Terça-feira, 18/05/2010, 07h48
Às 10h de hoje será realizada uma audiência de tentativa de conciliação entre rodoviários das empresas de ônibus de Ananindeua e Marituba, que estão em greve desde ontem, e os empresários. A negociação será feita pelo juiz da 4ª Vara do Trabalho de Ananindeua, Fernando Lobato Júnior. Durante todo o dia de ontem, cerca de 200 mil usuários foram prejudicados com a paralisação, que envolveu todas as sete empresas daqueles municípios.
O juiz recebeu o processo por distribuição, após a delegação de competência determinada pela presidente em exercíciodoTRT8, desembargadora Rosita de Nazaré Sidrim Nassar, considerando que o dissídio e a greve têm sede nos municípios que estão sob a jurisdição daquele Foro Trabalhista. Caso não haja acordo, o processo retornará ao Tribunal e será distribuído para dois desembargadores, um relator e outro revisor, integrantes da Seção Especializada I, que julga as ações em matéria de greve.
Enquanto permanece o impasse, a população que mora nesses municípios e depende do transporte coletivo estão tendo que ter muita paciência. Com o cumprimento pelos rodoviários da determinação da Justiça do Trabalho de manter 40% da frota nas ruas e com as opções de alternativos, as paradas não permaneciam muito cheias. Mesmo assim, eles tinham que encarar ônibus lotados ou pegar vans e kombis, igualmente abarrotadas de gente.
Nesse caso, vale tudo para conseguir chegar ao trabalho no horário. “Se em dias comuns já é sufoco, imagina assim, com pouco ônibus”, reclama o operário Eduardo Costa, 32 anos, enquanto se espreme para subir em um ônibus da linha Ananindeua Presidente Vargas.
Os rodoviários optaram pela paralisação no último dia 12, por não conseguir um acordo com os empresários após cerca de seis rodadas de negociações. “Estamos fazendo um movimento tranquilo, sem problemas e cumprindo tudo que foi determinado”, afirmou Márcio Amaral, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários em Empresas de Transporte de Passageiros nos Municípios de Ananindeua e Marituba (Sintram). A categoria reivindica reajuste salarial de 12%, vale alimentação no valor de R$ 350 e a contratação de um plano de saúde para os trabalhadores.
Anteriormente, os rodoviários já tinham aceitado a proposta de receber o mesmo que foi acordado para os rodoviários de Belém: 6% de reajuste salarial, vale alimentação de R$ 280 e R$ 124 mil para o auxílio clínica. Porém, voltaram atrás, pois não houve acordo em relação à estabilidade da diretoria sindical e ao triênio (adicional por tempo de serviço).
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém, Mário Martins, disse que os empresários não irão mudar o acordo já feito com os rodoviários de Belém e nem aceitar o pagamento do triênio. Ainda segundo o Setrans- Bel, cerca de 60 coletivos foram depredados durante a greve. Somente na Viação Forte, foram pelo menos quatro com vidros quebrados. Márcio nega que o ato tivesse partido dos trabalhadores.“Na verdade, a linha que houve depredação foi aquela do Icuí-Guajará e Icuí Ver-o-Peso, mas foi a própria população revoltada que depredou”.
AMPLIAÇÃO
Cerca de 80 ônibus de oito linhas internas do município de Ananindeua, região metropolitana, vão ampliar, a partir de hoje, o itinerário para suprir a necessidade de transporte coletivo durante a greve. Os ônibus que circulam internamente em Ananindeua e vão até o shopping Castanheira agora farão o percurso até o bairro de São Brás, em Belém.A ampliação de itinerário até a capital foi autorizada pela Prefeitura de Ananindeua, por meio do Departamento Municipal de Trânsito e Transporte de Ananindeua (Demutran), às cooperativas de linhas internas no final da tarde de ontem, após aprovação da Companhia de Transportes de Belém (CTBel).
Apesar de terem o percurso alterado, o Demutran garante que será mantido o valor de R$ 1,60 da passagem dos coletivos. Sobre a fiscalização de veículos que fazem transporte clandestino de passageiros, o diretorgeral do Demutran, Bento Gouveia, informa que elas serão intensificadas em todo município. “Com a ampliação do percurso, garantimos que a população tenha acesso a um transporte regularizado, seguro e sem correr perigos no trânsito. Além disso, vamos intensificar as fiscalizações para coibir a proliferação de transportes coletivos clandestinos”. (Diário do Pará)
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