Terça-feira, 20/04/2010, 08h10
O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia no Pará, entregue em fevereiro deste ano, apontou que nos últimos cinco anos, ocorreram 100 mil casos de abuso sexual contra menores no Estado. Desse total, um dado surpreendente: 10 envolviam religiosos. “Entre padres e pastores tivemos 10 pessoas indiciadas por pedofilia. Alguns ainda estão sendo investigados e outros foram provados que cometeram o ato, mas infelizmente continuam exercendo suas atividades normalmente na igreja”, disse o deputado estadual e relator da CPI, Arnaldo Jordy.
O caso que o deputado se refere é do Padre George Genner Evangelista França, de 41 anos, responsável pela Paróquia de Fátima, no distrito de Icoaraci, acusado de ser autor de atos de abuso sexual contra adolescentes em festas na casa paroquial. Em setembro do ano passado, o padre foi chamado para prestar esclarecimentos sobre o crime, mas, negou seu envolvimento. “Nós o ouvimos e tivemos convicção da culpa dele. Pedimos o indiciamento e até hoje o processo está nas mãos do Ministério Público”, ressaltou Jordy.
O parlamentar disse, ainda, que o religioso continua trabalhando com a evangelização de crianças. “Fizemos a nossa parte. É uma pena que depois de tanto trabalho e investigação ele continue exercendo as mesmas atividades, tendo contato com as mesmas crianças que podem ter sido suas vítimas”.
Assim como o padre George da igreja católica, Jordy afirma que pastores evangélicos também foram denunciados em todo o Estado, entre as cidades onde os casos aconteceram com maior frequência estão os municípios de Itaituba e Santarém. “Percebemos que os religiosos se aproximam das crianças e dos adolescentes como amigos. Oferecem apoio, ouvem os seus problemas e, em seguida, abusam sexualmente deles”, finalizou o deputado.
CRÍTICAS
As denúncias de pedofilia na igreja católica têm sido motivo de duras críticas ao Vaticano e ao próprio o papa Bento XVI. Mas, como explicar o envolvimento de um religioso nesse tipo de crime? A psicóloga Rita Paranhos, explica que o pedófilo tem um perfil agradável e paciente. No caso de um padre, ele tenta se aproximar de suas vítimas, oferecendo ajuda. “Muitas vezes eles até usam o nome de Deus para conquistarem suas vítimas”, ressalta a psicóloga.
Segundo ela, os religiosos se aproveitam de jovens e adolescentes que tem algum problema na família ou na escola. “Eles usam todas as armas que possuem para ganharem a confiança do menor”. (Diário do Pará)
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