Terça-feira, 04/05/2010, 10h03
Um protesto realizado na tarde de ontem, por moradores da comunidade de Areia Branca, município de Santa Izabel do Pará, nordeste do Estado, bloqueou a BR-316 por cerca de duas horas e provocou um engarrafamento de quase cinco quilômetros nas pistas que ligam Belém a Castanhal. Os moradores pedem justiça pela morte de um jovem de 18 anos, que foi atropelado na última sexta-feira, e querem a construção de lombadas, sonorizador e a sinalização no perímetro urbano, para diminuir o risco de acidentes no local.
O protesto ocorreu em frente à escola municipal de ensino fundamental Felipe de Paula, onde a maioria das crianças e adolescentes que faziam parte da manifestação estuda. Os moradores incendiaram galhos de árvores, pneus e outros entulhos para fechar a rodovia. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros, e a Polícia Militar, com a guarnição do Grupamento Tático, foram acionadas. Não houve confronto, mas a pista só foi liberada por volta das 16h, após a chegada da imprensa.
VELOCIDADE
Na última sexta-feira, 30, por volta das 20h, o estudante Gleyson Pinheiro Braz, 18 anos, e a namorada Cristiane da Silva Oliveira, 13 anos, estavam no acostamento da pista aguardando a passagem dos carros, para participarem do ensaio de uma quadrilha junina, quando um veículo Gol, vermelho, passou por uma lombada em alta velocidade.
O motorista perdeu o controle, e atingiu o casal no acostamento. O impacto foi tão forte que Gleyson e Cristiane foram lançados a vários metros de altura e caíram na pista. O rapaz bateu com a cabeça no para-brisa do carro e, segundo a família, sofreu fraturas por todo o corpo. Ele chegou a ser levado para um hospital de Castanhal e depois para o Hospital Metropolitano, em Ananindeua, mas não resistiu.
Cristiane também ficou bastante ferida. Ela levou vários pontos em cortes profundos na coxa e braço esquerdos, além de escoriações no rosto. Parte dos dentes da adolescente ficou completamente torta. A jovem está muito inchada, mas, permanece em casa, sob os cuidados da família.
Durante o protesto, a reportagem do DIÁRIO conversou com a adolescente em sua residência, que fica a 4 km da rodovia, no ramal da Vila Nova. No local vivem dezenas de famílias que trabalham exclusivamente com o cultivo de hortas. A mãe de Cristiane, Cristina de Nazaré da Silva Oliveira, 31 anos, disse que a família ficou mais indignada ao saber que, além da gravidade do acidente, o motorista teria dito na delegacia de Santa Izabel, que o casal estava “drogado” na hora da batida.
“Minha filha não bebe, nem fuma e o namorado dela era muito querido na comunidade, além de ser um rapaz trabalhador e de não ter vícios”, afirmou a mãe. Deuzarina Pimentel de Oliveira, 49 anos, a avó da adolescente, diz que não quer nem pensar em ver o motorista. Ela lembrou que acidentes acontecem constantemente por lá, e que, apesar da fatalidade, o motorista não poderia dizer que os jovens estavam drogados.
“A gente tava no acostamento, e o carro vinha em alta velocidade e pulou na lombada. Quando ele bateu na gente, eu fui à mesma altura que ele (Gleyson), mas, ele bateu com a cabeça no para-brisa e eu não. Eu caí no asfalto. Nós ficamos na pista e os carros que vinham quase passaram por cima da gente. Foram os organizadores da quadrilha que nos ajudaram”. Quando ao perigo no perímetro em frente à escola, ela declarou: “Nós tomávamos cuidado por lá, nós esperávamos os carros atravessarem, e como tem a faixa de pedestres, a gente sempre passava por lá. O local é bastante perigoso. Eu me sinto mal. Ele era uma pessoa muito bacana”. A família agora luta para tentar comprar os medicamentos e fazer os curativos na adolescente, que ainda não recebeu nenhuma ajuda financeira do motorista.
Gleyson era estudante do 1º ano do ensino médio, da escola Antonio Lemos, no núcleo urbano de Santa Izabel. Ele foi enterrado por volta das 9h do último domingo, no cemitério daquele município. Antônio Rodrigues Braz, pai de Gleyson, estava revoltado com a situação. “Nós estamos fazendo isso porque hoje foi o meu filho, amanhã pode ser de outra pessoa”. Os moradores dizem que se, em 15 dias, o problema não for solucionado, a BR-316 voltará a ser interditada no mesmo local.
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