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Quinta-feira, 01/04/2010, 08h44

Filme de Kieslowski em cartaz no Cine Ccbeu

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Filme explora tema típico do folclore romântico europeu

Baseada no ideal da Revolução Francesa (Igualdade, Liberdade e Fraternidade), a Trilogia das Cores – que reúne os filmes “A liberdade é azul” (1993), “A Igualdade é Branca” (1993) e “A Fraternidade é Vermelha” (1994) – é o maior sucesso comercial de Krzysztof Kieslowski. É impossível lembrar no diretor polonês sem associá-lo imediatamente a esses filmes. Tudo porque na década de 1990, um outro país o acolheu – e principalmente, o incentivou a filmar. Com os recursos necessários, não à toa a França recebeu a homenagem na trilogia famosa. Mas antes da produção do que é considerado hoje o seu maior mérito cinematográfico, Kieslowski filmou, também com co-produção francesa, o lírico “A Dupla Vida de Veronique” (1991), filme em cartaz hoje no Cine Ccbeu.

Como o título pode nos adiantar, Vèronique não está sozinha. Ela tem um “doppelgänger”, termo alemão que se refere a um tema comum na mitologia germânica e significa “sósia ou duplo de uma personagem, uma espécie de alma gêmea ou mesmo um fantasma que persegue um indivíduo, confundindo-se com a sua própria personalidade”, segundo informa o e-Dicionário de Termos Literários. Além disso, “o doppelgänger nunca é visto por ninguém a não ser pelo seu portador”. Já dá para sentir o que o espectador deve esperar? Com esse mote, Kieslowski mostra o duplo da francesa Vèronique. É Weronika, que nasceu na Cracóvia, Polônia. Interpretadas pela sua musa, Irène Jacob, os laços afetivos e enigmáticos entre as duas são mostrados com muita nostalgia, que às vezes chega a soar melancólica. Elas não se conhecem, mas sentem a presença uma da outra, muito embora não consigam explicar este sentimento.

Vamos à vida das duas: Weronika é uma jovem cantora lírica. Já Vèronique ama música. Nas primeiras cenas, Kieslowski mostra a polonesa em seu cotidiano, até a tragédia que acontece com ela; logo depois, passa a espiar o dia-a-dia de Vèronique. Na cena mais fascinante do filme, as duas quase se cruzam, em uma praça na Polônia, durante uma manifestação estudantil. Uma fotografia fortuita documenta a presença das duas mulheres idênticas no mesmo local, feita pelo também polonês Slawomir Idziak. São mulheres tristes, sem ao menos saber o por quê.

Inteligentemente, Kieslowski se esmera na criação de imagens que reforcem a temática que aborda, mas de modo sutil e refinado. São tomadas que mostram reflexos, espelhos e vidros. Diversos objetos cênicos também duplicam a figura delicada de Irène Jacob. “A Dupla Vida de Vèronique” não é um filme de ações, mas de sensações, de subjetividades, de delicadeza e reflexão sobre vida, morte, destino e coincidência.





SERVIÇO

Exibição do filme “A Dupla Vida de Vèronique” (1991), de Krzysztof Kieslowski. Hoje, às 18h30, no Cine CCBEU (Padre Eutíquio, 1309). Entrada franca. Informações: 3242 9455.

(Diário do Pará)

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