Segunda-feira, 08/02/2010, 15h25
Clube do Remo e Paysandu Sport Club, clubes que detém as maiores torcidas de toda a região Norte, têm uma verdadeira odisseia para contar, entre milhares de gols, centenas de vitórias para cada lado e dezenas de títulos azulinos e bicolores. O clássico, considerado por pesquisas o que mais vezes foi disputado, além do encontro entre rivais com maior número de partidas no futebol mundial, mobiliza o Pará esportivo, empresarial, turístico e cultural e mesmo todo o território nacional, que se impressiona ao ver pelo menos 30 mil torcedores se acotovelando para assistir um simples amistoso entre as duas equipes. Dentro de quatro anos o primeiro encontro entre os arquirrivais completa seu primeiro centenário. Faz, portanto, 96 anos que bicolores e azulinos extravasam sua paixão pelos times, nos mais de 700 confrontos já realizados.
Até a presente data (07/02/ 2010) já foram disputados 701 jogos. O Remo venceu 247 vezes, 28 a mais que o Paysandu. A história registra ainda 235 empates, 1.808 gols do Leão e 898 marcados pelo Papão. Números suficientes para embalar a paixão de duas torcidas que não medem esforços para torcer pelas equipes.
A longevidade da disputa levou o jornalista e historiador Ferreira da Costa a escrever o livro “Remo x Paysandu - 700 jogos - O Clássico Mais Disputado do Futebol Mundial”, e trabalhar para incluir o verbete no Guiness Book, Livro dos Recordes.
Como os números oficiais não podem ser desprezados, coube à revista Placar apurar, em 2001, através da Internet, que os alvi-azuis têm 12% de toda a torcida do Norte, 4% a mais que o adversário. Por outro lado, o Ibope constatou, para a revista Lance A+, de 2004, que 0,7% da região é remista, ou seja, 1.190.000 torcedores vestem azul marinho, enquanto 0,6%, ou 1.020.000 têm sangue bicolor. Na frieza exata dos números deu empate técnico, levando-se em conta a margem de erro.
Quando se defrontaram na elite do futebol brasileiro, o Remo levou a melhor, vencendo três jogos, perdendo dois, empatando os outros cinco e marcando onze gols, dois a mais que o Paysandu. Contudo, o Papão é superior no número de pontos acumulados, de acordo com um ranking feito pela Placar: é o 25º colocado, enquanto o Leão é o 34º.
No retrospecto da série B houve empate, com quatro vitórias para cada time e cinco empates. O Paysandu superou o rival no número de gols: marcou 21 e levou 19. Por falar em gols, o maior goleador do Re x Pa é bicolor: o atacante Hélio marcou no adversário nada menos que 47 gols, entre 1941 e 1952.
O clássico nas palavras de dois craques da música
Para quebrar o gelo de tantas estatísticas e números, o BOLA ouviu duas personalidades da cultura paraense a respeito do clássico maior do futebol na Amazônia. Por sinal, ambos são cantores, compositores e poetas e foram desportistas no passado: Marco André Oliveira e Alcyr Guimarães.
“Posso dizer que sou 70% azulino. Sou maniqueista: o meu lado bom me faz gostar dos dois times. O meu lado mau me faz odiar Nevasca, Alcino, Carlitinho, Mesquita (meu doce amigo fora do passional) e então querer bem Quarentinha, Azas, Gilvandro, Bené, Rubilota e assim vai minha alma. Como ex-jogador, bate uma saudade imensa dos velhos tempos quando vejo a bola ser tão maltratada hoje em dia. Joguei futebol nas categorias de base do Internacional (RS) e tenho então essa ligação com a bola. Eu pergunto: Sem o Re x Pa, o que seria do paraense ou do belenense, que se realiza ou impõe suas mazelas e feridas para fora, em um jogo que se torce pela desgraça do outro?. Quantas discussões vís, entre bicolores e azulinos, são tolamente esquecidas num abraço no dia seguinte? Quanto desamor pelo amor de sonharmos que somos Quarentinhas de um lado e Neves do outro? Como eu poderia ser paraense se não fosse um Remo ou um Paissandu em minha vida? E assim chegamos à conclusão que ambos nos levam para o céu que tem suas cores”. (Alcyr Guimarães)
“Desde menino vou aos estádios, com meu pai e meu irmão, assistir o clássico. Sempre fui Paysandu, mas defendi, com a mesma raça, o Remo nas piscinas. Nadei pelo clube, pois no Paysandu não havia natação no tempo em que fui atleta. O Re x Pa já me trouxe muita emoção. Lembro de um jogo, quando o Chico Spina era centroavante do Papão e eu e um amigo chegamos atrasados no Mangueirão. O lado bicolor estava lotado e então fomos pro outro lado, onde comemoramos, calados, a cada gol do nosso Papão. Outro jogo que não esqueço foi a estreia do Dario. O cara empatou o jogo, chutando a própria canela, a bola, a trave e tudo o que encontrou pela frente no final e pulou sobre o Bira, para devolver a provocação que sofreu quando o atacante do Remo abriu o placar, em 1979. (Marco André)
Por que se orgulhar?
O jogo Remo x Paysandu, ou Re x Pa ou, ainda, o “Clássico Rei da Amazônia”, tem 96 anos de existência, emociona paraenses e brasileiros, em todas as partes do mundo, e mobiliza todo o Estado sempre que é disputado. Já são mais de 700 confrontos, o que o classifica como o que mais vezes foi disputado em todo o futebol mundial. O Re x Pa é um ícone tão importante para o paraense quanto a riqueza natural do Estado, sua culinária, patrimônio arquitetônico, manifestações artísticas e suas festas religiosas.
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