Sexta-feira, 28/05/2010, 06h57

Início da tarde de ontem, na sede da Delegacia Geral da Polícia Civil do Pará, paramédicos retiram às pressas do local um cidadão de 54 anos, supostamente vítima de um princípio de ataque cardíaco. Na verdade, tratava-se do médico hondurenho Hector Saul Moerel Puerto, que algumas horas antes havia sido preso por investigadores da Diretoria de Polícia Especializada.
O médico, que reside no Brasil há cerca de 30 anos, passou mal dentro de uma sala da instituição, após recusar-se a responder perguntas feitas por jornalistas, referentes às acusações de pedofilia das quais ele é alvo. Segundo Agnaldo Corrêa, advogado que acompanhava Hector Puerto, o médico apresentou a indisposição depois que os jornalistas se retiraram da sala. “Ele me disse que estava sentindo-se mal e que achava estar sofrendo um princípio de infarto, já que há um histórico de cardíacos na família dele”, revelou o advogado.
Nesse instante, Hector Puerto começou a debater-se e, logo em seguida, desmaiou. Uma unidade do Samu foi imediatamente acionada para prestar socorro. O médico foi encaminhado para o Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que Hector Puerto deu entrada no PSM com quadro de distúrbio neurovegetativo. Com o estado de saúde mais estável, ele permaneceu internado, enquanto aguardava transferência para o Hospital da Beneficente Portuguesa.
A PRISÃO
O acusado foi detido na manhã de ontem, dentro do próprio consultório, localizado na travessa Alcindo Cacela, entre as avenidas Magalhães Barata e Gentil Bittencourt, bairro São Brás, em cumprimento ao mandado de prisão expedido pela juíza Maria das Graças Alfaia Fonseca, titular da Vara de Crimes Contra Crianças e Adolescentes.
A determinação foi imposta em virtude do médico ter sido denunciado pelo Ministério Público Estadual por crime de estupro de vulnerável, uma vez que manteve em cárcere privado, bem como abusou sexualmente, uma adolescente de 14 anos, a qual trouxe do município de Capitão Poço, nordeste do Pará. O crime foi praticado no próprio consultório do médico e estendeu-se por um período de sete meses no ano de 2003, quando a adolescente conseguiu fugir e registrar a denúncia em uma unidade policial.
Durante as investigações, diversas testemunhas foram ouvidas e confirmaram que os abusos ocorriam no consultório. Além disso, funcionárias do estabelecimento revelaram que também foram submetidas à exploração sexual. Por conta disso, a juíza considerou que haviam provas suficientes da autoria do crime de estupro e julgou procedente a pretensão do Estado em condenar Hector Puerto, conforme as penas previstas nos artigos 213 c/c artigo 224 “a”, e 226 II c/c artigo 71 , do Código Penal Brasileiro.
Inicialmente, a pena fixada foi de oito anos e seis meses de reclusão. No entanto, como a vítima era adolescente e foi atraída por promessas salariais, a punição aumentou em dobro, de modo que o médico terá que cumprir 17 anos de reclusão. De acordo com a delegada Socorro Maciel, diretora da Data, Hector Puerto prestou depoimento na CPI da Pedofilia, recentemente instaurada no Pará. Assim que se recuperar, o médico será conduzido para o presídio PEM I, em Santa Isabel do Pará. (Diário do Pará)
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