Domingo, 08/07/2012, 12h21
Que bom que Fagner não cedeu às pressões da família que tanto queria que ele deixasse o Rio de Janeiro e voltasse para sua faculdade de Arquitetura em Brasília, isso lá por 1972. Fagner, mais compreendido como um romântico de botequim dos anos 80 por um dia ter cantado sobre uma faca de duas pontas chamada “Borbulhas de Amor”, foi a cabeça que melhor soube desenhar a sonoridade da música brasileira nos anos 70.
Esse seu disco de 1975, que sucede a estreia do fantástico “Manera Fru Fru, Manera” - o LP que o levou à terra dos gigantes com “Mucuripe”, “Canteiros” e “O Último Pau de Arara” - não veio com o mesmo potencial de hits, mas trouxe belezas que colocaram o Ceará nos olhos do Sul. Foi dali que saiu “A Palo Seco”, de Belchior; uma versão psico-baião para “Riacho do Navio”, de Gonzagão e Zé Dantas, e “Antonio Conselheiro”, de sua autoria. Sua linguagem era de rock rural, baladeira, de poesia e acabamento rústico só na superfície.
Ao seu lado, nomes de conhecimento erudito, como os arranjadores Paulo Moura e Chico Morais. Sua lista de convidados sinalizava seus superpoderes da época: Chico Batera, Wagner Tiso, Toninho Horta e a banda Vímana, de um garoto conhecido como Lulu ‘dos’ Santos. Os arranjos de cordas elevavam a crueza em dois graus sem deixar perder o clima deste George Harrison do Ceará.
(Agência Estado)
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