Quinta-feira, 19/11/2009, 08h05
No dia seguinte à saída de Ann Pontes da Paratur, o líder do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado Parsifal Pontes, reforçou a postura de independência que tem tomado na Casa em relação ao governo. “Essa postura não foi planejada. Foi acontecendo e realmente a curva (da aliança) tem estado abaixo da linha do horizonte.”
Casado com Ann Pontes, Parsifal lembrou que a saída da mulher do cargo foi uma decisão tomada em razão dos posicionamentos que ele vem tomando na AL. Ele garantiu, contudo, que não haverá aumento do tom a não ser que seja necessário. “O PMDB não fecha porta. Se formos chamados para uma conversa séria para realmente dividir espaços no governo, nós iremos. Mas hoje não tem nada acontecendo no sentido de melhorar ou piorar a nossa a relação.”
O posicionamento de mais independência do PMDB é sinal de que a articulação do governo continua a ter muito trabalho pela frente se quiser ver todos esses projetos aprovados antes do recesso de final de ano. Restabelecidas as relações com o presidente da AL, as atenções devem se voltar para toda a base aliada. Deputados de vários partidos reclamam do descaso dos secretários e da não liberação de emendas aprovadas no orçamento deste ano. Diante da informação de que o governo pretende, a partir de agora, reunir parlamentares para ouvir demandas, alguns se mostram céticos sobre a eficácia da medida. “É até humilhante para nós reunir de novo para falar de algo que já foi pactuado e acordado”, disse o deputado Martinho Carmona (PMDB), referindose às emendas parlamentares prometidas e não liberadas.
CARGOS NA AL
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Domingos Juvenil (PMDB), decidiu anular a votação do decreto que cria 181 novos cargos em comissão (DAS) para a Casa. Mas ontem mesmo foi realizada uma nova votação e de novo os deputados aprovaram o decreto.
A anulação foi feita porque no dia anterior os deputados deixaram de analisar duas emendas do deputado Arnaldo Jordy (PPS) que, na prática, mantinham apenas dois dos 181 cargos previstos. Jordy defende que os outros DAS sejam discutidos apenas durante a elaboração do Plano de Cargos, Carreiras e Salários da Assembleia.
A nova votação foi feita para evitar contestações da votação. Segundo Jordy, sem análise das emendas, “qualquer cidadão poderia ir à Justiça” contra o decreto.
O presidente da Casa tem repetido que a criação dos cargos atende à necessidade de remanejamento de pessoal para a criação de um departamento específico para a gestão de pessoas, hoje ligada à diretoria administrativa.
Domingos Juvenil alega que não haverá aumento de gastos para a AL. Já Arnaldo Jordy diz que o acréscimo na folha poderá chegar a R$ 500 mil mensais. Entre os 181 cargos, estão 80 agentes parlamentares de serviços externos e 90 assessores especiais, além de redatores, fotógrafos, chefes de sessão e de decisão. (Diário do Pará)
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