Sexta-feira, 16/04/2010, 07h45
Dados do Ministério da Saúde revelam que, no Pará, somente 53,3% das gestantes se imunizaram
Embora nos índices relacionados à gripe A as gestantes representarem uma em cada três mortes na nova gripe, o grupo ainda está desprotegido, segundo o Ministério da Saúde. Até ontem, apenas 51,1% delas haviam se vacinado em todo o Brasil. Segundo a médica pediatra Mariana Franco, o medo e a desinformação estão entre os principais motivos que levam à resistência do grupo à vacina.
“Toda mulher grávida tem medo a qualquer tipo de medicamento que possa levar algum efeito ao bebê, principalmente porque tem gente falando que a vacina prejudica a criança”. A médica explica que uma grávida acometida com a doença pode até morrer, por conta da imunodeficiência. “Toda grávida fica com a imunidade muito baixa, então não tem defesa suficiente”.
Para o coordenador do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), Hélio Franco, é necessário buscar outras alternativas e criar novas estratégias para convencer as gestantes a se imunizarem. “Nós estamos incentivando os médicos a conscientizarem as grávidas para a vacinação. Mas acho que é necessário ir nas comunidades, nas igrejas, porque eu conheço várias grávidas que estão relutando, porque infelizmente tem alguns tipos de terrorismos, como informações na internet que contribuem para que elas fiquem ainda mais resistentes”.
A Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) fez apelo aos gestores municipais de saúde e prefeitos dos municípios paraenses, principalmente do interior do Estado, para que continuem sensibilizando e mobilizando a população para se vacinar contra o vírus H1N1. Mesmo com as campanhas, a cobertura vacinal, principalmente no interior do Estado, continua baixa nos grupos
prioritários, como gestantes e adultos de 20 a 29 anos, informou a assessoria de comunicação da Sespa.
NÚMEROS
Até ontem, dados do Ministério da Saúde apontavam que o Pará havia vacinado 100% dos trabalhadores de saúde, 62% dos indígenas, 55,29% das gestantes, 35% dos portadores de doenças crônicas, 67,31% das crianças com menos de dois anos de idade, e 33,66% dos adultos de 20 a 29 anos. Entre os municípios com menor cobertura vacinal das gestantes estão Chaves, Breves e Afuá.
Em nota técnica, a Sespa informou que de janeiro a 10 de abril deste ano, foram notificados 560 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave com hospitalização, sendo 204 casos confirmados para influenza A (H1N1), 286 descartados e 53 ainda em investigação. Do total de confirmados, 28 foram a óbito, sendo oito gestantes.
>> Procura em clínicas particulares é intensa
A vacina contra a gripe A já começou a ser comercializada na rede privada. Os lotes da vacina chegaram na quarta-feira e já estão disponíveis para os pacientes. Ontem, a procura pela vacina já era intensa. Em uma clínica particular da cidade, a lista de espera já somava quase mil nomes.
Durante a manhã, vários clientes já buscavam informações sobre a vacina e o preço da mesma. “O telefone não parou de tocar hoje (ontem)”, disse a técnica em enfermagem Hellen Batista. No local, a dose da vacina custa R$ 85. A técnica explica ainda que crianças que tomaram a primeira dose da vacina na rede pública podem tomar a segunda dose na rede privada.
Diferente da vacina disponível na rede pública, a dose da vacina comercializada na rede privada é única. O líquido já vem na própria seringa em que será aplicada. Porém, apesar da diferença, o efeito da vacina é o mesmo.
Qualquer pessoa acima de seis meses de idade pode recorrer à rede privada para tomar a vacina contra a gripe A. A única restrição é para pessoas que possuem alergia a ovo.
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