Segunda-feira, 29/03/2010, 07h58

Em números redondos a Arquidiocese de Belém calcula que a Região Metropolitana tenha algo em torno de 800 mil católicos. É esse rebanho, como costumam dizer os religiosos, que terá de ser conduzido pelo novo arcebispo metropolitano Dom Alberto Taveira, que na quinta-feira assumiu o posto que até então fora de Dom Orani Tempesta, que já entrou para a história como um dos mais queridos arcebispos a terem passado por Belém.
Dom Orani afirmou esperar que Dom Alberto seja tão feliz como ele mesmo o fora à frente da igreja em Belém. Mas admitiu que a missão nunca é fácil. Dom Alberto vai assumir numa capital que viu nascer uma das mais fortes igrejas evangélicas do país e cujo rebanho também vem crescendo há anos. Ao mesmo tempo, Belém acaba por receber sempre os respingos por ser a capital de um Estado onde conflitos agrários são uma tônica - e que acabam por fazer com que setores mais progressistas da igreja católica se envolvam profundamente com a causa da reforma agrária.
Ao longo do tempo, Belém já recebeu arcebispos conservadores e uns poucos um tanto mais progressistas. Dom Orani Tempesta, o mais recente, sempre foi considerado um conciliador, um aglutinador de tendências diferentes. “Dom Alberto Taveira tem o mesmo perfil. A prova é o número de bispos de outros Estados que estão aqui”, garantia um diácono na quinta-feira, enquanto o novo arcebispo tomava posse.
De fato, a cerimônia que entronizou Dom Alberto Taveira foi concorrida. Caravanas vieram de outros Estados, principalmente de Tocantins. Dom Alberto fundou a diocese de Palmas, 14 anos atrás. “Belém ganhou muito, com toda a certeza. Ele é um bispo aberto ao que os jovens dizem”, afirmou irmão Marcos, 30 anos, integrante da comunidade religiosa Sementes do Verbo, idealizada há cinco anos por Dom Alberto em Palmas.
Do conjunto Panorama, vieram para a cerimônia de Dom Taveira as voluntárias Sandy Rodrigues e Gisele Sueli, ambas com 17 anos. Elas fazem parte da igreja de Santa Edwirges. “A gente espera um trabalho parecido com o que Dom Orani fez”, afirmava Sandy. “Dizem que ele é muito ligado aos jovens. É importante que ele faça a evangelização que traga os jovens de volta para a igreja”, completou Sueli.
Em Tocantins, Dom Alberto voltou um olhar especial para o movimento de Renovação Carismática. Ele acredita que deva haver uma renovação dentro da ‘Renovação’. Há esperança entre os católicos de Belém, de que Dom Alberto continue com a missão de continuar a renovação católica, iniciada em 1980, depois de uma grande crise causada pelo avanço das outras igrejas, com seus discursos de milagres e pronto-atendimento aos problemas financeiros e pessoais imediatos.
Atualmente a Região Metropolitana tem 59 paróquias, 92 padres, 82 diáconos permanentes, 27 congregações masculinas e 48 femininas. São mais de 30 seminaristas em preparação para assumir igrejas. É um número expressivo. Ao saudar o novo arcebispo, o administrador arquidiocesano Raimundo Possidônio lembrou que é nas pequenas comunidades que o foco da evangelização precisa estar mais afiado, mais atento. E rogou que o novo arcebispo mantivesse o “diálogo ecumênico”.
CONFIANÇA DO PAPA
Dom Taveira tem a confiança do papa Bento XVI. Segue fielmente a ideologia implantada pelo líder mundial da igreja católica. Ao saber que Bento o havia escolhido para assumir o arcebispado em Belém, disse receber a notícia numa “atitude de docilidade e obediência à Igreja”. “Eu tenho sempre esse princípio dentro do coração, de que a minha liberdade está na obediência”, chegou a afirmar.
O arcebispo soube da nova missão no dia 8 de dezembro. Com um “aperto no coração”, como ressaltou, deixou Palmas. Em Belém disse que vinha para aprender. Sabe da importância do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, por exemplo. Tanto que na primeira missa, falou muito de Maria.
“Esperamos que ele faça um bom trabalho em Belém”, dizia na entrada da igreja o irmão beneditino José Ademir Ramos, de apenas 17 anos. Pensamento semelhante tinha irmã Rebeca, franciscana de 27 anos, que acompanhava no telão a posse de Dom Alberto. “Que ele tenha a boa conduta da igreja e o bom pastoreio do rebanho. Temos boas referências dele. Que seja bem-vindo”.
Sentada em uma cadeira à frente da Catedral da Sé, dona Maria das Graças, 80 anos, rezava. “Estou pedindo pelo novo arcebispo. Temos que rezar muito para dar força a ele, porque a situação hoje é muito difícil. Que ele tenha sorte e autoridade”.
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