Sexta-feira, 14/05/2010, 07h46

Para os moradores, um verdadeiro transtorno. “Além do mau cheiro, a noite é uma barulheira só. Sabemos que é a prefeitura que despeja os resíduos no local, alegando que o lixão do Aurá fica muito distante e é muito ruim para o transporte no horário, mas nunca dizem quando vão resolver o problema”, reclama o comerciante José Sacramento, 35 anos. Do outro lado da rua, outros comerciantes afirmam estar perdendo a clientela, situação que, segundo eles, ocorre há cerca de sete meses.
Estamos falando do cruzamento das avenidas Bernardo Sayão e Alcindo Cacela, bairro do Condor, em Belém, onde o DIÁRIO flagrou caçambas despejando grande quantidade de entulho na área onde deveriam estar sendo realizadas obras do Portal da Amazônia, ao longo de três semanas.
A dona de casa Ivone Carvalho, 43 anos, denuncia que o local também serve de esconderijo para bandidos e usuários de drogas, que assaltam qualquer um que passe próximo durante a noite. “Os moradores já reclamaram, mas a prefeitura não faz nada. Além disso, antes era só entulho, mas agora jogam de tudo”, relata, apontando para o compensado que deveria estar isolando a área, mas já está se desfazendo.
No local havia três caçambas e pelo menos 15 pessoas, entre funcionários da Sesan – vestiam o macacão do órgão – e catadores. Outra preocupação dos moradores é a proximidade dos resíduos com o rio Guamá, pois podem ser arrastados pela chuva. Recentemente, várias tábuas foram recolocadas.
Em nota, a Sesan diz que a área serve temporariamente como estação de transbordo, recebendo entulhos de bairro próximos, como Jurunas e Cremação, e que são recolhidos durante a noite. Dois fiscais, segundo a nota, orientam a população a não jogar lixo doméstico durante o dia e outro permanece até as 22h, horário que o recolhimento geralmente é concluído.
Em relação aos assaltos, a PM, através de sua assessoria, informou que a segurança é feita por uma viatura exclusiva na área, além de policiamento a pé com três policiais. O comandante responsável pelo setor, major Costa Vale, informou que denúncias podem ser feitas para o seu celular: 8886-1158.
PROCESSO
Por telefone, o promotor de Justiça de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural, Benedito Wilson Sá, diz que uma estação de transbordo é proibida por lei municipal e que abrirá um processo administrativo e investigativo sobre o caso. “Se positiva, implementaremos medidas administrativas e, em caso de resistência, judiciais”, destaca.
Segundo ele, quem deveria dar o exemplo é o primeiro a descumprir. “A cidade está ao léu. Uma estação de transbordo é proibida porque, além de causar transtornos, como mau cheiro e barulho de maquinário, atrapalha o prosseguimento de outras obras, inclusive da própria prefeitura”, acrescenta. Por telefone, o DIÁRIO entrou em contato com as secretarias municipais de Urbanismo (Seurb) de Habitação (Sehab) para saber o porquê de as obras estarem paradas, mas não obteve resposta.
>> Atraso na coleta suja as ruas
Imagine ir a uma feira e encontrar, ao lado da barraca que vende frutas, verduras e legumes, um amontoado de lixo: restos de comida, caixas de papelão e até de carne ou frango.
E essa realidade se estende pelas ruas da cidade – até mesmo nas mais movimentadas o que se constata é que Belém está suja. E os moradores de vários bairros ainda sofrem com um agravante: o atraso na coleta.
Na travessa Barão do Triunfo, entre Duque de Caxias e Marquês de Herval, a autônoma Roselene Gomes reclama do mau cheiro que exala do amontoado de lixo no canteiro central da rua, bem em frente à sua casa. “Antes o carro de coleta passava todos os dias, mas agora não existe regularidade nenhuma e eles chegam a passar três dias sem recolher”, afirma.
Além de tudo isso, Roselene conta ainda que, pelo fato de ficarem expostos por muito tempo, o lixo atrai cachorros que rasgam os sacos e espalham a sujeira. “Eles espalham tudo e nós mesmos temos que conseguir outros sacos e recolher o lixo, caso contrário nem os garis querem recolher”, afirma.
Na travessa Perebebuí com a passagem Aranha, nem a placa de “Proibido jogar lixo neste local” inibe ou minimiza o problema. Os moradores colocam os sacos no cruzamento à espera da coleta, que está demorando cada vez mais a acontecer. Dono de um bar que fica ao lado do amontoado, Jorge Costa diz que o principal problema é mesmo o mau cheiro. “Eles demoram tanto que fica quase insuportável ficar aqui. A população também não colabora e continua jogando o lixo na esperança que seja coletado logo”, diz. No mesmo quarteirão, existem aproximadamente quatro montes de lixo.
E quando o próprio carro de lixo contribui para a poluição do ambiente, o jeito é a própria população tentar minimizar o problema. Isso é o que acontece na avenida José Bonifácio quando o caminhão de coleta tritura os resíduos e deixa o chorume (líquido originado da decomposição do lixo) espalhado pelo chão. Roberto Paiva, comerciante, explica que isso acontece com frequência e os próprios moradores precisam limpar a rua. “Se nós não fizermos isso, fica insuportável permanecer por aqui. Infelizmente, não existe essa consciência por parte do poder público”, reclama.
Paiva fala que os garis colocam os sacos recolhidos na rua para que o caminhão leve. O problema, segundo ele, é que nem sempre o carro passa, o que resulta em muito lixo amontoado. “Isso atrapalha até as minhas vendas. Os clientes reclamam”, afirma.
SESAN
Em nota, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) informou que em virtude de problemas operacionais no Aterro Sanitário do Aurá, causado pelas fortes chuvas, está havendo atraso em alguns roteiros de coleta de lixo domiciliar na cidade. “Mas, apesar do atraso, a coleta está, sim, sendo realizada”, afirma a nota.
A Sesan diz ainda que está adotando as providências para resolver a situação, mas também pede a colaboração da população, para que esta respeite os horários de coleta e não jogue entulho nas vias públicas e nem dentro dos canais. “Uma vez dentro dos canais, esses resíduos contribuem para a ocorrência de alagamentos”.
SERVIÇO
Reclamações sobre demora no recolhimento do lixo domiciliar podem ser feitas pelo 0800-726-1036.
Lojas do Tem! (Classificados)
IT Center
Shopping Pátio Belém - 2o piso
Shopping Castanheira - 1o piso
Gaspar Viana, nº 778
Yamada Plaza (Av. Gov. José Malcher)
Yamada Plaza (Castanhal)
Formosa Duque (Subsolo)
Formosa Cidade Nova (Subsolo)
RBA - Av. Almirante Barroso, 2190
Call Center Tem! (Classificados)
(91) 4006-8000
Fale Conosco
(91) 3084-0100
Central do Assinante
(91) 4006-8000
Endereço
Av. Almirante Barroso, 2190
CEP 66095.000 - Belém-PA
Redação
(91) 3084-0119
(91) 3084-0120
(91) 3084-0126
(91) 3084-0100
Ramais: 0209, 0210 e 0211
Copyright 2010 Diário do Pará. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.