Sexta-feira, 16/04/2010, 07h55
A disputa por Belo Monte entra agora numa etapa diferente. São os bastidores jurídicos que definirão se na próxima terça-feira (20) irá ocorrer o leilão que oficialmente pode dar a partida para o projeto. Anteontem, o Ministério Público Federal conseguiu uma vitória parcial, com a determinação da Justiça Federal em suspender a licença prévia da hidrelétrica de Belo Monte e o cancelamento do leilão.
É no Tribunal Regional Federal da 1ª Região que a decisão judicial obtida em Altamira pode ser derrubada. O TRF 1 é composto por 18 juízes federais. A sede é em Brasília-DF, e é o Tribunal Regional Federal que reúne o maior número de estados sob jurisdição. Abrange as Seções Judiciárias do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia Roraima, e Tocantins, além de diversas Varas Federais.
No caso de Belo Monte é a 5ª turma de desembargadores federais quem irá avaliar os recursos que devem ser impetrados pelos que foram atingidos com a decisão judicial que suspende o leilão da usina. Os desembargadores federais Fagundes de Deus, Celene Almeida e João Batista Gomes terão essa atribuição. A relatora será a desembargadora Celene Almeida. Na Procuradoria da República no Pará, a expectativa é que o trio também julgue os nove processos contra a construção da usina de Belo Monte que desde 2001 tramitam em Brasília.
Normalmente a análise dos recursos demandaria tempo, mas a Advocacia Geral da União (AGU) tem utilizado um estratagema legal que encurta esse caminho. É um recurso chamado ‘Suspensão de Segurança’. Com ele, o recurso vai direto para avaliação e decisão do presidente do Tribunal Regional Federal Jirair Aman Meguerian.
Com isso, a AGU evita que os recursos sejam apreciados pelos desembargadores da 5ª Turma, o que poderia gerar uma demora maior na decisão. A suspensão de segurança dá origem ao que os juristas chamam de ‘decisão monocrática’, ou seja, a decisão é unilateral, dada apenas pelo presidente do TRF.
A assessoria do Ministério Público Federal no Pará diz que o caso não depende mais do MPF, já que vai a instâncias superiores. Quem irá acompanhar o processo mais de perto é a Procuradoria Regional da República 1ª Região, que fica em Brasília e é chefiada pelo procurador Alexandre Camanho. O MPF aguarda ainda julgamento de outro processo, também da semana passada, em que questiona irregularidades ambientais na licença concedida à Belo Monte.
COMEMORAÇÃO
Enquanto a decisão sobre Belo Monte ainda pode vir a ter reviravoltas, uma das principais lideranças de movimentos sociais que se opõem a construção da usina comemora o que chama de ‘sinal de que a Justiça está atenta’. Antonia Melo, do movimento Xingu Vivo, diz que a decisão é uma mostra de que a construção da hidrelétrica é insustentável. “Vai causar um imenso desequilíbrio social e ambiental. Milhares de pessoas, incluindo os da Volta Grande do Xingu estão se mobilizando para que a decisão judicial seja permanente. Não podemos baixar a guarda. Vamos continuar alertas”, disse ela.
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