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Terça-feira, 20/04/2010, 08h48

Músicos dão nova cara a música brasileira

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A primeira impressão não é amiga de Romulo Fróes. Calmo e discreto, o compositor e cantor paulistano chegava até a destoar do frisson que causava no público à espera de sua apresentação no sábado à noite, dentro da programação do festival Conexão Vivo, em Belo Horizonte. Para um artista que se diz influenciado pelo samba, ele não podia soar tão contrário. Guitarra distorcida, bateria em compasso acelerado, microfonia e efeitos. Ao final do show ele anuncia: “Espero que tenham gostado. Espero que não tenha sido confuso”.

É melhor desencanar, Rômulo. Pois o estranhamento é algo comum durante o festival. Idealizado com o intuito de projetar artistas mineiros para fora do Estado, o projeto Conexão Vivo foi se expandindo, e hoje congrega artistas independentes sob a bandeira da diversidade. Um conceito que hoje em dia beira o inclassificável.

No caso de Romulo Froés, é uma música de vanguarda paulistana no estilo de Jards Macalé: eletrificado, moderno, mas ainda na velha tradição do samba-canção com letras melancólicas, líricas, e batida cadenciada, quebrada. O show no Parque Municipal, no centro da cidade, foi baseado em seu terceiro álbum, “No Chão sem o Chão” (2009). Fróes é um artista inteligente, de sonoridade particular. Sua apresentação variou entre sambinhas (O que Todo Mundo Quer/Ninguém Liga), rocks (Destroços) e faixas experimentais (Sei Lá).

A programação contou com artistas que, apesar de diferentes sonoramente, seguem o mesmo rastro de Froés. Por não se sentirem na obrigação de se opor à tradição, têm liberdade e abertura para qualquer influência. Crias da modernidade, divulgam suas obras pela rede. Não são artistas-solo nem formam bandas, trabalham colaborativamente.

Wado, que se apresentou na sexta, é um bom exemplo disso. No começo de 2001, o compositor catarinense, radicado em Maceió, foi um dos primeiros a ser mordido pelo bicho emepebistico em sua música. Hoje, com cinco discos na bagagem, é um exemplo de longevidade no cenário independente. Um dos responsáveis pelo redescobrimento da mpb como influência por uma nova geração de artistas, Wado hoje caminha pra longe dela, com seu funk carioca, afoxé baiano, passeando pelo reggaeton, disco e eletrônico.

Mas existe espaço também para o mais tradicional. Markus Ribas, o artista da vanguarda mineira na década de 70, dividiu o palco com o acreano João Donato. A ideia central do projeto foi justamente essa: juntar um combo desses artistas mineiros se apresentando com alguns convidados de fama nacional, promovendo um intercâmbio de artistas de estados, gerações e sons diferentes.

Segundo o produtor Kuru Lima, esse intercâmbio só é possível porque estamos lidando com uma explosão de criatividade. “Desde a época dos tropicalistas nunca se viu uma produção tão ampla e variada. E isso se reflete na música que extrapolou o conceito de nicho”.

Foi na década 90 que MPB passou pela sua atual transformação. No Recife, uma geração de músicos, artistas plásticos, diretores de cinema e vídeo, que se autodenominou mangue bit, daria a senha para parte considerável da produção dos jovens artistas do pop. Um pop rock eletrônico que remetia aos ritmos pernambucanos, como nos trabalhos de Chico Science & Nação Zumbi, mundo livre s/a, Mestre Ambrósio… e Eddie, um dos grandes injustiçados desse período hoje reverenciado no cenário indie.

Reverência que ficou evidente na apresentação de Eddie que fechou a noite de sábado, com seu rock-frevo-maracatu. A banda mostrou a força do cenário atual, que mesmo afastado da grande mídia, consegue arrastar uma multidão, que cantou junto músicas como “Quando a maré encher” e “Carnaval no inferno”. Isso diz muito a respeito da nova geração de músicos: amor à música e perseverança são os segredos do sucesso em um mercado cada vez mais complexo. Se duvida é so perguntar ao Eddie.(Diário do Pará)

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