Quinta-feira, 01/04/2010, 08h58
Líbero Luxardo sempre foi alvo de muitas críticas. Mas deixou importante cobtribuição
Um arqueólogo sai de Belém para visitar e conhecer cemitérios indígenas na Ilha de Marajó, em meados dos anos 60. Hospeda-se numa fazenda sem imaginar que está no cenário de uma trama repleta de aventuras, envolvendo personagens típicos da região. Meio dramáticos, convenhamos, mas pra lá de divertidos. Esse é o resumo da sinopse de “Marajó, barreira do mar” (1964), o segundo dos longas-metragens que compõem a preciosa obra de um paulista apaixonado pelo Pará: Líbero Luxardo (1908-1980) ou o Cineasta da Amazônia, como é mais conhecido.
O filme do qual falamos deveria ser uma espécie de western marajoara e seu roteiro continha um final apoteótico, com um búfalo “sagrado” invadindo uma pequena vila, derrubando palhoças e fazendo todo mundo fugir apavorado. Esse detalhe interessante só não foi incluído na trama porque Luxardo, convencido de que não teria dinheiro para bancar os prejuízos dos moradores do local, acatou a sugestão de um jovem amigo e, como ele, um também aficionado por cinema, o crítico e escritor Pedro Veriano.
“Líbero foi o primeiro cineasta a filmar longa-metragem no Pará, com atores e técnicos locais. Cheguei a fazer, a pedido dele, o roteiro de ‘A Quadrilha de Jacob Patacho’, um conto de Inglês de Sousa. Também exibia em minha casa (o lendário Cine Bandeirante) seus filmes em pré-lançamento para atores, convidados, além de possíveis compradores do exterior”, afirma Veriano.
Depois filmar várias películas em São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, ao lado do sócio, o fotógrafo Alexandre Wulfes, Líbero Luxardo desembarcou em Belém, em 1939. Trazia na bagagem uma cópia de seu maior sucesso, a película “Alma do Brasil” (1931/1932). Foi mais um caso típico do viajante que chega ao Pará.... e pára de vez por aqui. E ele tinha a câmera na mão e uma convicção na cabeça: iria fazer cinema numa exótica e distante Amazônia, não importassem as críticas externas.
Ele cumpriu o juramento, pois não era para menos; antes de tornar-se cinéfilo, quando criança aprendeu com o pai, o fotógrafo Júlio Luxardo, todos os segredos de uma câmera. Antes vir morar no Pará filmou “Caçando feras” (1936), “A luta contra a morte” (1937), “Aruanã” (1938), entre outros. Uma coisa havia em comum entre a maioria deles: um certo fascínio de Líbero pela floresta e os animais.
“Nos anos 40 ele chegou a montar um estúdio na avenida Nazaré para realizar o seu primeiro filme na região, ‘Amanhã nos encontraremos’ (que deu origem a ‘Marajó, barreira do mar’). Não conseguiu filmar por causa da falta de película ocasionada pela Segunda Guerra Mundial. O jeito foi fazer pequenos curtas e nesse período fez amizade com o então governador Magalhães Barata. Pelas mãos desse amigo, ingressou na política. Foi deputado estadual, gravou documentários sobre obras do governo Barata e manteve um cine-jornal para exibir matérias de festas de Carnaval e aspectos turístico de Belém”, conta Pedro Veriano. (Diário do Pará)
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