Domingo, 08/07/2012, 07h09
Preocupado com os efeitos prolongados da crise financeira e o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional no primeiro trimestre, o Palácio do Planalto não deverá prever a concessão de reajuste a servidores na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2013. O governo se vê de “mãos atadas” ao não encontrar espaço para mais despesas nas contas públicas pelo menos neste momento, enquanto a economia fraqueja. A LDO tem de ser votada até o dia 17 deste mês, caso contrário, os parlamentares não podem entrar de recesso.
Estima-se que cerca de 350 mil servidores estejam em greve - entre funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Arquivo Nacional, professores universitários e outros profissionais.
O governo teme que o movimento grevista ganhe mais adesão e se torne uma espécie de bola de neve que confronte a presidente Dilma Rousseff.
Segundo o Grupo Estado apurou, a presidente Dilma tem acompanhado “hiperpreocupada” os desdobramentos da crise e deverá preparar novas medidas para socorrer a produção industrial. Na contabilidade do Ministério do Planejamento, o custo das reivindicações apresentadas por servidores públicos para 2013 alcança R$ 60 bilhões.
“O que não pode nesse momento é o governo mais uma vez jogar a responsabilidade da crise nas costas dos servidores públicos federais. É imaturo por parte do governo jogar a responsabilidade nas costas de quem ajuda esse país a se desenvolver”, disse o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Costa.
De acordo com Costa, servidores da Anvisa e de outras onze agências reguladores poderão entrar em greve nos próximos dias. O Planalto se preocupa particularmente com a operação padrão realizada por auditores fiscais da Receita em Foz do Iguaçu, no Paraná, a longa fila já passa de 1,6 mil veículos, nas contas de sindicalistas.
Um dos interlocutores mais próximos da presidente, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que o governo confia “na maturidade dos servidores” públicos federais diante da reivindicação por aumento salarial.
“O governo segue analisando as possibilidades, com muita preocupação em relação à economia, confiando na maturidade dos servidores, que estão vendo o que está acontecendo no mundo todo”, disse Carvalho.
Manifestações de servidores provocam transtornos
Nos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff tem sido confrontada diretamente com a insatisfação de servidores, que lhe causaram constrangimentos em dois eventos públicos.
Em São Bernardo do Campo (SP), durante inauguração de uma unidade de pronto atendimento, Dilma enfrentou o protesto de estudantes de uma universidade federal; no Rio de Janeiro, foi a vez de servidores federais ficarem no encalço da presidente.
ATÉ A COMISSÃO
Na última quinta-feira, integrantes da Comissão da Verdade foram impedidos de entrar no Arquivo Nacional, em Brasília, por um grupo de servidores em greve.
(Agência Estado)
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