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Quarta-feira, 07/04/2010, 07h32

Paraense descreve cenário alagado do Rio

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Para quem mora em terras onde chove todo dia – ou chove o dia todo – a chegada de um temporal no Rio de Janeiro não assustou à primeira vista. Afinal quem mais do que os paraenses está acostumado com essas surpresas que vêm do céu? Mas o que está se vendo por aqui é a pior chuva dos últimos 6 anos, superando as traumáticas tempestades de 1966, 1988 e 1996, e óbvio que o resultado disso é um caos onde ninguém se entende. A cidade maravilhosa virou cidade alagada.

A água chegou de repente na tarde de segunda-feira por cima, com a chuva, e por baixo, com as cheias. Neste cenário, conseguir se deslocar pela cidade se tornou um drama: ônibus lotados desviavam caminho, o metrô transbordava de gente e conseguir um táxi virou luxo. Das dez principais empresas de rádio-táxi da cidade, seis estavam com linhas congestionadas e quatro davam sempre a mesma resposta: “não há previsão de veículos disponíveis; a cidade está parada”.

Quem deu sorte estava em áreas sem alagamentos, desabamentos e com fornecimento normal de luz elétrica e gás, mas permanecia completamente ilhado. Nas ruas, as pessoas tentavam compreender o que acontecia: pais voltavam com os filhos das escolas por falta de professores; donos de restaurantes aten-

diam os clientes na ausência dos garçons; nos hotéis, o pedido de desculpas impresso no balcão informava que a limpeza dos quartos estava inviabilizada por falta de faxineiros. As ruas ficaram desertas.

Pela TV, as notícias só  deixavam a todos mais atônitos. Ana Maria Braga tentava apresentar um programa ao vivo com equipe reduzida e mostrava os danos da chuva em seu cenário no Projac, enquanto em outro canal o prefeito Eduardo Paes fazia um apelo à população: “não saiam de casa hoje; não haverá aula e todo chefe entenderá as ausências no trabalho”. E, num mesmo ato, decretou feriado e luto oficial. 

Como todo bom turista assustado, o único pensamento é pegar o primeiro avião e fugir. Em vão. Um aeroporto ficou fechado e o outro operou por instrumentos desde o início da confusão, mas ninguém conseguia chegar até lá com tanta água pelo meio do caminho. As companhias aéreas jogaram as remarcações para esta quarta-feira, dando como “cortesia” a não cobrança de taxas. 

Quem mora no Rio contabiliza os prejuízos e teme por mais água. E a nós, turistas que vieram ao Rio passar o feriado da Páscoa, resta rezar para hoje ser um dia diferente e a volta para casa tranquila. (Diário do Pará)

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