Quarta-feira, 19/05/2010, 08h54
Deve chegar ainda esta semana às mãos do procurador da República, Alan Mansur, o relatório da visita feita pelo Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) ao hospital Ophir Loyola, no dia 11 de maio. O documento denuncia problemas de estrutura de funcionamento de vários aparelhos importantes para o tratamento de câncer e encontram-se parados por problemas de manutenção. O Ophir Loyola também será alvo de uma audiência na Justiça Federal, no próximo dia 25, na 5ª Vara Federal, sobre o investimento do hospital feito com recursos federais.
Segundo Waldir Cardoso, diretor do Sindmepa, as denúncias surgiram das demandas dos próprios funcionários de dentro daquela instituição de saúde. “Nós recebemos denúncias de colegas médicos de que a propaganda feita pelo governo tinha sido enganosa”, afirmou. Waldir refere-se à alardeada inauguração, pelo Governo do Estado, do Parque Radioterápico e o Centro de Medicina Nuclear do HOL. Os diretores do Sindmepa estiveram no hospital para conhecer a estrutura e os aparelhos do tratamento de radioterapia.
Eles constataram inicialmente que existe um déficit de sete técnicos em radioterapia e, pelo menos, mais dois físicos para operacionalizar as máquinas. O quadro de médicos encontra- se completo. Além do déficit no número de profissionais, as instalações de alguns aparelhos não foram concluídas. A exemplo do tomossimulador, braquiterapia, acelerador linear - comprado em 2002 - e só agora instalado, e o sistema que planeja o tratamento. Um dos graves problemas para o não funcionamento desses equipamentos é a falta de manutenção. Os equipamentos são antigos e precisam de manutenção constante. Um exemplo é o aparelho para cobaltoterapia do hospital, que está em funcionamento há 63 anos, segundo o relatório.
FALTA DE FONTE
Grave é a situação do aparelho de braquiterapia, usado no tratamento de pacientes com câncer de colo do útero, que simplesmente não funciona por falta da fonte. Segundo informações dos servidores, esta fonte custa R$ 15 mil e deve ser renovada a cada três meses. “O Estado perde dinheiro, pois cada tratamento é custeado pelo SUS”, informou Waldir. Nesse caso, por causa de uma fonte, o Estado estaria perdendo cerca de R$ 120 mil por mês. O aparelho está sem funcionar há três meses e em 2009 ficou parado seis meses.
Mais grave ainda é a denúncia recebida dentro da instituição de que pacientes com câncer do colo do útero não são enviados para tratamento em outro Estado porque o governo não quer comprometer a sua imagem, segundo a orientação da direção do hospital. Atualmente, ainda sob estimativa dos médicos, cerca de 160 pessoas aguardam para iniciar o tratamento de câncer do colo do útero.
Para o sindicato, outra tentativa de “enfeitar” a real situação do hospital Ophir Loyola é a falsa imagem de redução das filas para o tratamento. “Nesse caso, quatro médicos radioterapeutas foram contratados para realizar a primeira consulta aos pacientes e fazer rapidamente a triagem inicial”, explica o diretor. “Mas, como os equipamentos não funcionam, acabam se formando filas internas, que é outro problema”. Os pacientes são atendidos, recebem as orientações, mas precisariam aguardar cerca de dois meses para o início do tratamento.
O resultado da visita deve ser encaminhado para o Conselho Estadual de Saúde. A assessoria de imprensa do Ophir Loyola foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta edição. Pelo teor do documento, o próprio Ministério Público Federal já fez a solicitação das denúncias ao sindicato. “Eu solicitei ontem o relatório sobre as constatações que o Sindmepa fez para avaliar a situação e apresentar na audiência da Justiça Federal”, justificou o procurador Alan Mansur. “Vamos avaliar e, se for o caso, abrir novo procedimento para visitar e fiscalizar a situação”. Segundo o Sindmepa, o relatório estará nas mãos da Procuradoria até quinta-feira. (Diário do Pará)
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