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Quarta-feira, 19/05/2010, 09h05

Pequenos cidadãos querem viver com mais dignidade

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Eles veem o mundo em um tamanho bem maior que as pessoas com estatura considerada normal e não são mais crianças, que podem contar com a ajuda de um adulto quando se sentem incapazes de pular uma calçada ou se segurar no ônibus. Subir um degrau mais alto ou até mesmo utilizar um banheiro público não são tarefas nada fáceis para os anões.

Mirna dos Santos, de 32 anos, e Davina Cordeiro, 25, são exemplos de que, para ser feliz, alguns centímetros a mais ou a menos não fazem a mínima diferença. Para as duas, mais do que enfrentar o preconceito da sociedade, a maior dificuldade é ter que lidar com a falta de estrutura urbana para as pessoas de baixa estatura.

Mirna, por exemplo, conta que já caiu de ônibus várias vezes tentando subir ou descer os degraus. “Alguns são muito altos e nem todos os motoristas são pacientes”, afirma. Puxar a cordinha para dar o sinal é ação impossível. “Eu sempre tenho que pedir para alguém ou falar direto com o motorista”.

Por causa das pernas em tamanho menor, ela se sente cansada depois que chega ou sai do trabalho, onde tem a função de atendente de loja. “Apesar de só ter conseguido meu primeiro emprego aos 25 anos, acho que agora as empresas então abrindo as portas para nós e nos dando oportunidade de crescer”, afirma. Na hora de receber o salário, retirar o dinheiro no caixa eletrônico só é possível com a ajuda de outras pessoas. “Meus 1,19m não são suficientes para que eu tenha acesso ao caixa eletrônico. Nesse ponto acabo dependendo dos outros”.



PRECONCEITOS

Durante a infância e, principalmente, a adolescência, Mirna sofreu preconceitos na escola. Apesar de tudo, ela conseguiu vencer as barreiras e até mesmo o preconceito da família do marido, com quem é casada há 11 anos.Atualmente, ela relembra toda a sua história ao ver a filha, de oito anos, descobrir que não terá a altura considerada normal. “Para ela está sendo um choque, diz que não quer ser igual a mim, mas como o pai, que é alto. A gente conversa e tenta mostrar que ela é capaz de fazer qualquer coisa, independente da altura”.

Se para Mirna foi complicado lidar com a questão pessoal, para a atendente de companhia aérea, Davina dos Santos, isso nunca foi problema. “Já namorei anões e pessoas com estatura normal, sempre lidei muito bem com isso”, afirma. No local de trabalho, Davina é a atração  da criançada. “Todos os dias pedem para eu fazer alguma foto com crianças”.

Para ela, subir ou descer em alguns ônibus também é complicado e diz que, às vezes, precisa subir de joelhos porque a altura do degrau é maior que as suas pernas.Além disso, os próprios bancos das paradas não são adaptados. “Tenho que escalar para sentar”, explica.

Nos shoppings, ela usa o banheiro público infantil como alternativa. “Quando têm esses inclusive com a possibilidade de usarmos um banheiro acessível para nós”, afirma.

A psicóloga Talita Teixeira explica que, pela aparência física, muitas vezes os anões são negados pela sociedade, o que dificulta o desenvolvimento da autoaceitação. “É muito comum essas pessoas terem a autoestima comprometida”.

Segundo  ela, a autoestima baixa pode ter várias consequências, como timidez e não conseguir alcançar alguns objetivos, seja ele profissional ou pessoal, além da depressão. “Normalmente essas pessoas possuem dificuldade em manter relações afetivas, mas isso é perfeitamente possível.  (Diário do Pará)

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