Quarta-feira, 07/04/2010, 07h58
Pró-reitora de Ensino disse ser contra usar o Enem como única forma de ingresso na UFPA
Com a extinção já prevista do Processo Seletivo Seriado (PSS), que teve a última edição no concurso de 2010, a Universidade Federal do Pará (UFPA) busca novas alternativas para o ingresso de calouros em 2011. Até abril, o Conselho Superior de Ensino Pesquisa e Extensão da UFPA (Consepe) deverá decidir sobre o novo modelo de seleção para o ingresso de novos estudantes na UFPA. Ontem pela manhã a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proeg) promoveu um encontro, no Centro de Convenções da UFPA, com a participação de dirigentes, professores, alunos e técnico-administrativos das unidades acadêmicas.
Grande parte das propostas discutidas estão centradas na utilização ou não do Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, e, consequentemente, o Sistema de Seleção Unificado do Ministério da Educação (SiSU/MEC), como uma das formas de avaliação para o ingresso de novos alunos na instituição.
“Não vejo ainda como o Enem possa ser adotado como uma forma única de ingresso à universidade. Não é oportuna ainda a adoção total desse sistema. Eu advogo a adoção parcial do Enem somado a uma prova elaborada pela UFPA”, disse Marlene Freitas, pró-reitora de Ensino de Graduação e presidente da Comissão Permanente de Processos Seletivos da UFPA (COPERPS), salientando que essa é uma opinião estritamente pessoal. “O que for definido democraticamente irei acatar”, complementou.
No encontro pela manhã foram apresentados vários modelos de seleção e informações sobre formas de avaliação para vestibulares, com a participação de convidados de outras Instituições Federais de Ensino Superior (IFEs) e dirigentes do Ministério da Educação (MEC), que falaram sobre experiências nos processos adotados e sobre a proposta de adesão ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Mesmo sendo contrária a adoção do Enem, a pró-reitora disse que esse sistema não está descartado. “Existem várias situações que precisam ser estudadas e avaliadas. É isso que queremos fazer com toda a comunidade universitária, de forma democrática”, afirmou. Segundo a pró-reitora, é necessário que as discussões se tornem mais aceleradas.
O motivo principal seria para que mais cedo os estabelecimentos de ensino médio e os próprios alunos possam se preparar adequadamente para o novo sistema, seja ele qual for.
Marlene Freitas evitou criticar o atual modelo do vestibular. “O vestibular não caducou e o PSS não é bom nem ruim. Há pontos positivos nele, mas o fato também é que o processo foi-se desgastando em si mesmo e o processo foi tomando uma nova feição e essa discussão não é recente, mas ainda não sabemos qual vai ser o novo modelo”, disse ela.
NOVO VESTIBULAR/MODELO ANTIGO
O novo processo seletivo para suprir as vagas que sobraram na UFPA ainda não estarão sob um novo modelo. Serão 937 vagas a serem preenchidas em uma prova que deve abranger conhecimentos gerais e mais a redação. Atualmente a UFPA tem pouco mais de 30 mil alunos. A cada ano ingressam, em média, seis mil novos estudantes. “Em 2011 já teremos um novo modelo”, garantiu o assessor da Pró-Reitoria de Ensino e Graduação, Mauro Magalhães.
>> Professores esperam logo uma definição
Durante o debate entre representantes do MEC e de diversas universidades do País, além de estudantes e professores do Ensino Médio, embora algumas universidades tenham apontado benefícios com a adesão ao SISU, como foi o caso da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que, segundo o seu representante, Alexandre dos Anjos, conseguiu aumentar o número de alunos do próprio Estado na universidade após a adesão ao sistema, a proposta foi criticada, principalmente por professores do Ensino Médio.
Para o professor de Literatura, André Belém, muitas questões sobre esse sistema precisam ser analisadas. “Primeiro, acho que eles só estão discutindo aqui o acesso dos estudantes, mas também é preciso ver como será depois que esse estudante estiver dentro da universidade. A gente sabe que o processo de seleção do Enem prioriza a questão da interpretação em detrimento aos conhecimentos específicos. Mas será que, na universidade, esse estudante não vai precisar dos conhecimentos específicos? Será que o docente da universidade vai estar preparado para receber esse aluno que não tem tanto domínio dos conhecimentos específicos? E como impedir que alunos de outros Estados venham tomar as vagas que são da UFPA, como aconteceu em outras universidades, como a Federal do Maranhão?”, destacou.
Já o professor de Química, Branco Ramos, acredita que a UFPA precisa definir logo qual modelo será adotado, pois a indefinição prejudica os estudantes que estão se preparando para a prova. “Para a minha surpresa, hoje (ontem), a universidade não decidiu nada. Isso é muito ruim porque já estamos no mês de abril e a prova do Enem acontece em novembro. Nós, professores, precisamos saber se vamos precisar trabalhar com o conteúdo do Enem ou com outros conteúdos específicos da universidade. Esse tipo de demora só faz provocar mais ansiedade nos estudantes”, avaliou.
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