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Quinta-feira, 27/05/2010, 08h24

Protesto de flanelinhas termina em confusão

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Guardadores de carro e policiais entraram em confronto, na manhã de ontem, durante um protesto contra a implantação do novo sistema de estacionamento chamado Zona Azul, que começa a vigorar a partir de segunda-feira (31). Os “flanelinhas” retiraram e quebraram as placas colocadas pela empresa privada que ganhou a licitação para assumir o novo sistema. A polícia interveio e precisou usar a força para impedir que eles continuassem a ação. Seis viaturas da Polícia Militar e da Ronda Tático Metropolitana (Rotam) foram chamadas para dar apoio.

Na esquina da avenida Gentil Bittencourt com a rua Dr. Moraes, os policiais precisaram dispersar o tumulto usando spray de pimenta, o que acabou com a prisão do presidente do Sindicato dos Guardadores de Veículos em Locais Públicos de Belém, Ronivaldo Andrade. “Isso é uma afronta, abuso de autoridade. Eles estão reprimindo os trabalhadores. Bateram em mim e esse é o nosso único modo de reivindicar o nosso direito”, reclamou Andrade. Ele foi encaminhado para a Seccional de São Brás. Segundo o major Marcelo Machado, comandante da 2ª ZPol, o presidente estava incitando a categoria a cometer atos de vandalismo, e causando danos ao patrimônio público.

Socorro Alves, que trabalha há 10 anos guardando carros, estava entre os manifestantes. “Tenho 62 anos, não sou aposentada e é com esse dinheiro que sustento meus filhos, pago luz e água na minha casa”, disse emocionada.

Manoel Rendeiro, diretor do sindicato, explicou que a reivindicação da categoria é motivada pelo medo. “Eles têm medo que mesmo que contratados sejam demitidos depois, como ocorreu na época em que foi implantada a faixa azul na avenida Braz de Aguiar. Até agora essa nova empresa não prestou nenhum serviço e nós sabemos que ela já contratou cerca de 200 pessoas que não são as que estão atuando como flanelinhas”.

Rendeiro afirmou ainda que além de não abrir vagas para os trabalhadores, a empresa propôs pagar um salário e R$ 0,15 para cada veículo estacionado. No entanto, o diretor calcula que os flanelinhas conseguem ganhar cerca de R$ 1.200 por mês. “Não vamos aceitar isso, porque o espaço é nosso.Vamos protestar e a polícia vai ter que prender todos os trabalhadores. Nós ainda vamos entrar na corregedoria contra os policiais, porque o nosso presidente foi agredido”.

Segundo Eduardo Dekin, diretor da Espaço Vago, empresa que assume a Zona Azul a partir da próxima segunda-feira, a afirmação da categoria não procede. “Na carta de documentação onde a empresa ganhou a licitação, a preferência de contratação era para quem já estivesse trabalhando nos locais. A orientação era para o sindicato encaminhar os flanelinhas para os nossos recursos humanos para o recrutamento, capacitação e treinamento, mas a informação obtida era que a categoria estava se recusando a trabalhar com carteira assinada”.



A Zona Azul deve funcionar com a venda de talões no horário de 9h às 19h, no valor de R$ 1,50, com horário de estacionamento estabelecido no período de uma a duas horas no máximo. Neste primeiro momento foram contratadas cerca de 200 pessoas, segundo o diretor da empresa. No total, cerca de 20 ruas do entorno da avenida Braz de Aguiar vão funcionar com o novo sistema.

A Companhia de Transporte de Belém (CTBel) informou que só irá se pronunciar sobre o assunto em coletiva sem data programada.  (Diário do Pará)

Comentários Recentes

  • SINGAERJ - Sindicato dos Guardadores de Automóveis disse: Comentário postado em 28/05 Sexta-feira às 02:24h "O Sindicato dos Guardadores de Automóveis no Estado do Rio de Janeiro e Região - SINGAERJ vem, por este meio, repudiar a ação da Prefeitura de Belém por tratar trabalhadores, cuja profissão é devidamente regulamentada por Lei, como se marginais fossem.
    É importante esclarecer que o guardador autônomo de veículos, profissional reconhecido pela Lei Federal nº 6.242, de 25 de setembro de 1975, regulamentada pelo Decreto Federal nº 79.797 de 08 de junho de 1977, não pode e nem deve ser confundido e tratado como “flanelinha”, como vem acontecendo com os companheiros de Belém.
    O mínimo que as autoridades constituídas de Belém, principalmente o Município, devem fazer é tratar estes humildes, porém, honrados trabalhadores como cidadãos, pois, como quaisquer profissionais têm direitos e deveres, pagam os seus impostos e não podem ser marginalizados, como vem acontecendo no Pará, que deveria seguir o exemplo de grandes Centros Urbanos, como o Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, etc. que caminharam e/ou caminham para regulamentação da atividade, inserindo, desta forma, a figura do guardador de veículos no cenário da Cidade.
    Jorge Justino – Vice-presidente do SINGAERJ "
  • marcia oliveto disse: Comentário postado em 27/05 Quinta-feira às 10:11h "um perfeito absurdo! um espaço que È PUBLICO, a rua, sendo agora comercializado! começou com a praga dos flanelinhas, que usam a desculpa de "nao ter emprego (como se nós tivessemos culpa e a obrigacao de pagar por isso), e agora com essas empresas de fora, que institucionalizam a bandalheira com a vista grossa de quem tambem ganha com isso. Daqui a pouco vao querer cobrar até pra gente parar carro na porta de casa!"
  • EDUARDO DIAS disse: Comentário postado em 27/05 Quinta-feira às 09:57h "Estão errados os flanelinhas e a CTBEL pois nós cidadãos já pagamos muitos impostos para o governo e não vemos o benefício disso pois somos coagidos a pagar os flanelinhas e se um motorista precisar estacionar várias vezes em qualquer parte da cidade, imagina o gasto total para não ter seu carro avariado e com essa implantação da Zona Azul não vai ser diferente, além de que a outra empresa faliu. Somos roubados de todos os lados."
  • jayme disse: Comentário postado em 27/05 Quinta-feira às 08:42h "Como a Ctbel não tem critérios para fazer a tal zona azul, como por exemplo no entorno da prefeitura, forum e assembléia legislativa onde é necessário por medo, mas coloca na Tamoios entre Apinagés e Tupinabás onde não é necessário eu que moro no local tenho um carro, mas vou construir duas "falsas" garagens, para que nem a prefeitura nem a iniciativa privada venham ganhar dinheiro na minha porta, além de ficar com a frente livre para meus parentes. "
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