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Segunda-feira, 03/05/2010, 09h57

Maestro Isoca: referência na música nacional

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Não queira alcançar o mundo com as pernas, apenas cante a sua aldeia, na qual serás universal”. A frase acima é do compositor Vicente Fonseca ao descrever seu pai, um dos maiores artistas paraenses de todos os tempos e que soube com louvor cantar e tocar as belezas do Pará e da Amazônia. Wilson Dias da Fonseca, o popular Maestro Isoca, nasceu em Santarém, no dia 17 de novembro de 1912. Depois que o então menino do interior ouviu pela primeira vez os acordes dos instrumentos tocados pelo pai, o também músico José Agostinho da Fonseca, sua vida nunca mais seria a mesma, nem a música paraense ...

Foi parceiro e esteve ao lado de grandes músicos, como o maestro Waldemar Henrique, influenciou e ainda influência diversas gerações de apaixonados por suas composições, que exaltam a cultura regional. Em sua extensa obra constam mais de 1.600 músicas dos mais variados gêneros, entre o popular e o erudito. Autodidata, Wilson Fonseca foi um artista versátil e que, mesmo sem formação acadêmica, também escrevia poemas, peças de teatro, crítica de cinema e realizava pesquisas valiosas sobre história, folclore, cultura popular e os mais variados assuntos. É o autor da música do Hino de Santarém e de tantos outras canções muitos conhecidas como “Pérola do Tapajós” (parceria com Pedro Santos e letra de Felisbelo Sussuarana); “Canção de Minha Saudade” (com letra de Wilmar Fonseca); “Um Poema de Amor”, “Lenda do Boto”, entre tantas.

Sua iniciação musicial se deu em 1920 com o pai, que mantinha uma pequena escola de música em casa. A sala de aula era frequentada por moças e rapazes da cidade e dividia espaço com a alfaiataria de José Agostinho, de onde ele tirava o sustento da família. Anna, a esposa, tocava violino e os outros cinco irmãos de Wilson foram todos iniciados em música. O pai também fora um grande agitador musical da cidade, fundou bandas e tocava clarine, sax, piano, contrabaixo, entre outros instrumentos. Aquele ambiente musical fascinara Isoca desde cedo, aliás esse apelido ele ganhou do próprio pai, carinhosamente. Porém, não tardou e já estava dando saltos mais altos, tornado-se um autodidata no estudo e na prática musical.

Ainda garoto, Wilson recebeu convites para tocar durante as sessões de filmes em cinemas, como o Vitória e o Olympia, que acabavam de surgir em Santarém, nos anos 20. Era o auge dos filmes mudos, que para ser exibidos exigiam a participação de pianistas ou orquestras. A magia da sétima arte encantou o menino Isoca. Ele assistiu aos filmes antes das sessões para poder preparar o repertório para as cenas. Chegou a sonorizar 1.500 películas. Foi num desses trabalhos que, por acaso, despertou nele o talento de compositor.

Em 1931, precisou sonorizar “O Beijo”, o último filme mudo no qual participou a musa hollywodiana, sueca de nascimento, Greta Garbo. Porém, não conseguiu encontrar, entre o repertório uma música romântica ideal, para encaixar numa das cenas. Teve, portanto, a ideia de compor uma canção própria. Assim nasceu a valsa “Beatrice”, dedicada a uma de suas sobrinhas.

Filho obediente que era, tentou esconder a composição do pai como um sinal de respeito, já que este era um letrista reconhecido. Mas logo José Agostinho descobriu a música e, ao contrário do que Isoca imaginava, ficou maravilhado com a obra do filho. A partir daí, ele não parou mais de escrever canções e criar melodias. Suas partituras foram publicadas em revistas e tocadas em rádios do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, ganhando projeção nacional.

Samba, modinhas, toadas, tangos, marchinhas, jazz, cordões juninos, música sacra e até óperas, como a famosa “Vitória Régia”. A variedade de estilos nos quais Isoca compunha era impressionante. Para as canções de amor, ele teve uma musa inspiradora que esteve ao seu lado a vida inteira, a esposa Rosilda Malheiros da Fonseca, falecida em agosto do ano passado. Ela foi aluna do curso de violino ministrado por seu pai. Paixão à primeira vista, como dizem. Compôs para ela várias canções: “Perfume”, “Um lugarzinho para você” e “Buquê de inspirações”, esta última publicada durante as bodas de ouro do casal, reunindo fragmentos de várias outras composições dedicadas a ela.

Paralelamente à música, a maestro teve outras profissões. Foi comerciário e auxiliar administrativo concursado do Banco do Brasil. Trabalhava de dia e à noite dirigia corais, bandas e divulgava a música para pessoas de todas as classes sociais de Santarém. “Queria que todos, sem distinção, tivessem acesso à música. Por causa disso, tinha amizades com pessoas simples e poderosas”, conta Vicente Fonseca, filho do maestro.

Depois de vasculhar arquivos públicos e escrever cartas ao Vaticano, conseguiu descobrir a verdadeira data de fundação de Santarém, ocorrida em 1661, sendo uma das mais antigas do Pará. Antes da curiosidade de Wilson, todos acreditavam que a cidade fora apenas criada em 1848, sem saber exatamente quando os primeiros colonos chegaram lá. Com essa descoberta, em 1981, uma lei municipal alterou o data de aniversário da cidade.



Dirigiu a orquestra “Euterpe-Jazz”, de 1936 a 1953.



- Em abril de 1958 a sua composição “Ecce Sacerdos Magnus “ é cantada pelo Coro do Seminário Franciscano de Mayslake (USA), na Catedral de Chicago, durante a sagração episcopal de D. Tiago Ryan, Bispo-Prelado de Santarém.

n Em 1956, recebe convite para fazer um estágio em Colônia (Alemanha), mas não pôde aceitar a proposta por falta de recursos.



- 1969 – Compõe o Hino do São Raimundo Esporte Clube.

- 1970 – Integra as comissões organizadora e julgadora do 1º Festival

de Música Popular do Baixo-Amazonas, em Santarém, que foi presidido pelo Maestro Waldemar Henrique, de quem recebe convite para apresentar-se no Theatro da Paz, em Belém.



- 1972 – Realizada a “Semana de Santarém “, idealizada pelo maestro Waldemar Henrique, com 30 artistas santarenos no Theatro da Paz, entre eles Isoca.

- Em 1980 oferece ao Papa João Paulo II, por ocasião de sua

visita ao Brasil, em Belém (PA), o volume “Música Sacra” de sua obra, lançado naquela oportunidade.



- Toma posse como membro da Academia Paraense de Música (Cadeira nº 24, que tem como Patrono José Agostinho da Fonseca, seu pai).

n 1995 – toma posse na Academia Paraense de Letras (cadeira nº 7,

patrocinada por Domingos Antônio Rayol, Barão de Guajará), em sucessão ao maestro Waldemar Henrique.



- No carnaval de 1997, Fonseca foi homenageado, num carro alegórico, pelo Grêmio Recreativo Acadêmicos do Samba da Pedreira, de Belém, sob o enredo “Foi assim, não te foste de mim”, tributo ao poeta santareno Ruy Barata.

- A Obra Musical de Wilson Fonseca está reunida em 20 volumes (4 apenas publicados), com mais de 1.600 produções catalogadas, grande parte ainda inédita.



- Lei Federal nº 11.338, de 03.08.2006, denomina o Aeroporto de Santarém como “Maestro Wilson Fonseca”.

n Decreto nº 27.126, de 09.10.2006, do prefeito do Rio de Janeiro, reconhece como logradouro público a “Rua Wilson Fonseca”, no bairro Santa Cruz, naquela cidade.



- Lei Estadual nº 7.337, de 17.11.2009, declara como integrante do patrimônio cultural do Pará a obra musical e literária do Maestro Isoca.



Fonte: arquivos de Vicente Fonseca

Por que se orgulhar?

O Maestro Wilson “Isoca” Fonseca é um dos maiores nomes da música paraense de todos os tempos, reconhecido no Brasil e no exterior. Foi um virtuoso, que compôs obras dos mais variados gêneros e muito nos orgulha por ter sempre valorizado a cultura paraense e amazônica em suas canções e poesias.

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