Terça-feira, 25/05/2010, 07h14
Espalhadas ou penduradas sobre o balcão, as carnes estão expostas a todo o risco de contaminação nas feiras e mercados de Belém, apesar da Portaria nº 304/1996, que também diz respeito à conservação desses alimentos. Diante disso, o promotor de Justiça Marco Aurélio do Nascimento resolveu vistoriar pessoalmente, ontem pela manhã, açougues e feiras de Belém para saber em que condições se encontra a venda de carne no município.
No primeiro dia, foram visitadas apenas as feiras do bairro do Guamá e Jurunas, mas Nascimento prometeu novas vistorias ao longo da semana. “Por enquanto não há intenção de punir ninguém. Estamos reunindo informações para compor um relatório e futuramente cobrar medidas, tanto do poder público quanto da categoria”, destaca.
Segundo o técnico do Departamento Municipal de Vigilância Sanitária (Devisa), Marco Antônio Pinto, a carne em temperatura ambiente é suscetível à proliferação de todo tipo de bactérias.“Na carne mantida até 7ºC, conforme exige a portaria, as bactérias não se desenvolvem, evitando as doenças. Já em temperatura ambiente, espalham-se por todo o alimento. E se engana quem pensa que o calor as mata, pois algumas são resistentes, como as causadoras da leptospirose”, alerta,destacando também a falta de higiene e infraestrutura observada durante a vistoria.
A principal preocupação é com a manutenção. “As carnes não podem ficar expostas desse jeito e pôr em risco a saúde da população”, afirma o promotor, avaliando o problema como resultado de um misto de inércia por parte dos trabalhadores e da falta de cobrança do poder público, que deveria fiscalizar e oferecer as condições necessárias a eles.
CRÉDITO
Para o presidente do Sindicato dos Açougueiros de Belém, Paulírio Araújo, o problema maior é financeiro. “A falta de uma linha de crédito específica para a categoria é o maior empecilho para a adequação. O equipamento completo, com balcão de exposição, serra de fita, balança eletrônica e mesa, custa cerca de R$ 10 mil. Mas como investir nisso se não há o mínimo de infraestrutura e segurança em nosso ambiente de trabalho?”, questiona, referindo- se à possibilidade de roubo e depredação dos produtos.
Para prover a adequação, o promotor destacou linhas de crédito como o Fundo Ver-O-Sol, da Prefeitura de Belém. “Melhor isso do que correr o risco de pagar multa na faixa de R$ 2 mil ou ter o estabelecimento fechado”, destaca. (Diário do Pará)
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