Segunda-feira, 19/04/2010, 07h55
Depois das fortes chuvas de sexta e sábado,moradores do distrito esperam por soluções para as cheias
No dia seguinte à chuva que deixou o distrito de Icoaraci debaixo d’água, os moradores ainda tentavam contabilizar os danos. Nas ruas onde a água subiu quase um metro, sofás, colchões e armários compunham o cenário do estrago deixado pela chuva. Na travessa Berredos com a Sétima Rua, a água ainda nem havia baixado completamente na tarde de sábado. “A chuva foi tão forte que entrou água em todas as casas aqui. Na minha, ainda conseguimos salvar dois freezers e algumas coisas de casa, mas os motores da marcenaria que eu tenho em casa ficaram embaixo da água”, contou o marceneiro Márcio Rocha.
Na casa do comerciante Manuel Brasil, o dia começou com a improvisação de um batente nas portas para evitar nova enchente. “Estragou muita coisa, porque quando a rua começou a encher não tinha ninguém em casa. Estávamos todos trabalhando, então não deu tempo de salvar nada”. Manuel conta que comprou a casa há 15 dias e não sabia do problema de alagamento. “Fui enganado. Agora estou sem armário, guarda-roupa, colchão e as roupas ficaram todas molhadas”.
Na passagem Pimenta Bueno, bairro do Cruzeiro, a água atingiu quase um metro. Muitas pessoas perderam o pouco que tinham. Foi o que aconteceu na casa de Roberto Vaspalheto, que mora há dez anos na rua. Lá, os sofás, armários, colchões e a geladeira ficaram tomados pela água. “Se toda vez que chover acontecer isso e a gente perder tudo, comprar de novo fica difícil.”
A moradora Socorro Carvalho diz que o alagamento é motivado pela falta de manutenção e finalização da obra de um canal que deveria escoar a água até a praia. “Eles começaram e não terminaram, agora tem mais de dois anos que não fazem nenhuma limpeza no canal nem terminam a obra e quem sofre somos nós”, reclama.
O aposentado Antônio Silva conta que nem conseguiu dormir tentando tirar a água de dentro da casa. “Os bombeiros vieram aqui com uma bomba para ajudar a secar, mas tive que contar com a bomba de um amigo também, senão a casa ainda estaria cheia”.
Enquanto a água não escoava, o jeito para Maria das Graças foi caminhar pela água, mesmo. Segundo ela, as crianças entraram em desespero na sexta-feira à noite. “As crianças ficaram superassustadas. Pensavam que iam morrer afogadas. Foram momentos de desespero”, disse.
Segundo a agente distrital de Icoaraci, Izy Portella, na tarde de sábado, uma equipe de serviço social realizou levantamento nas ruas com casos de alagamento para apresentar a situação à Defesa Civil Municipal e à Fundação Papa João XXIII (Funpapa). “A partir disso, será norteada uma diretriz”. Segundo a agente, não houve desabrigados.
Izy Portellla afirmou que a manutenção e limpeza dos canais é realizada mensalmente. Mas, com a intervenção das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no conjunto do Paracuri e no Taboquinha, disse ser inevitável que material como aterro, seixo e pedra seja levado até o canal. “Com as chuvas grandes, o lixo também acaba sendo arrastado para estes canais.”
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