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Sexta-feira, 14/05/2010, 09h07

Milton Cunha: folia com um toque papa-chibé

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Como ele mesmo costuma dizer, ‘foi menino triste na Belém do Pará dos anos 60, jovem rebelde e piolhento hippie nos entornos do Theatro da Paz dos anos 70, retirante desalojado nos anos 80 e os anos 90 deram a ele dinheiro, promoção e luxo’. Hoje, então, consagra-se como um dos maiores carnavalescos do Brasil. Afinal de contas, transformar a si mesmo e a tudo ao seu redor é com ele mesmo e tem tudo a ver com carnaval. Milton Cunha é assim, após mais de 16 anos trabalhando diretamente nos maiores carnavais do país, está pronto para novas aventuras.

Viveu em Belém de 1962 a 1982, quando terminou o bacharelado em Psicologia na Universidade Federal do Pará. Foi então que resolveu pegar o pau de arara e se mandar mundo afora. “Como foi uma infância e uma juventude de muitos embates entre eu e minha família, pois sou gay assumido desde que nasci, abria-se no dia em que fui embora as portas da liberdade, onde eu seria o que eu nasci para ser. Eu não cabia em Belém, mas o Pará coube inteiro em meu coração”, revelou o artista. Os tempos iniciais fora não foram nada fáceis. Passou fome, morou em vaga, foi produtor de moda, tentou a vida de michê na Itália e odiou. Voltei para o Brasil para trabalhar com concursos de beleza e foi aí que encontrou o Anísio da Beija-Flor, o bicheiro que o colocou no mundo do Carnaval.

“Eu tenho o dom para as encenações, para a cena, o teatro, o figurino, o cenário. Daí para o Carnaval é um pulo, basta entender a estrutura da linguagem do desfile da Escola de Samba, que é uma narrativa em procissão, onde ala sucede ala e entre cada grupo de cinco ou seis passa um grande cenário. Mas, na verdade, eu tive estrela ou sorte, como quiserem. Eu estava na hora certa no lugar certo. O trem passou na estação e eu me joguei dentro dele. O resto foi carisma, capacidade de provocar polêmicas e uma sólida base intelectual, o que não me deixou patinar no papel da bicha burra e fantasiada. Hoje, passados 28 anos, continuo estudando muito, terminando o Doutorado em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro já inicio no segundo semestre o pós-doutorado em narrativas culturais”, contou.

Milton iniciou sua carreira de carnavalesco na Beija-Flor, onde ficou de 1994 a 1997. Depois passou pela União da Ilha, Leandro de Itaquera, Unidos da Tijuca e em seguida foi carnavalesco da São Clemente, onde ficou por dois anos, tendo inclusive estreado no Grupo A. Em 2006, foi carnavalesco da Viradouro e em 2007 continuou no outro lado da “poça”, só que como carnavalesco da Porto da Pedra. No carnaval de 2008, se afastou, mas foi convidado para participar da comissão de carnaval da São Clemente, mas só como elaborador de enredo. No ano passado, Milton Cunha voltou a ser carnavalesco da Viradouro. Já este ano, continuou em Niterói, só que como carnavalesco da Cubango.

Com tanto trabalho conseguiu ganhar três estandartes de ouro de melhor enredo, um com “Pierre Fatumbi Verger - O grande etnólogo”. Depois ganhou com a “Lingua Portuguesa e os países lusófanos”, e em seguida venceu mais um com “Agudás, os retornados à Africa depois de escravizados no Brasil”, além de outros prêmios como figurinista e personalidade do carnaval. Junto com tudo isso já fez cenário para o Ney Matogrosso, assina uma coluna em jornal e é presença constante em programas de TV e rádio. Porém, o momento mais marcante da sua carreira passa longe de estatuetas. “Ter trazido a grande soprano brasileira Bidu Sayão, já velhinha, para desfilar na sua cidade, no seu país, foi inesquecível. Foi o canto do cisne dela e um grande momento da cultura brasileira”, revelou.

Logo na sua estreia, os tempos no Pará serviram de inspiração para ele. “Comecei no carnaval carioca por acaso, nunca foi um projeto de vida minha, com a Epopeia de Margareth Mee na Amazônia, pela Beija-Flor. O tema me fez retornar ao Museu Emílio Goeldi para ver as máscaras mundurucus que ela tanto escrevia. Botos cor-de-rosa, expedições por Óbidos e pelo lago batata... A Amazônia esteve comigo na avenida em minha estreia e no meu quinto lugar. Ganhei vários prêmios, inclusive o estandarte de ouro de melhor ala com as canoas indígenas”.

As saudades da terra natal são infindáveis para o carnavalesco. “Saudades do tacacá, da maniçoba, do pavê de cupuaçu, tudo proibitivo e engordativo. Mas sou caboclo papa-chibé, adoro uma tapioca e preciso sempre cuidar do peso. Fora a culinária, sinto saudades da esperança que eu tinha de que aquilo tudo seria uma doce lembrança. Também tenho saudades de uma peixe-boi que é só minha, com o rio passando eternamente no fluxo de minhas memórias. Cheiro de pupunha e café da avó, que não me compreendia, mas que agora entendo, me queria bem”.



Por que se orgulhar?

O paraense Milton Cunha é um dos mais bem-sucedidos carnavalescos da atualidade. Ele já foi o responsável por grandes enredos do carnaval carioca em escolas como Beija-Flor, União da Ilha e Unidos da Tijuca.

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