo mundo tem o direito de ir e vir. Nosso dinheiro vai para alguém que nem sabemos quem é e nada do que eles ganharem será revertido em via pública. Isso é um absurdo”, reclamou o aposentado Antônio Ferreira.

Vera Fernardes, proprietária de um estabelecimento comercial na Braz de Aguiar, afirma que os comerciantes da área ainda não foram contatados para explicações acerca de desembarque de mercadorias. “Acho que deveria ter um horário para isso e sem que seja necessário nós pagarmos. Eu não posso fazer isso à noite porque tenho um bar e, à tarde, um restaurante. Ainda não sei nem como vou fazer com o meu carro, pois não tenho área para estacionamento”, disse.

>> CTBel diz que não suspenderá zona

Segundo o presidente do Sindicato dos Guardadores, Ronivaldo Andrade, em um encontro com a superintendência da CTBel ontem, ficou decidida a suspensão da Zona Azul. “Vai ficar suspensa até chegarmos a um denominador comum”, garante.

Porém, a assessoria da CTBel diz que a companhia desconhece a informação de que a Zona Azul estaria suspensa. “Na realidade, a superintendência está fazendo uma avaliação da sinalização, por isso a zona ainda não foi implementada”, garante a assessoria.

Esse embate interminável preocupa quem trabalha no local, como Carlos Alberto Silva, flanelinha na Braz há 23 anos. Para ele, o que preocupa não é a Zona Azul, mas a possibilidade de perder o único sustento da família. “Todos queremos a implantação da Zona Azul, mas queremos continuar trabalhando”, garante. “Eu só quero trabalhar, não sei fazer outra coisa na vida”.

A medida desagradou moradores que mantêm o carro estacionado na frente de casa. Fábio Pina, fotógrafo, é um deles. Ele afirma que perderá o passe livre que possui com a exploração da zona pela nova empresa. “Liguei para a CTBel e eles me informaram isso. Quer dizer que a Zona Azul está tirando o meu direito de morador, de ter o meu carro na minha casa?”, indagou. “Isso é um absurdo, terei que estacionar seis quadras distante de onde eu moro”. Ele diz ainda que deve procurar a CTBel ainda hoje e caso não resolva sua situação, pretende acionar o Ministério Público do Estado.

>> Crea acionou o Ministério Público contra novo sistema

O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará (Crea) entrou na briga contra a interdição de ruas, pela Prefeitura Municipal de Belém, para cobrança sobre o estacionamento de veículos em vias públicas, através da chamada Zona Azul. Uma correspondência eletrônica sobre o assunto foi encaminhada pela Câmara Especializada de Arquitetura do Crea ao promotor de justiça do Meio Ambiente e do Patrimônio do Ministério Público do Estado, Benedito Wilson Sá.

O Conselho Regional de Engenharia pede ao promotor que sejam adotadas na esfera administrativa – e também na judicial, se necessário – as providências que julgar adequadas para evitar a implantação da Zona Azul em corredores centrais de tráfego da cidade, entre os quais as avenidas Gentil Bittencourt, Serzedelo Corrêa e Braz de Aguiar.

Um dos argumentos utilizados é o de que a legislação específica das chamadas zonas azuis, nas cidades onde foi adotado o sistema, restringe a sua adoção a vias de características essencialmente comerciais. No caso de Belém, conforme frisou, esse critério está sendo flagrantemente desconsiderado. Como exemplo, o conselho cita o caso da Braz de Aguiar, onde a maior parte dos imóveis se destina a uso residencial.

A Câmara de Arquitetura do Crea observa ainda que a prefeitura, “na ânsia de arrecadar mais dinheiro dos já sobrecarregados contribuintes”, nem de longe leva em conta os interesses da população. Um fato a ser considerado, conforme frisou, é que uma grande parcela dos imóveis residenciais do centro da cidade não dispõe de garagens próprias em número suficiente. Com a interdição das vias pela “Zona Azul” – alegou o Crea –, fere-se o princípio do uso comum das vias públicas nos centros urbanos.

Comentários Recentes

  • Marcio Miranda disse: Comentário postado em 01/06 Terça-feira às 22:54h "Duciomar, o pior prefeito que o município de Belém já teve, decerto, terá seu encontro com as urnas, então, o "ilustríssimo prefeito" (com letra minúscula mesmo), e seu bando famigerado de tecnocratas apedeutas, viverão o merecido ocaso político.

    Enquanto o infortúnio deles não ocorre, conclamo os moradores das áreas afetadas pela zona azul à mobilização, pois já tenho uma boa estratégia jurídica de contenção à implantação do projeto, porém precisamos nos organizar em torno de uma associação para fazer frente ao desarrazoado projeto da prefeitura de Belém. Contatos no email marciomadv12209@hotmail.com"
  • Alex disse: Comentário postado em 01/06 Terça-feira às 22:31h "Estamos vivendo em uma cidade tomada pelo crime e agora estamos preste a ser assaltados pela prefeitura, como se não bastase sermos diariamente intimidados a pagar para desocupados que fingem tomar conta de carros na via pública. Quero que respondam: Onde milhares de trabalhadores de empresas e órgãos públicos que não tem estacionamento vão estacionar seus veículos. A prefeitura nada fêz para melhorar o transporte coletivo da cidade e agora quer impor este decalabro. A Prefeitura realmente está tomada de incompetentes e aproveitadores, só o Ministério Público pra acabar com esta bagunça e o governo do estado deveria já ter tomado uma providência quanto a estes flanelinhas que achacam e intimidam as pessoas diáriamente em qualquer lugar, parece que não existe lei e órdem, só a barbarie."
  • Ulisses disse: Comentário postado em 01/06 Terça-feira às 17:10h "Confusão, Irresponsabilidade e Brincadeira com o Dinheiro Público é marca definitiva do Governo Duciomar, espero que o Povo do Pará aprenda com essa desgraça de desgoverno, o que acontece quando preconceito, e propaganda barata (de barata não teve nada), faz o povo escolher uma administração mediocre.
    Verdade seja dita, ele não trabalhou sozinho.
    Essa desgraça foi a reunião de todos os incompetentes e sem escrupulos que juntos transformaram nossa cidade nesse balde de lixo de gente oportunista ganhar dinheiro.
    Um governo que perdoa (caridade com chapeu alheio) 40 milhões de reais em imposto dos donos de empresa de Onibus, com ISS, imposto já imbutido que os passageiros pagam na passagem de onibus, mas em compensação, leiloa imoveis de pobres que não tem condição de pagar e não tem bons advogados pra chantagear a prefeitura e nem tem foça politica pra negociar esse perdão, porque, quem perdoa 40 milhões em ISS, porque não perdoa, 1 milhão em IPTU do cidadão comum?
    Pq quem ta tendo seus imoveis leiloados não é quem tem dinheiro pra paga advogado pra ficar enrolando.
    Piada de Mau Gosto esse Governo.
    Depois ainda achavam que o Lula iria "privatizar" as residencias... hehehe
    "
  • CARLOS disse: Comentário postado em 01/06 Terça-feira às 15:37h "Mais uma vez o povo é obrigado a sujeitar-se aos desmandos políticos de nossos governantes. Que projeto é esse que não se leva ao conhecimento da população. Simplesmente conde-se direito a um empresário qualquer, sabe-se lá de que forma (houve licitação? a empresa tem experiência nesse ramo de atividade? Não tem nenhuma pendência legal ou administrativa?) e não se esclarece nada ao usuário, como quais são os seus direitos ou se a zona azul vai dispor de câmeras para garantir as imagens de possíveis danos aos veículos. Onde está prevista a responsabilidade da empresa? Qual a destinação dos recursos arrecadados?"
  • Edival Campos disse: Comentário postado em 01/06 Terça-feira às 11:10h "Como são as coisas? Esses desocupados flanelinhas, promovem arruaças, agridem e intimidam pessoas e ainda pintam de exigir direitos... tem direito de deixar a gente em paz! Fico muito feliz pela atitude do CREA, eu também procurei o MP para acabar com essa pouca vergonha em nossa cidade. Sugiro que os moradores da Braz e demais ruas, que não possuem garagem, façam o mesmo. Não garantem nossa segurança nem direito de transitar e ainda temos de engolir esses flanelinhas aparecendo na tv, se chamando de "trabalhadores" (somente eu que se sente ofendido com isso? será possível?) cobrando! Francamente, alguém consegue me explicar ou justificar a existência desses seres? É incompreensível, pelo menos para mim, aceitar que temos de pagar esses intimidadores, não concordo em pagar para a "zona azul", que não garante ruas melhores, segurança à propriedade... Se alguém concordar, por favor explique, precisamos entender pq conviver com essas duas situações: "zona azul e amarela" e flanelinhas. Mantenho minha pergunta da edição anterior: intimidação, ameaça, coerção e danos materiais não são crimes?"
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