Quinta-feira, 15/04/2010, 14h49
Premiê chinês viajou hoje para o local atingido por terremoto
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, viajou de avião ao planalto tibetano nesta quinta-feira (15) para supervisionar as buscas pelas vítimas do terremoto da véspera, mas equipes de resgate tinham pouca esperança de encontrar pessoas com vida sob os escombros de casas, escolas e mosteiros no clima gelado.
O número de mortos do terremoto de 6,9 graus da quarta-feira subiu para 617. Quase 10 mil pessoas ficaram feridas, e a cidade de Gyegu, capital do condado de Yushu, ficou devastada.
O premiê Wen Jiabao subiu sobre uma montanha de escombros e discursou para um grande grupo de moradores da cidade, famintos e em choque.
"Enquanto houver a menor esperança faremos 100% de esforços", disse ele à multidão, falando por um alto-falante e tendo suas palavras traduzidas para o idioma tibetano.
"Seu desastre é nosso desastre, seu sofrimento é nosso sofrimento", disse Wen, que adiou para a próxima semana sua viagem a Mianmar, Brunei e Indonésia.
O presidente Hu Jintao encurtou sua visita à América Latina e vai retornar antes do previsto do Brasil, onde participa de uma cúpula do Bric. Ele deveria ainda ir à Venezuela e ao Chile.
Wen não recebeu as boas-vindas calorosas que são frequentes em regiões chinesas de etnia majoritariamente han. Mas a multidão, que incluía monges budistas tibetanos, aplaudiu seu discurso e ele apertou a mão de pelo menos um monge.
Muitos chineses ficaram profundamente tocados quando ele visitou os locais na província de Sichuan atingidos por um terremoto que deixou 80 mil mortos em 2008 e incentivou pessoalmente os bombeiros e pessoas presas debaixo de escombros, o que acabou lhe valendo o apelido de "Vovô Wen."
Ventos fortes e altitude
Desta vez os membros dos serviços de resgate enfrentam a alta altitude e os ventos gelados que sopram na região do terremoto nesta época do ano.
Barracas foram erguidas em torno de uma estátua de um guerreiro a cavalo em Gyegu, onde vivem a maioria dos 100 mil habitantes da região. Monges escavavam com pás enquanto soldados distribuíam arroz e mingau aos sobreviventes.
Quando policiais distribuíram pacotes de macarrão instantâneo em um acampamento de barracas, moradores correram com as mãos esticadas para receber a comida.
"Precisamos urgentemente de barracas, cobertores, roupas acolchoadas e alimentos instantâneos", disse Zou Ming, diretor de serviços de ajuda emergencial do Ministério de Assuntos Civis, falando com repórteres em Pequim.
"O principal problema agora é a falta de transporte. Levará tempo para os suprimentos chegarem à região."
Quase 1.000 pessoas ficaram gravemente feridas, disse a agência de notícias Xinhua, citando um porta-voz dos serviços de defesa civil na cidade de etnia tibetana. Há centenas de desaparecidos.
O principal estádio esportivo de Yushu foi convertido em hospital improvisado, mas não tinha condições de receber todos os feridos. Dezenas de tibetanos feridos e em choque estavam deitados no chão do lado de fora, com seus membros fraturados amarrados de modo improvisado com suportes de madeira.
Alguns dos sobreviventes foram retirados em aeronaves para a capital provincial, Xining, e outras cidades, disse a mídia estatal.
O terremoto teve seu epicentro nas montanhas que dividem a província de Qinghai, no sudoeste da China, da Região Autônoma do Tibete. Terremotos são comuns no planalto tibetano, mas normalmente causam poucas vítimas porque há poucos moradores na região.
Ônibus carregando membros dos serviços de resgate e caminhões do Exército carregados de alimentos e remédios passaram ao longo de toda a noite pela rodovia de 1.000 km de extensão que separa Yushu da capital provincial de Qinghai, em meio a neve, tempestades de areia e ventos fortíssimos.
Os monges tibetanos compareceram em peso para ajudar com os trabalhos de resgate, apesar de o principal mosteiro budista ter ficado destruído.
A agência Xinhua disse que apareceram rachaduras em uma barragem próxima a Gyegu. Trabalhadores estariam tentando estabilizar a estrutura e impedir que ela se rompa e inunde a cidade. (Terra/ Reuters)
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