Terça-feira, 27/04/2010, 09h14
Hoje, as mulheres são de 50% a 80% das alunas de boxe em boa parte das academias que oferecem o esporte em suas modalidades. Um dos motivos é a fama do boxe, como aspirador de gordura. Uma aula de cerca de 1h, em média intensidade, queima de 600 a 800 calorias, explica Junior, professor de boxe da Godoi Jiu Jitsu Club, em São Paulo e praticante há 12 anos. Além disso, o boxe deixa as mulheres mais fortes, sem ganhar muito volume de massa, o que significa que a mulher não vai ficar com o ombro, costas ou braços superdesenvolvidos.
Já para quem tem medo de sair machucada e com marcas no rosto, Junior garante que não há por que se preocupar: É a aluna quem decide se vai fazer luvas, ou seja, treinar no ringue com uma companheira, ou não. Se não quiser, o treino é o mesmo, não perde nada em intensidade, mas não vai enfrentar ninguém nem correr o risco de se machucar.
As aulas têm, em média, 1h de duração, podendo ser mais puxadas para quem já tem mais tempo no ringue. Normalmente, tudo começa com um aquecimento, que pode ser na esteira ou pulando corda. Depois vêm os treinos de sombra e esquiva, onde se aprendem e corrigem os golpes feitos de frente ao espelho ou com um colega. Depois vem o treino nos sacos, que trabalha mais ombros e braços. Quem quiser, pode testar suas habilidades na prática, mas sempre sob orientação do professor.
Ainda em dúvida se boxe e feminilidade combinam? Pois é só dar uma olhada na campeã mundial de boxe, Duda Yankovich, que treina e dá aulas de personal na Cia Athletica, em São Paulo. Loiraça de olhos azuis, com 1,69 metro e 64 quilos, Duda veio para provar que força, raça e socos bem dados têm tudo a ver com beleza. Faixa preta de karatê, bi-campeã sulamericana de kick-boxing e hoje estrela do boxe, a bela ainda encontra tempo para mergulho, snowboard, patinação, mountain bike, paragliding e rappel. Confira nosso papo com a lutadora, que nasceu na Sérvia e naturalizou-se brasileira depois de vir para o país em 2000:
P: Quando e como começou o interesse pelo boxe?
R: Em 2002 ganhei minha estreia no programa Boxe Brasil, da TV Bandeirantes. Foi aí que decidi me envolver sério com o boxe.
P: Qual a sua rotina de treinos hoje?
R: Estou em fase de pré-campeonato, o que significa que mantenho de 2 a 3 períodos de treino por dia, mais curtos e mais intensos. Entre eles, a preparação física de força e velocidade feita com meu preparador físico, o professor Tavicco Moscatelo, treinamento cardiorrespiratório e resistência através de corridas longas e curtas intensivas com meu técnico Miguel de Oliveira, que também coordena a parte técnica de boxe, quando usamos aparelhos, escola de boxe, sparring com boxeador masculino e resistência.
P: Para você, quais os principais benefícios do boxe para as mulheres?
R: Mulher busca, em primeiro lugar, melhorar o físico. O boxe, como atividade física, sem contato, já dá muita diferença no corpo de uma mulher por não ser um esporte comum e fácil. Melhora a postura, reforça abdômen e a coluna lombar, desenvolve a musculatura das pernas, ombros e costas e principalmente a abdominal. Isso sem falar no condicionamento físico e sistema cardiorrespiratório, já que boxeadores são conhecidos por ter mais gás entre atletas de outros esportes. O mais importante de tudo é que o boxe é um ótimo modo de aliviar o estresse do dia-a-dia, o treinamento pesado e a simulação de socos dão um alívio emocional e mental enormes, além melhorar a concentração e coordenação motora.
P: Você continua com o rosto bonito e sem marcas, como fazer para evitar os machucados e lesões?
R: Isso é uma coisa que não dá para explicar como fazer, mesmo porque o risco existe em todas as atividades e também na vida. Eu provavelmente já tive uma expressão mais suave, mas com o tempo mudei. Acredito que devo meu rosto um pouco à sorte e também a um bom treinamento, em que pratico muito a defesa.
Pequeno
glossário do boxe
Jab: golpe com a mão da frente (tanto faz se a direita ou esquerda)
Direto: golpe com a mão que vem de trás
Cruzado: golpe onde se bate na parte lateral da cabeça
Upper cut: golpe que atinge o queixo do adversário de baixo para cima
Swing: golpe onde a mão vem de trás, sobe e desce para atingir o adversário
Sombra: treino no espelho ou em dupla só que sem o contato físico
Sparring ou Fazer Luvas: treinar com um colega no ringue
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