Quinta-feira, 19/07/2012, 06h59
É iminente o risco de uma epidemia de dengue no próximo ano em Marabá. O surgimento do tipo 4 da doença é o responsável por essa ameaça. Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde de Marabá confirmou o primeiro caso registrado no município. No Brasil, poucas pessoas contraíram esse tipo do vírus e, portanto, não estão imunizadas contra ele. Neste ano, os primeiros casos do tipo 4 da dengue foram notificados no Brasil, deixando a população brasileira à mercê da doença.
Segundo a Sespa, Marabá ainda não registrou nenhum óbito por dengue este ano, mas já foi confirmado um caso do vírus tipo 4. Material coletado de um jovem de 25 anos, em março deste ano, teve isolamento positivo para dengue tipo 4, no Laboratório Central do Estado (Lacen). Apesar de o material ter sido coletado em março, o relatório só foi emitido dia 4 de julho, segundo boletim da Prefeitura de Marabá, revelando a falta de celeridade para identificar o tipo de dengue que acomete a população.
Até hoje as pesquisas garantem que quem já contraiu dengue em um segundo episódio não volta a ser acometido pelo mesmo tipo de vírus, mas por outro. Por exemplo, quem já adquiriu o tipo 1, se voltar a ter dengue, vai ser do tipo 2 ou 3. Os brasileiros vinham contraindo esses três tipos, logo estão imunizadas contra eles. Como o tipo 4 é novo, quase ninguém no Brasil contraiu a doença e a conclusão é que praticamente toda a população está sujeita a contrair o tipo 4 do vírus.
Ana Raquel Santos Miranda, diretora de Vigilância em Saúde da 11ª Regional da Sespa - Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará -, explica melhor como o vírus tipo 4 começou a circular no Brasil. “Esse tipo de vírus não tinha circulação no Brasil. Houve há muitos anos, sumiu e vínhamos registrando apenas os tipos 1, 2 e 3. No ano passado, voltou a circulação do tipo 4 nos países de fronteira com o Brasil e começou a entrar aqui por meio da região Norte”, explica., complementando que, ao contrário do que as pessoas pensam, os quatro tipos da doença não significam agravos diferenciados e que os cuidados de prevenção são os mesmos. “A doença é a mesma. Um tipo do vírus não é mais perigoso que o outro. A diferença neste caso é que, como o tipo 4 não tinha circulação no Brasil, as pessoas não estão imunizadas e, se os cuidados para prevenir a proliferação do mosquito Aedes Aegypti não forem tomados, o número de pessoas acometidas pela doença será bem maior”, destaca Ana Raquel, acrescentando que o que determina o quadro do paciente é a situação imunológica. Os grupos de risco são: crianças, idosos, gestantes e pessoas que têm alguma doença crônica, quando a doença pode evoluir.
Prefeitura diz que combate, mas focos estão nas casas
A Prefeitura de Marabá garante que tem investido para esclarecer a população sobre os cuidados para evitar a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, mobilizando ainda um trabalho específico nos locais de maior proliferação, de acordo com o último levantamento dos índices do mosquito da dengue, realizado no início de julho. Esse levantamento revelou que todos os criatórios do mosquito estão concentrados no interior das residências e nos depósitos de água, suspensos ou ao nível do solo. Isso mostra que a participação da população é fundamental para diminuir os índices da doença. O papel da Sespa no combate à doença é o de supervisionar e acompanhar as ações do município, que recebe recurso específico tanto do Estado quanto do Governo Federal para executar ações contra a dengue.
(Diário do Pará)
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