Terça-feira, 01/06/2010, 06h50

A Polícia Civil de Parauapebas praticamente desvendou o misterioso desaparecimento da comerciária Ana Karina Guimarães, de 29 anos, grávida de nove meses e que desde o dia 10 de maio sumiu de Parauapebas. Ela foi assassinada a tiros num loteamento “Martini” e teve o corpo escondido dentro de um tambor de metal com capacidade para 200 litros - que inclusive estava há vários dias na carroceria da caminhonete do pecuarista.
Há três pessoas acusadas de envolvimento direto neste bárbaro crime que chocou a cidade. O primeiro a ser preso, dia 17 de maio foi o pecuarista Alessandro Camilo de Lima, o “Macarrão”, 35 anos, que seria o pai da criança. Ele está custodiado no Quartel da Polícia Militar de Parauapebas.
Na última sexta-feira, a polícia prendeu uma pessoa de prenome Florentino, conhecido por “Minego”, e na madrugada de segunda-feira foi a vez do pistoleiro Francisco de Assis Dias, 43, o “Magrão”, que disse morar na avenida Liberdade, 12, bairro Rio Verde, em Parauapebas.
Este contou que foi sondado por “Minego” para matar Ana Karina, porém “Magrão” se recusou dizendo que não matava mulher, ainda mais se tivesse grávida.
Ele contou para o delegado André Albuquerque que Alessandro de Lima foi apanhá-lo na casa dele, na noite em que a jovem foi morta, para que ajudasse a ocultar o corpo.
O tambor foi jogado de cima da ponte da rodovia PA Itacaiúnas, no rio de mesmo nome e que fica distante 70 quilômetros do centro de Parauapebas.
Após o crime os três, Alessandro, “Minego” e “Magrão”, jogaram a jovem grávida, já sem vida, dentro do tambor e seguiram para a ponte. “Magrão”, inclusive levou a polícia ontem à ponte e mostrou o local exato onde o tambor foi arremessado de cima da ponte. Nas barras de proteção da ponte há marcas de ranhuras, que segundo ele, o tambor de metal causou ao ser jogado dentro do rio.
Antes da desova, a caminho do rio ainda próximo da Estrada de Ferro Carajás (EFC), colocaram pedregulhos dentro do tambor para que o utensílio afundasse mais facilmente.
“Magrão” contou que foi Alessandro Camilo quem matou Ana Karina com quatro tiros. Quando chegaram à ponte, ainda de acordo com o acusado, ele furou o tambor com uma picareta para facilitar a submersão.
NOIVA
Disse ainda que o pecuarista estava sendo pressionado pela noiva dele, Grasiela Barros de Almeida, para cometer o crime. “Grasy”, como é conhecida, também está sumida de Parauapebas. A polícia suspeita que ela tenha algum envolvimento com o desaparecimento da comerciária. Contra ela, há um pedido de prisão temporária na Comarca de Parauapebas.
O caso está sendo investigado pelo delegado André Luiz Nunes Albuquerque, que conta com o apoio do Núcleo de Inteligência da Polícia (NIP), que trabalha no campo das interceptações telefônicas e quebras de sigilo telefônico e bancário dos acusados.
Por enquanto, o delegado garantiu que o pecuarista planejou o crime, porém Alessandro de Lima alega que não matou Ana Karina e que foram “Minego” e “Magrão”. Estes por sua vez alegam que, de fato, foi o pecuarista quem matou a jovem.
Pistoleiro cometeu crime a fiado
Um dos acusados de envolvimento neste macabro caso, Francisco de Assis Dias, o “Magrão” disse que recebeu proposta de R$ 5 mil para matar Ana Karina, porém disse que se recusou.
Mesmo assim, ele foi até o local onde a jovem foi assassinada e ajudou a ocultar o corpo. Pelo trabalho sujo iria receber R$ 5 mil, porém o pecuarista lhe deu apenas R$ 1,3 mil e que iria pagar o restante em outra ocasião. Porém, ele foi preso antes de quitar a dívida.
De acordo com o delegado André Luiz, de posse das informações, foi com a equipe dele até o local e encontrou oito cápsulas de pistola 380.
Pela manhã, conta o delegado, encontrou a pistola usada no crime, municiada com cinco projéteis. A arma deve ser periciada.
“Magrão” também é acusado de ter matado a tiros um assaltante de prenome “Fabinho” em Marabá, e era foragido da Justiça há sete anos.
Em função dos acusados negaram o crime o delegado André Albuquerque deve fazer acareação entre os três a fim de dirimir qualquer dúvida a respeito do grau de responsabilidade de cada um. (E.S.)
Bombeiros mantêm base de buscas no local
As buscas aos corpos de mãe e bebê iniciaram ontem à tarde. Bombeiros de Parauapebas e de Marabá, comandados pelo major Francisco Cantuária Moutinho Júnior fizeram varredura no rio onde o tambor foi arremessado. Porém, o artefato, até o final da tarde, ainda não havia sido localizado. As buscas devem ser retomadas na manhã desta terça-feira.
Segundo o major Cantuária, os bombeiros devem ficar por tempo indeterminado. “Continuaremos aqui, até que encontremos o corpo”, comentou dizendo que deve montar uma base no local.
As buscas, inicialmente, se concentraram no ponto indicado por “Magrão”, contudo não conseguiram localizar o tambor devido à forte correnteza.
Parentes e amigos de Ana Karina acompanham as buscas. Maria Íris, se apega na religião para encontrar forças. De posse de uma Bíblia Sagrada, ela lia o livro de Deuterônimo, além dos Salmos: 3, 27 e 121.
“Ela só queria o dinheiro do parto, não queria o nome dele e nem patrimônio”, relata dizendo que viu quando a filha saiu de casa e entrou no carro do pecuarista.
O depoimento dela, a rigor, foi fundamental para que o delegado André Albuquerque pedisse a prisão do pecuarista, que até então nega peremptoriamente a autoria do crime. “Ele confessou parcialmente”, comenta o delegado dizendo que Ana Karina foi morta, pois o pecuarista não queria assumir a paternidade.
A equipe de buscas deve retornar os trabalhos nesta terça-feira. Há pelo menos 40 pessoas envolvidas, entre bombeiros, policiais civis e militares. (Diário do Pará)
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