Domingo, 08/07/2012, 12h08
Em uma noite discreta, mas de suma importância para a cultura no Pará, ocorreu, na última quinta-feira (5), a abertura da Exposição Seringal – 70 anos do Banco da Amazônia, que conta com representações de obras do valoroso pintor paulista Cândido Portinari e o original do estudo projetado pelo artista em óleo sobre cartão, medindo 22.3 x 54 cm. Artistas e estudantes prestigiaram o lançamento da exposição, que segue até 31 de julho no prédio do Basa, na av. Presidente Vargas.
“O trabalho de Portinari é atemporal. Faz mais de 50 anos que essa obra foi projetada e parece ter sido feita ontem”, observa Ruma, artista plástico de Belém, presente à exposição. “Os elementos, as expressões que Portinari usa são muito fáceis de identificar. A cromática, o estudo das cores, tem uma sincronia perfeita com nossas identidades”, analisa Ruma. Para quem, assim como ele, prestigiou a abertura da mostra, estar diante de uma obra do ícone modernista é um grande privilégio. “É uma raridade ter um quadro original de Portinari em Belém e uma oportunidade para nós entendermos a relação dele com a Amazônia”, diz Erika Brasil, estudante engenharia ambiental da Ufra. Um Portinari para todos os públicos, bem ao estilo do artista.
“A honra de ver uma obra original de Portinari significa um avanço para a arte em Belém, é uma verdadeira relíquia”, completa Carlos Lenilson, eletricista.
Para os professores, uma oportunidade de aproximar ainda mais o artista da realidade dos alunos. “Como eu trabalho como professor, sei o quanto podemos aproveitar esta ocasião para promover uma interação entre os estudantes e a obra do artista. A relação de Portinari com o período da borracha nos faz mergulhar na história do Pará e observar fatores próprios da época de maior desenvolvimento de nossa cidade. Acho que as escolas deveriam mandar os alunos para cá, afinal é um presente que Belém ganha”, sugere Mauro Pinheiro, antropólogo e cientista social.
Relíquia ao alcance dos olhos
Para o presidente do Banco da Amazônia, Abidias Junior, realizar um evento como esse tem um significado que atravessa as questões sociais tão defendidas por Portinari. “Nem todos têm possibilidade de acessar o Museu de Arte de Belém (Mabe) e conhecer este talento”, comentou o presidente na cerimônia de abertura.
A obra está no Mabe desde a década de 1990 e representa os áureos tempos do Ciclo da Borracha no Pará. “Pesquisando na biblioteca do Banco da Amazônia, encontramos um histórico da encomenda dessa obra no ano de 1957 e achamos que seria imprescindível resgatá-la”, explica Luiz Lourenço, Diretor de Imagem e Comunicação do Banco da Amazônia. Promover um resgate histórico e museológico para a cidade de Belém é uma das prerrogativas da exposição. “Os contextos dessa pesquisa são de importância infinita. O Mabe é o único museu do Pará que abriga obras de Portinari, por isso quando recebi o convite do Banco da Amazônia e do curador, o professor Aldrin Figueiredo, considerei a relevância de torná-lo possível”, comenta Nina Matos, Técnica Cultural do Mabe, responsável pela montagem do projeto.
“Estamos realizando estudos quanto a viabilidade de tornar a Seringal itinerante. Dependemos de um diálogo com o Mabe, que já está em andamento”, completa Luiz Lourenço.
Em exposição, a singularidade de Candido Portinari dividida em quatro recortes: O Seringal; A Natureza; O Trabalho e O Controle de Produção, mais a peça original produzida pelo artista no ano de 1957.
VISITE
‘Seringal’, de Portinari segue aberta à visitação no prédio do Banco da Amazônia (av. Presidente Vargas), até o dia 31 deste mês, de segunda a sexta, no horário de 8h30 às 17h30. Entrada franca.
(Diário do Pará)
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