Quinta-feira, 13/05/2010, 08h08
Mesmo o Pará tendo o título de Estado campeão de mortes por gripe A no Brasil, há duas semanas esse número não muda. A confirmação vem através dos dados registrados pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa): no período de 3 de janeiro a 12 de maio, foram registrados 733 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, com hospitalização. Desse total, 230 foram confirmados como gripe A, 436 descartados e 67 aguardam resultado. Nos dois últimos boletins divulgados pela Sespa, o número de mortos pela doença estagnou em 30 óbitos confirmados - sendo que 8 vítimas eram grávidas.
A secretaria ainda divulgou a atual situação da vacinação do Estado, enfatizando que os grupos que estão no período de imunização são os de 30 a 39 anos, portadores de doenças crônicas e gestantes. Mesmo com a vacinação para o último grupo ainda em fase inicial, já foram imunizados 28% do total de adultos.
POSTOS DE SAÚDE
Desde o dia 10 de maio, pessoas que fazem parte do grupo prioritário têm recebido a vacina contra gripe A. Mesmo faltando 18 dias para o fim da campanha, a procura pela vacina ainda continua baixa nos postos de saúde de Belém.
No posto da Sacramenta, o fluxo de pessoas durante todo o dia em busca da vacina foi tranquilo. Segundo a enfermeira Vilma Silva, responsável pela vacinação da gripe A no posto, em média estão sendo aplicadas 150 vacinas por dia. “Desde o 1º dia, a procura pela vacina transcorre sem problemas. A procura mais intensa será mesmo no último dia”, avalia Vilma. Já no posto de saúde da Pedreira, a procura também seguiu tranquila durante o dia de ontem. “Temos vacinado a quantidade de pessoas esperada para a nossa área”, afirma a enfermeira responsável, Aline Macêdo.
Faltando poucos dias para o fim da campanha nacional, ainda existem pessoas que fazem parte de grupos que podem ser atendidos, mas não conseguem a vacina. Foi o caso da Adriana Silva, que levou o filho de 7 anos que é asmático para ser vacinado, e não conseguiu.
“Ela (enfermeira) me disse que ele não pode tomar a vacina porque não vai dar tempo de tomar a 2ª dose. Agora eu vou levar ele para casa e não vou vacinar mais em canto
nenhum”, conta Adriana.
>> Procura pela vacina não é intensa em clínicas privadas
Nas clínicas privadas de Belém existia uma grande expectativa para a chegada das vacinas e o atendimento à população, mas a procura tem sido muito abaixo da previsão, desde que as vacinas foram disponibilizadas em abril.
Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Privados de Saúde, Breno Monteiro, há uma explicação simples: a falta de condições financeiras da população para pagar o valor cobrado pelas clínicas particulares.
RELUTÂNCIA
“É extremamente importante a vacinação, mas as pessoas relutam em pagar ou não têm recursos para a prevenção”, afirma o presidente. Ainda segundo Breno, o fato de as pessoas não terem conseguido a vacina na rede pública não contribuiu para a procura na rede privada.
“Quem não conseguiu a vacina na rede pública não foi procurar na rede privada, como se imaginava”, observa o médico.
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