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Sexta-feira, 07/05/2010, 09h18

Hospitalidade: povo que sabe como acolher bem

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Se você é um típico cidadão do mundo, conhece vários lugares do país e do planeta, sabe como é bom ser bem recebido pelos nativos, nos lugares onde se chega. Agora, se nunca viajou, certamente vai chegar a hora de visitar outra cidade e se sentir estrangeiro, longe de casa. Como na canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, “Encontros e Despedidas”, são só dois lados de uma mesma viagem e se um dia você for turista em outro será acolhedor.

E nisso o paraense se sai muito bem, diga-se de passagem. A hospitalidade e a espontaneidade do nosso povo são reconhecidas por muitos visitantes que, bem recebidos, sempre esperam uma oportunidade para voltar ...

O vendedor de artesanato em cerâmica Dário Prestes (40) sabe como é isso. Trabalhando há 32 anos na maior feira a céu aberto da América Latina, o Ver-o-Peso, ele está acostumado a lidar, no dia a dia, com turistas vindos de todos os cantos do Brasil e do mundo. Ainda menino, aos 8 anos, Dário chegou ao lugar pela primeira vez, trazido pela mãe para ajudá-la a vender limões. Aprendeu desde cedo a atrair e tratar bem os clientes, afinal quem vem e gosta da

recepção, sempre volta.

Alemão, inglês, chinês, japonês, francês ou russo. Para ele não importa a língua falada pelo visitante, eles sempre se entendem. “Para se comunicar a gente sempre dá um jeitinho, faz gestos com as mãos, arranha uma palavra em inglês ali, outra acolá. Mas isso, na maioria das vezes, não é necessário, pois os estrangeiros que vêm comprar cerâmica regional aqui sempre sabem alguma coisa de português. E isso ajuda muito”, conta o vendedor.

Segundo ele, o Ver-o-Peso de alguns anos atrás já teve muitos problemas com assaltos, mas hoje essa situação está melhor. Por causa dessa fama no passado, muitos turistas são orientados por agentes a não visitarem a feira, que é um dos nossos maiores cartões-postais. “Muita gente fica fascinada com as imagens e as características da feira e faz questão de vir aqui. Há quatro meses, conheci uma turista brasileira que fugiu do grupo de turistas da agência da qual fazia parte, para vir passear e comprar artesanato nas barracas do Ver-o-Peso. Ela disse que, além da riqueza cultural, adorou a receptividade, o jeito simples e caloroso do nosso povo. Por isso, veio ao Ver-o-Peso, contrariando a determinação da guia da excursão”, recorda.

Saimos do Ver-o-Peso e pegamos a estrada em direção ao município de Santa Izabel do Pará. Num lugar que parece perdido às margens da PA-140, numa comunidade chamada Macapazinho, é possível encontrar famílias que vivem exclusivamente do cultivo de frutas e da criação de animais. À primeira vista, para quem passa de carro e vê as pupunhas, uxis, ingás e outros produtos naturais que elas comercializam à beira da estrada, até daria para imaginar que essas famílias vivem isoladas. Mas é só se aproximar para receber um sorriso aberto, e nem precisa comprar nada, viu? Se quiser pedir apenas uma informação, elas estão prontas a ajudar.

Na família da lavradora Rosa Borges de Souza (70) o dinheiro da renda da venda das frutas é curto, mas nem por isso seus membros deixam a alegria de lado, ao receber um visitante. “A alegria tá sempre presente com a gente, independente de qualquer dificuldade, e gostamos de transmitir isso às pessoas ao nosso redor”, diz a matriarca de um clã que já tem pelo menos três gerações. Dos seus nove filhos, Maria Helena Souza (40) é uma das que divide com ela o trabalho na roça e na comercialização de produtos à beira da estrada. Diz que o sorriso é sua marca registrada.

A nora, Maria Costa (27), conta que a família está acostumada a receber visitantes, vindos de vários municípios do Estado. “Eles param por aqui e sempre elogiam o nosso jeito divertido. Isso é muito gratificante para nós”.

No município de Bujaru, também próximo à Região Metropolitana de Belém, a hospitalidade está presente entre seus habitantes. Que o diga Edgar Soares Paiva (28). De uma família de comerciantes, desde muito jovem ele está acostumado ao balcão de um restaurante. Hoje, também dirige um pequeno hotel naquele município. A esposa, Luiza Maciel (28) - com a qual tem uma filha, Joana, de 9 anos - o ajuda na tarefa. “O povo paraense é de uma simplicidade impressionante e, por causa disso, conquista as pessoas que vêm de fora. Seu linguajar e jeito fraterno são marcantes. É por isso que dizem ser possível reconhecer um paraense em qualquer lugar do planeta”, afirma.

Se a recepção é garantida, não se esquive. E parafraseando a cantora Lucinha Bastos, nos unimos a ela: seja bem-vindo ao ‘país que se chama Pará’.

Por que se orgulhar?

O paraense tem a fama de ser um dos melhores e mais calorosos e fraternos anfitriões do mundo. Isso porque, para começar, trata todos por “mano” e “mana”, abre as portas e o coração ao visitante. Tem um jeito muito pessoal de lidar com os turistas e, não por acaso, é reconhecido como nativo do Pará em qualquer parte do planeta.

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