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Segunda-feira, 08/02/2010, 15h30

Myke Carvalho: colecionador de vitórias no ringue

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Obter a classificação olímpica já é um prêmio para o atleta. Agora imagine a alegria, para um brasileiro, de carimbar o passaporte à competição mais importante do desporto mundial com uma vitória sobre um argentino. Foi essa a sensação do pugilista paraense Myke Carvalho ao vencer Gumersindo Carrasco, no Pré-Olímpico de Boxe da Guatemala, em maio de 2008, e garantir a vaga à sua segunda olimpíada consecutiva (Pequim 2008), na categoria meio-médio (até 64kg).

Antes de ir aos Jogos Olímpicos de Atenas (2004) e depois a Pequim, quatro anos depois, Myke arrebatou sete vezes o título de campeão brasileiro, além de uma medalha de ouro e outra de bronze, no sul-americano e uma medalha em pan-americano. Não foi muito bem nas duas edições olímpicas, mas foi riquíssima a experiência acumulada.

“Fui eliminado pelo porto-riquenho Alexander de Jesus, logo na primeira rodada. Eu era muito jovem, tinha 20 anos e fiquei deslumbrado com o tamanho daquele evento. Mesmo com o tropeço, não desisti da carreira”, conta o pugilista, hoje com 27 anos, sobre Atenas. Em Pequim, acabou derrotado também logo no começo, ao perder para Richarno Colin, das Ilhas Maurício. “Não me adaptei ao clima da cidade e, quando chegou a hora da luta, me senti cansado, fatigado”, justifica o boxeur.

Myke tomou os reveses como estímulo e, como bom guerreiro paraense, levantou a cabeça e continuou sua escalada rumo a mais conquistas. Não é à toa que o pugilista traz o Pará cravado, literalmente, no lado esquerdo do peito, apesar de morar e treinar em Santo André, interior de São Paulo, há alguns anos.

Para justificar o amor pelo Estado, fez uma tatuagem que começa com a bandeira do Brasil no ombro e termina com a nossa bandeira no tórax. Ele já fez questão de levar os símbolos para vários países da América Latina, Europa e para os Estados Unidos, nas competições que disputou com a seleção brasileira de boxe. Nos ringues ao redor do mundo, ficou evidente seu orgulho pela terra natal

Os socos, gingadas e estratégias de Myke Carvalho começaram cedo. Aos 11 anos de idade, ele tomou contato com o boxe pelos punhos dos primos. No ano seguinte, subiu no ringue e, uma saraivada de murros depois, já havia escolhido sua profissão. “Me empenhei e dediquei tanto aos treinamentos que, aos 16 anos, eu já estava na seleção brasileira”, conta o atleta, cujo estilo lembra um pouco “bailarinos” do boxe, como Sugar Ray Leonard e Hector Camacho.

Apoio da família foi decisivo na carreira do pugilista

O começo, apesar de fulminante, não foi nada fácil. Filho de família humilde, mas lendária no esporte paraense, o boxeador nasceu no distrito de Icoaraci e por causa das muitas dificuldades financeiras quase desistiu de continuar lutando. O estímulo veio da avó, Célia Ribeiro, que, por sinal, não via com bons olhos a carreira dos filhos pugilistas, mas apoiou ao máximo o sonho do neto.

Myke é sobrinho dos ex-boxeadores Cláudio e Dalgísio Ribeiro, primeiro pugilista local a arrebatar o título de campeão brasileiro na categoria galo, em 1987. Dalgísio foi o primeiro superstar do boxe paraense. Faleceu prematuramente ao ser atingido por um tiro acidental, em meados da década de 1990.

O apoio da avó foi tão fundamental que hoje, passados 15 anos, Myke mostra muita autoconfiança e promete se empenhar com todas as forças para ir às olimpíadas de Londres, em 2012. “Já estabeleci como meta estar nos próximos Jogos Olímpicos e trazer uma medalha para o meu País e o meu Estado”, confirma. 



POR QUE SE ORGULHAR?

O paraense Myke Carvalho é um dos maiores nomes do boxe nacional nesse começo de século XXI. Ele já conquistou sete campeonatos brasileiros, medalhas em torneios sul-americanos, pan-americanos e já representou o Brasil e o Pará em duas olimpíadas (Atenas 2004 e Pequim 2008). Onde quer que vá, leva o orgulho de ser paraense, literalmente, no coração, através de uma tatuagem que mostra a bandeira do Brasil e do nosso Estado no lado esquerdo do peito.

Leia mais em: www.diariodopara.com.br/orgulhodopara

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