Quarta-feira, 03/02/2010, 07h10
Dezoito dias após ter sido baleada e espancada pelo cabo da Polícia Militar, Jéferson Lobato de Souza, de 38 anos, a jovem Renata Ferreira, de 23 anos, iniciou uma nova batalha. Renata começou anteontem a fazer fisioterapia no Hospital Metropolitano para tentar recuperar os movimentos das pernas. Há ainda as dificuldades que surgiram, diante da nova realidade, vividas pela jovem.
No lugar de um semblante triste, o que seria normal para quem ainda traz marcas visíveis de uma brutal violência, é possível ver muitos sorrisos. Diante das pessoas que a cercam, chamadas por ela de “anjos”, Renata sorri. Mas não um riso comum e sim de puro agradecimento para quem tem lhe dado apoio nesses quase vinte dias.
ESPERANÇA
Na avaliação realizada segunda-feira pela médica fisioterapeuta Mariana Gouveia Gabriel, as conclusões são de que ainda é muito cedo para fazer um prognóstico. Será necessário que as lesões das vértebras e da medula cicatrizem. “Ela sente a perna mexer involuntariamente, formigamentos. Esses são sinais positivos. Ela é nova e vai evoluir bem”, afirma Mariana.
A médica disse ainda que Renata agora inicia um trabalho para se tornar mais independente, claro, dentro de suas limitações. “Ela vai aprender a se mover da cama para cadeira e vice-versa. Tentar dar mais independência a ela porque isso afeta muito o psicológico da pessoa. Só temos de esperar o próprio tempo para cicatrizar todas as lesões”, informa a médica.
AUDIÊNCIA
No início da manhã de ontem, integrantes do Conselho de Disciplina da Corregedoria da Polícia Militar que apura o caso, estiveram na residência onde Renata recupera-se. O objetivo da visita era ouvi-la por conta do processo administrativo instaurado pela PM que determinará se o cabo Jéferson será expulso ou não da corporação.
O depoimento durou aproximadamente uma hora e foi conduzido pelo major Rui Borborema Chermont, presidente do Conselho de Disciplina formado pela Corregedoria da PM. Segundo Iolanda Carvalho, amiga de Renata, o advogado Américo Leal apresentou-se como representante jurídico do cabo Jéferson, bem como efetuou algumas perguntas. “Ele perguntou pra ela se antes de ser atingida pelo tiro não havia uma aglomeração e não aconteceu um assalto”, revelou Iolanda.
Enquanto descansava em uma cama, Renata relatou que as perguntas foram feitas pelo advogado e pelo major. “Eles me perguntaram se eu já conhecia o policial e se tinha namorado com ele. E eu respondi que nunca tinha visto ele”. Renata afirmou que também foi interrogada como tudo ocorreu.
Para hoje, está agendado para a sede da Delegacia Geral, onde fica localizada a Corregedoria da PM, o depoimento de mais duas testemunhas de acusação. (Diário do Pará)
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